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BOAS-VINDAS

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Robson Braga de Andrade

Presidente da CNI

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Robson Braga de Andrade

Presidente da CNI

Esta é a primeira edição do InforMEI Especial, uma iniciativa da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com a newsletter mensal, que será distribuída via e-mail, queremos estreitar nosso contato para manter o debate, continuar a agenda de trabalho e ampliar a divulgação de práticas inspiradoras, que possam se multiplicar em todo o país.

 

O Sistema Indústria está comprometido com o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Na CNI, no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e no Serviço Social da Indústria (SESI), adotamos medidas para responder aos desafios impostos pela Covid-19, especialmente, na saúde e na educação dos trabalhadores brasileiros. Nesse sentido, lançamos chamadas do Edital de Inovação para a Indústria, que destinam R$ 30 milhões a projetos que solucionem problemas causados pela doença.

 

Firmamos parcerias com indústrias para fazer a manutenção de respiradores mecânicos que estavam sem uso. Dezenas desses equipamentos já foram consertados e devolvidos aos hospitais, estando prontos para o atendimento dos pacientes. Além disso, desde o fim de março, divulgamos, semanalmente, um boletim com informações sobre os esforços de empresas e instituições para dar uma resposta à pandemia. Entre essas ações, estão o desenvolvimento de soluções e plataformas que conectam ofertantes e demandantes de tecnologias, e a destinação de recursos para pesquisas e linhas de financiamentos.

 

O InforMEI Especial é mais uma ação da MEI e da CNI para manter o engajamento e o foco de líderes de empresas e instituições do ecossistema de inovação na construção de propostas e ações que busquem o aperfeiçoamento de políticas públicas, além do compartilhamento de iniciativas adotadas no Brasil e no mundo. Tenho a certeza de que, com a contribuição de todos, logo vamos superar essa crise sem precedentes na história moderna.
 

Boa leitura.

Robson Braga de Andrade
Presidente da CNI

 

COM A PALAVRA

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Pedro Wongtschowski

Presidente do Conselho de Administração da Ultrapar

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Pedro Wongtschowski

Presidente do Conselho de Administração da Ultrapar

O momento é difícil, mas o mundo vem conseguindo reagir razoavelmente bem e rapidamente à pandemia da covid-19, em função do conhecimento técnico acumulado e da existência de um competente corpo de pesquisadores em todas as áreas, sejam relacionadas ou não à saúde. Em nenhuma circunstância no passado, a sociedade reagiu com tanta rapidez. No Brasil não é diferente. A sociedade se mobilizou tanto para compreender o fenômeno, quanto para prevenir, conter e combater o coronavírus.

 

Neste contexto, ciência, tecnologia e inovação (CT&I) se mostram imprescindíveis para as respostas que vêm sendo dadas. A Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) acompanha cada passo dos setores público e privado em relação à covid-19 e estimula seus parceiros a inovar e multiplicar ações concretas que possam reduzir os efeitos dessa pandemia.

 

Contudo, não podemos nos esquecer de ações e medidas necessárias para as indústrias enfrentarem a crise e preservarem empregos. A minha sugestão é que as empresas tenham foco em três grandes objetivos: proteger e preservar a saúde de sua equipe de trabalho; manter a continuidade operacional - ou seja, continuar operando tão normalmente quanto possível, o que implica em ter acesso aos seus fornecedores, aos insumos para produzir, manter logística adequada e atender o seu mercado; e preservar a saúde financeira do seu negócio, tendo em vista os riscos de inadimplência e a percepção de que a cadeia não está normalizada.

 

Em relação às medidas práticas, editais recém-lançados pelo SENAI, Embrapii e de outras importantes instituições, como a Fapesp, USP e Unicamp, contribuirão em curto espaço de tempo para a criação de produtos e processos que, certamente, responderão a contento às novas demandas. De uma hora para outra, o país passou a precisar de milhões de máscaras e de testes, de milhares de respiradores e tomógrafos, e de metodologia para identificar conhecimento estatístico e epidemiológico para entender esse fenômeno. Isso mobilizou centros de pesquisa e desenvolvimento, as empresas e a academia. As indústrias dos mais diversos setores se adaptaram e estão produzindo equipamentos que até pouco tempo não tinham grande demanda.

