
O que é educação profissional?
Educação Profissional é o modelo de aprendizagem com foco no desenvolvimento de competências e habilidades técnicas para suprir a demanda do mercado de trabalho.
São oferecidos cursos para trabalhadores jovens e adultos, independente de escolaridade, com o objetivo de qualificação e requalificação profissional. Para alunos jovens e adultos que estejam cursando ou tenham concluído o ensino são oferecidos cursos técnicos profissionalizantes.
A educação profissional no Brasil é uma das principais apostas para melhoria da competitividade da indústria brasileira. O investimento no ensino profissionalizante vai permitir a retomada do crescimento econômico do país de forma contínua, gerando melhores oportunidades de emprego e