 

Nesta crise, as indústrias serão capazes de produzir transformações disruptivas. Mas muito além da medida urgente, temos o desafio de nos tornarmos um país com um projeto de longo prazo para CT&I. Para isso, necessitamos de um ecossistema de inovação forte, com engajamento dos setores privado e público, e da academia. É assim que conseguiremos atingir o progresso tecnológico, a partir das respostas aos problemas que precisamos enfrentar. Além de recursos para a ciência e tecnologia, precisamos de ações integradas entre pequenas, médias e grandes indústrias, startups, fornecedores, universidades, laboratórios – apoiados por um governo que disponha dos instrumentos apropriados.

 

Pedro Wongtschowski
Presidente do Conselho de Administração da Ultrapar

 

PELO MUNDO

PELO MUNDO

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O Tuspark ​possui 30 filiais em toda a China​, com 400 empresas e 25 mil funcionários​.
Crédito: Tus-Holdings/Arquivo

De acordo com levantamento divulgado pela Universidade Johns Hopkins, o número de infectados pelo coronavírus no mundo chegou a 2 milhões em 15 de abril. Até então, a doença havia matado mais de 120 mil pessoas. Epicentro da pandemia de Covid-19, a China teve o primeiro caso da doença identificado no dia 1º de dezembro de 2019. De lá até 14 de abril deste ano, a Comissão Nacional de Saúde daquele país computou 82.295 pessoas infectadas e 3.342 mortes decorrentes da doença. Na primeira edição do Pelo Mundo, o InforMEI conversou sobre o papel dos hubs tecnológicos no combate à pandemia com Herbert Chen – executivo responsável pela Tus-Holdings, que administra os negócios de um dos mais relevantes polos de inovação chinês. Além de sua função na Tus-Holdings, Chen é vice-diretor do Comitê de Gestão do TusPark, vice-reitor do Instituto de Inovação do TusPark, vice-presidente da Associação Internacional de Parques Científicos (IASP), membro do Conselho do Futuro Global do Fórum Econômico Mundial e membro do Conselho Regional da Unesco para o Desenvolvimento de Parques Científicos e Incubadoras Tecnológicas. 

 

Para Herbert Chen, pelo menos quatro tecnologias são fundamentais para frear a disseminação do vírus, garantir a segurança dos cidadãos e assegurar a distribuição de bens essenciais: tecnologias de diagnóstico rápido e baseadas em inteligência artificial para um grande numero de pessoas; tecnologias de big data para supervisão e gestão de movimentações de multidões; tecnologias de desinfecção rápida e massiva para locais de alta circulação; e tecnologias para integração de cadeias de logística para abastecimento e distribuição eficiente de bens. 

 

A Tus-Holdings funciona em Zhongguancun, zona conhecida no ocidente como o Vale do Silício chinês. A região abriga mais de uma centena de centros de P&D de grandes multinacionais, além de sedes de empresas como a Xiaomi. “O papel desse polo tecnológico foi muito relevante durante a crise. As propostas de políticas formuladas pelos atores do ecossistema, bem como os novos produtos rapidamente desenvolvidos e fabricados mostram a relevância de um hub como esse”, afirma Herbert Chen. O catálogo de produtos criados pelas empresas da Tus-Holdings para o combate a pandemia pode ser acessado aqui

 

Para Chen, casos como esse requerem cooperação entre órgãos públicos, grandes empresas, startups e universidades, indicando com clareza o papel desempenhado por cada parte. “Instituições públicas e o governo desempenham papéis na formulação de políticas, coordenação centralizada e integração de recursos. As universidades avançam em pesquisas relevantes de acordo com requisitos governamentais. Já startups aceleram a comercialização de tecnologias desenvolvidas em universidades e instituições de pesquisa e desenvolvem rapidamente produtos de diagnóstico. As grandes empresas, por sua vez, contribuem com sua massiva capacidade de produção”, pontua.

 

Ainda em relação a ações coordenadas dos diversos hubs de inovação espalhados pela China, Chen destaca a eficiência no reporte sobre a situação das empresas às autoridades regionais competentes e o empenho para que o governo continue adotando políticas preferenciais para startups, que têm alta responsividade a situações emergenciais. Segundo ele, para apoiar empresas que estejam na linha de frente de combate à pandemia e para concessão de subsídios a empresas em dificuldades, é fundamental contar com esses hubs que conseguem coordenar a alocação de recursos financeiros e resolver problemas que se colocam sucessivamente.

 

Ao olhar para o futuro, Herbert Chen aposta em algumas tendências para o período pós-pandemia, como tecnologias de saúde relacionadas à detecção, diagnóstico, tratamento e recuperação em surtos epidêmicos de grande escala;

 

Tecnologias de comunicação para supervisão e controle de movimentações de multidões, que garantam equilíbrio entre segurança pública e privacidade; tecnologias de e-commerce, com interfaces mais intuitivas, rápidas e de fácil uso; além de tecnologias de logística de alta eficiência e baixo custo para alcance a áreas remotas e com menor densidade populacional.

 

Questionado sobre a possibilidade de rever decisões sobre políticas de ciência e tecnologia no passado, Chen afirma que ciência e tecnologia já são prioridades na estratégia de desenvolvimento chinesa, mas ainda assim deve haver mais investimentos. “É preciso corrigir diretrizes de governança, além de definir responsabilidades, obrigações e protocolos de tomada de decisão cientifica em situações de crise. Precisamos também aprofundar o debate sobre ética na ciência e formas de lidar com situações epidêmicas como a que estamos vivenciando. Será preciso reforçar pesquisas preditivas em saúde pública, acompanhadas de métodos de dimensionamento de riscos e impactos econômicos e sociais”, conclui.

 

 

OLHAR ECONÔMICO

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Indicadores econômicos 

 

Os dados do primeiro bimestre de 2020 mostraram a continuidade de um início de recuperação da indústria que ficou para trás com a crise causada pela pandemia de Covid-19. Em março, a Consulta Empresarial realizada pela CNI apontou que 92% das empresas consultadas eram afetadas negativamente pela pandemia, queda na demanda por seus produtos, dificuldade em conseguir insumos e matérias-primas, redução da oferta de capital de giro no sistema financeiro e queda do faturamento impactado pelo cancelamento de pedidos e inadimplência.

 

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI/CNI) de abril antecipa o forte impacto da crise sobre a atividade industrial, registrando queda de 25,8 pontos em relação a março (de 60,3 para 34,5 pontos) – o menor valor da série histórica. Até então, a maior queda em um único mês foi de 5,8 pontos, em junho de 2018, consequência da greve dos caminhoneiros. Os setores mais impactados pela crise são os produtores de bens de consumo durável (móveis, vestuário, calçados, automóveis e eletrônicos), sendo produtos de limpeza e higiene pessoal, farmacêuticos e alimentos os menos afetados.

 

PINTEC

Divulgada em abril, a PINTEC 2017 aponta queda dos indicadores agregados de inovação no triênio 2015-2017 comparada ao triênio anterior. A pesquisa é realizada pelo instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de inovação, razão entre o número de empresas que implementaram inovações em produto e/ou processo em relação ao total de empresas, recuou de 36,4% para 33,9% na indústria, menor valor das últimas três edições. A intensidade tecnológica, relação entre investimento em P&D e receita líquida de vendas das indústrias, crescente desde 2003, caiu de 0,84% para 0,75%. A indústria diminuiu os gastos com atividades inovativas (de 2,12% das receitas líquidas para 1,65%), puxada pela queda na aquisição de máquinas e equipamentos (de 40,2% para 31,1%), mas com aumento em atividades internas de P&D (de 31,5% para 37,4%) e no uso da Lei do Bem (de 3,2% para 4,3%). 

 

Sobre os obstáculos para inovar, 81,8% das indústrias apontaram os riscos econômicos excessivos como o principal, seguido por elevados custos para inovar (79,7%). Considerando os dados econômicos atuais e o cenário de crise, a tendência é que a próxima pesquisa indique redução dos investimentos em P&D.

 

MEI EM AÇÃO

A agenda também dá ênfase à reestruturação do sistema de financiamento, ao esforço de inserção global via inovação, ao fortalecimento da atuação de startups, pequenas e médias empresas e ao aprimoramento do marco regulatório.

A agenda de trabalho da MEI tem como foco a qualificação de recursos humanos, a criação de uma governança sistemática das políticas públicas e o planejamento de longo prazo para robustecer a infraestrutura para ciência, tecnologia e inovação. A agenda também dá ênfase à reestruturação do sistema de financiamento, ao esforço de inserção global via inovação, ao fortalecimento da atuação de startups, pequenas e médias empresas e ao aprimoramento do marco regulatório.

 

Abaixo, estão as principais ações de defesa de interesse da MEI nos últimos dois meses.

 

PLP 146/2019

O projeto de lei, que apresenta medidas de estímulo à criação de startups e estabelece incentivos aos investimentos por meio do aprimoramento do ambiente de negócios no país, tem sido amplamente discutido em audiências públicas organizadas pelo legislativo, além de reuniões propostas pelo executivo. A Diretoria de Inovação da CNI participa dos debates, defendendo medidas regulatórias de estímulo aos investimentos que tragam segurança jurídica aos investidores em modelos de negócio disruptivos. Atualmente, aguarda-se que o executivo apresente novo texto para compor o projeto.

 

FNDCT

Por meio da medida provisória 929/2020, foi concedido ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) o crédito extraordinário no valor de R$ 100 milhões, advindos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O recurso se destina a ações de combate à pandemia de Covid-19 e será aplicado em pesquisas científicas, encomendas tecnológicas e fomento. As chamadas públicas lançadas pelo Ministério são divulgadas no Boletim Extraordinário do MEI Tools.

Em 25 de março, na 19a reunião do Conselho Diretor do FNDCT, foi aprovado o plano de investimento do Fundo com recursos reembolsáveis, no valor de R$ 1,6 bilhão, assim como o plano com recursos não-reembolsáveis, no total de R$ 680 milhões. O orçamento aprovado será executado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Em conjunto com outras entidades do Conselho, a CNI apresentou ao ministro Marcos Pontes uma carta em defesa da aplicação integral dos recursos do Fundo, cuja arrecadação em 2020 está estimada em R$ 6,5 bilhões. Do total, cerca de R$ 4,3 bilhões estão contingenciados. Tendo em vista o contexto atual, foi solicitada a aplicação integral do montante arrecado em atividades de pesquisa e desenvolvimento.

 

LEI DO BEM

Atualmente, existe uma limitação definida na Lei 11.196/2005, conhecida como Lei do Bem, que impede as empresas que não tenham resultado fiscal positivo (lucro) de usufruir do benefício fiscal.

Diante da pandemia de Covid-19, estima-se um impacto negativo no resultado de diversas empresas brasileiras, com tendência a uma redução significativa no faturamento e, portanto, da lucratividade no curto e médio prazo. Isso significa que as empresas que investirem em atividades de P&D em 2020 e não obtiverem lucro, não poderão ter acesso ao incentivo. Por isso, a CNI e outras entidades têm trabalhado na defesa da mudança legislativa, a fim de remover esse limitante. Ressalta-se que existem outras legislações de incentivo à P&D no âmbito setorial onde já não é aplicado este tipo de limitante, como a Lei de Informática e o Programa Rota 2030.

 

APOIO À IMPLANTAÇÃO DAS DCNs DE ENGENHARIA

Em 2019, após a aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do Curso de Graduação em Engenharia, o Conselho Nacional de Educação (CNE) criou uma Comissão Nacional para Implantação das DCNs, reunindo diversas instituições de ensino superior (IES) do país. O Grupo de Trabalho de Engenharias/STEAM da MEI, coordenado pela Diretoria de Inovação da CNI, contribuiu com as atividades e está responsável pela organização do documento de referência que será compartilhado com empresas e instituições de ensino superior. Com a publicação espera-se acelerar a adoção das novas diretrizes pelas IES e fomentar a aproximação entre o setor produtivo e as universidades. O escopo do documento foi validado com a coordenação da Comissão, está sendo produzido pela Diretoria de Inovação da CNI e deve ser entregue em junho.

 

STARTUP EM DESTAQUE

O enfrentamento da Covid-19 requer soluções inovadoras. Com o apoio do Ministério da Economia, Sebrae, Fundação CERTI e ABStartups, a MEI apresenta as startups que participaram do 1º Demoday Online InovAtiva Conecta: Covid-19, realizado pelo InovAtiva Brasil. Se sua empresa tem interesse e pode colaborar, basta entrar em contato.

INOVAÇÃO EM PAUTA

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Bernardo Gradin

Fundador da GranBio e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia

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Bernardo Gradin

Fundador da GranBio e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia

A pandemia provocada pelo coronavírus forçou o mundo a se adaptar a mudanças bruscas. O cotidiano das pessoas e das empresas está afetado, ainda sem prazo de normalização. Mesmo assim, é preciso olhar para frente. É o que acredita Bernardo Gradin – fundador e acionista controlador da GranBio e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia. Ele é o primeiro entrevistado da seção Inovação em Pauta, que sempre trará uma entrevista com uma liderança da MEI.

 

Para Gradin, apenas a ciência tem sido capaz de resolver as grandes crises da humanidade e deveria ser prioridade em qualquer estratégica de desenvolvimento. Segundo ele, sem valorizar a ciência um país não tem futuro nem estratégia. “Todos percebemos a visibilidade que a atual crise pandêmica tem dado ao valor da ciência mundialmente e espero que isso permita uma reflexão política e encaminhe ações concretas para perspectivas transformadoras para ciência no Brasil. É preciso consciência de todos sobre a necessidade de embasar a política pública e programas orçamentários em fatos comprovados e argumentos científicos, e não em opinões, ideologias ou interesses pessoais. Se avançarmos nesse sentido de consciência democrática, a ciência brasileira estará em outro patamar e os brasileiros da próxima geração muito mais seguros”.

 

InforMEI – Estamos atravessando uma crise sem precedentes, tanto na saúde pública, quanto na economia. Na sua opinião, além de ações imediatas, no que é preciso focar vislumbrando uma retomada de crescimento em médio e longo prazo? Nesse sentido, seria coerente pensar em um esforço internacional de cooperação?

 

Bernardo Gradin Esse é um desafio humanitário que trará consequências econômicas e sociais capazes de mudar o mundo. As principais ações imediatas que impactarão no médio e longo prazo incluem proteger os mais vulneráveis, fortalecer a infraestrutura hospitalar e o sistema público de saúde, assegurar o suprimento eficiente de bens e serviços essenciais pelo bem comum, salvar empregos e empresas assegurando liquidez, suspender impostos, adequar o orçamento público, racionalizar a burocracia excessiva e entrar no modo de cooperação solidário no âmbito internacional. O mundo viverá uma experiência simultânea de crise de oferta e crise de demanda em todos os setores de produção e serviços. O principal foco do governo deve ser estabelecer um ambiente de confiança e implementar reformas estruturantes. Sem confiança, o empresário não investe, o empregador demite, o mercado não responde, a inflação se instala, os bancos não emprestam e a economia patina. Um esforço global de cooperação e solidariedade é mais que fundamental para sobreviver à crise atual e é, ao mesmo tempo, estratégico para reinserção na economia global em condições mínimas de competitividade e compromissos bilaterais. Esse esforço internacional de cooperação nunca antes visto está em curso, mas o Brasil ainda não se inseriu nele.

 

InforMEI – Do ponto de vista empresarial, quais serão os principais desafios a serem enfrentados pela indústria instalada no Brasil, pensando a recuperação da produção e do mercado?

 

Bernardo Gradin – O primeiro desafio é sobreviver, assegurando liquidez e acesso a capital. A indústria nacional vem perdendo relevância na estratégia nacional e participação efetiva no PIB há muito tempo, o que a torna mais exposta em crises econômicas. Os demais desafios serão consequência do impacto da volta da demanda em cada setor industrial. Cadeias produtivas podem se desfazer. Nesse caso, reassegurar novos fornecedores e clientes será um desafio importante no pós-crise para os sobreviventes. As indústrias de turismo, hospitalidade, óleo e gás, combustíveis e automotiva sofrerão mais. O valor das principais empresas de petróleo caiu a menos da metade nos últimos dois meses, inúmeras empresas de “shale gas” já pediram falência nos EUA. Já as indústrias farmacêuticas, de equipamentos e materiais hospitalares, agrícola, e a indústria de alta tecnologia deverão sair da crise mais fortes.

 

InforMEI – Neste momento, quão importante são ações coordenadas e de respostas rápidas aos desafios impostos pela pandemia que envolvam pesquisa e inovação? Por quê?

 

Bernardo Gradin – A coordenação e agilidade nos avanços da pesquisa e inovação são essenciais para acelerar o combate ao vírus. Estamos correndo contra o tempo para salvar vidas agora e depois dos que serão mais impactados por uma eventual recessão econômica duradoura. Enquanto os países fecham fronteiras para combater a pandemia, a ciência derruba barreiras internacionais e de egos para cooperar em pesquisa e desenvolvimento como nunca antes na história. A rede científica dá o maior gesto de solidariedade, abre mão da autoria e propriedade intelectual pelo bem comum. O compartilhamento entre cientistas e instituições dos avanços nas próprias pesquisas, resultados de testes clínicos, teses e ideias, colocou de lado o crédito acadêmico em favor de uma solução prioritária com mérito conjunto. Provavelmente, essa demonstração da capacidade humana de cooperação global na pesquisa e inovação por um bem comum será um dos principais silver lining (aspecto positivo de uma ocorrência negativa) dessa pandemia. Vai também gerar novos modelos de negócio em cooperação e muitas startups vão se tornar visíveis para investidores globais.

 

InforMEI – Na sua opinião, qual o papel da biotecnologia nesse contexto? Haveria oportunidades de investimento nessa área para buscas de soluções em parceria com outras empresas ou startups que pudessem ser úteis no combate à pandemia?

 

Bernardo Gradin – O principal papel da biotecnologia nesse contexto é criar e difundir a solução para salvar o máximo de vidas, aliviar o sistema público de saúde e debelar o vírus o mais rápido possível. As oportunidades para parcerias e colaboração entre grandes laboratórios, fundações beneficentes e centros de pesquisa com empresas estabelecidas e startups vão gerar investimentos agora e no futuro. Várias plataformas de divulgação de projetos de startups e movimentos de crowdfunding criaram iniciativas específicas para o combate à pandemia. Startups são muito mais ágeis e capazes de implementar e adaptar ideias em produtos. As healthtecs propõem soluções desde telemedicina a hardware portáteis e as biotecs complementam com soluções de medicamentos, genômica e novos materiais. Após a pandemia, novos mercados e oportunidades de negócio se abrirão para startups baseadas em inovações científicas.

 

InforMEI – Com o olhar no pós-crise, seria possível imaginar o setor de biotecnologia em outro patamar? É possível apontar perspectivas para o setor, bem como para a ciência brasileira?

 

Bernardo Gradin – O setor de biotecnologia, sobretudo o farmacêutico e terapêutico, deverá alcançar muito mais visibilidade de investidores e governo no curto prazo. Outras áreas, como a industrial, terão o desafio de lidar com o carbono fóssil mais barato, em razão do atual choque do preço de petróleo e de como será a retomada de consumo de energia, bem como da confirmação das políticas públicas para redução de emissões de CO2 mitigadoras da mudança climática. A pausa que a humanidade deu demonstrou o impacto que causamos na natureza – no ar que respiramos e nos rios que cercam os ambientes mais congestionados. O olhar pós-crise deve reforçar a agenda mundial em favor de uma sociedade que melhor proteja o planeta. No Brasil, é

difícil apontar perspectivas, porque vivemos um momento de desprezo público à ciência e à inovação com consequências sérias para as próximas gerações. Deixou-se de priorizar o financiamento à pesquisa e à inovação, o que é uma irresponsabilidade pública. O modelo para promover e gerir conhecimento de um país, desde a pesquisa séria até a tecnologia aplicada, requer um compromisso consistente de Estado, de longo prazo. Assistimos a um esvaziamento da ciência nacional. Ainda assim, com recursos escassos e pouco apoio político federal, a ciência brasileira vem contribuindo significativamente na linha de frente em resposta à crise atual, graças a expoentes individuais e à tenacidade do coletivo acadêmico.

 

CIÊNCIA NA PRÁTICA

Uma semana após a declaração de pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o SENAI-Cimatec apresentou um plano de contingência para garantir a segurança dos funcionários e alunos e a manutenção de atividades em operação. Ao mesmo tempo, a instituição se envolveu em quase uma dúzia de ações relacionadas ao combate à covid-19. Entre elas, a produção de álcool e máscaras, a manutenção de respiradores, a realização de testes PCR para diagnóstico da doença, a modelagem, usando supercomputadores, da proteína que facilita o contágio da célula humana e o desenvolvimento de equipamento para telemedicina. Em outra frente, foi lançada uma chamada para angariar fundos de apoio às iniciativas, conforme forem surgindo.

 

Em poucos dias, formaram-se duas linhas de produção no Cimatec-Park. A primeira surgiu a partir da demanda do governo baiano para o envasamento de álcool 70%. Foram firmadas nove parcerias: três usinas cederam a matéria-prima, uma empresa transportou o álcool até o Cimatec-Park, outra doou as embalagens PET, uma seguinte imprimiu etiquetas com custo reduzido e maior rapidez, outra forneceu as caixas de papelão para transporte e as duas últimas apoiaram com a distribuição.

 

“Em 36 horas, montamos uma linha completa de envase de álcool. Fabricamos o tanque, a estrutura metálica para elevá-lo a sete metros, válvulas, canais de distribuição e bombeamento em aço-inox, além do dique para conter eventuais vazamentos. Contratamos também 30 operadores e, por segurança, envolvemos o corpo de bombeiros, que instalou uma unidade de combate a incêndio aqui dentro”, conta Luis Alberto Breda Mascarenhas, diretor de operações do SENAI-Cimatec. Três semanas após o início dos trabalhos, haviam sido envasados 65 mil litros de álcool e o projeto seguia para a segunda fase, de produção do álcool glicerinado, que pode ser utilizado para higiene das mãos.

 

A mobilização da rede de apoio também permitiu a fabricação de máscaras face shield (escudos que protegem todo o rosto) para equipes da área da saúde. Inicialmente, o modelo tinha como base a impressão em 3D, mas a produção se mostrou lenta. A saída foi aprimorar conceitos a partir do que se viu no mercado. Em menos de uma semana, passaram a entregar 1.300 por dia, produzidas em uma mini-fábrica que inclui corte com navalha em balancim, lixamento das bordas, aplicação dos botões, colocação do elástico, limpeza e embalagem. A máscara é flexível, confortável ao usuário, de fácil manuseio e embalagem, passível de higienização e em condições de ser produzida em várias unidades do SENAI que trabalham com couro e calçados.

 

Nesses dois casos, o Cimatec-Park foi essencial para aumentar a velocidade e a capacidade de resposta à pandemia. Primeiro, porque reúne equipe qualificada que foi direcionada para as ações emergenciais. Segundo, pois seu ambiente industrial oferece estrutura para fabricação, galpões e espaços amplos e facilmente adaptáveis, além de suporte logístico.

 

Outra ação viável foi a manutenção de respiradores. As escolas técnicas do SENAI, por sua capilaridade, tornaram-se ponto de apoio logístico, responsáveis pela retirada e devolução dos equipamentos na rede hospitalar. A segunda estratégia foi acionar empresas e instituições que pudessem contribuir em engenharia clínica ou biomédica, bem como nos processos de calibração e certificação. O terceiro desafio tem sido buscar os meios de suprir a falta de peças de reposição para a execução dos trabalhos. Só na Bahia, a expectativa é recolocar em operação entre 120 e 140 equipamentos em até 90 dias.

 

A iniciativa ganhou projeção nacional. Com o apoio do Departamento Nacional do SENAI, o projeto recebeu a adesão de 20 unidades do SENAI e 15 pontos de grandes empresas, que se juntaram no esforço coletivo batizado de Iniciativa + Manutenção de Respiradores. Em cerca de 15 dias, foram treinados mais de 300 profissionais, entre engenheiros e técnicos do SENAI e das empresas. “Esse processo de formação de rede é fantástico. Às vezes, queremos montar as redes antes de ter os projetos. Mas, nesse caso, criamos um projeto e conseguimos uma forte adesão. Além dos voluntários ‘pessoas físicas’, temos os voluntários ‘pessoas jurídicas’ participando da iniciativa”, destaca Daniel Motta, gerente executivo de PD&I do SENAI-Cimatec.

 

Para o diretor de operações Luis Alberto Breda Mascarenhas, o sucesso das iniciativas se deve, também, à disposição em dar repostas rápidas e eficientes a desafio que se impõem: “É muito fácil a gente pensar nas restrições. Mas é preciso perguntar: o que eu faço no dia a dia que pode contribuir? Muitas vezes, a solução está próxima. E, nesse momento especial, há muito por fazer”, conclui.

 

SERVIÇO

Saiba mais sobre a Iniciativa + Manutenção de Respiradores:

https://www.portaldaindustria.com.br/canais/industria-contra-covid-19/iniciativas/senai-e-industrias-fazem-manutencao-de-respiradores-mecanicos/

As instituições de saúde poderão enviar demandas de manutenção diretamente para o e-mail: codia@mdic.gov.br ou clicando aqui.

Para saber mais sobre as iniciativas do SENAI-CIMATEC no enfrentamento ao Covid-19 viste o site.

MEI TOOLS

Com o objetivo de divulgar as ações de combate à pandemia do novo coronavírus, a CNI criou o Boletim Extraordinário MEI Tools Covid-19, que reúne instrumentos dos parceiros da MEI para a mitigação dos efeitos da pandemia.

Deseja divulgar algum instrumento de apoio a soluções contra o coronavírus? Envie um e-mail para: inovacao@cni.com.br

PUBLICAÇÕES MEI

Ambas as publicações estão disponíveis em versão online e refletem contribuições e o engajamento dos líderes da MEI.

Em função do cancelamento da primeira reunião do Comitê de Líderes da MEI, prevista para ocorrer no dia 13 de março, foram adiadas as entregas de dois documentos importantes.

O primeiro é o Planejamento Estratégico da MEI, para o período entre 2020 e 2024. O trabalho leva em consideração a economia mundial em transformação nos modelos de produção, concorrência e consumo, além do baixo desempenho competitivo e inovador do Brasil. O novo Planejamento Estratégico da MEI é um trabalho conjunto e participativo da Diretoria de Inovação da CNI, lideranças empresariais e instituições parceiras, com ênfase em ações de advocacy, que orientem as políticas públicas de CT&I brasileiras alinhadas aos novos desafios.

O segundo é o Caderno de Ações e Resultados, que apresenta os principais destaques das ações realizadas e apoiadas pela MEI ao longo de 2019, dividido em seis capítulos:

1 – Ações de articulação para o fortalecimento da inovação empresarial;

2 – Instrumentos e conexões com foco na ampliação da capacidade de inovação;

3 – Produção e difusão de conhecimento sobre o ecossistema de inovação: diagnósticos, sugestões e oportunidades;

4 – Parcerias para robustecer o ecossistema de inovação;

5 – Infraestrutura de apoio à inovação;

6 – Desenvolvimento de competências para inovar.

As versões digitais das duas publicações podem ser acessadas aqui:

 

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CONFIRA

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CONFIRA

AÇÕES DO SISTEMA INDÚSTRIA

O Sistema Indústria está sempre em movimento e você pode ficar por dentro de todas essas ações. Confira agora as novidades, as medidas e os posicionamentos da CNI, do SENAI, do SESI e do IEL.

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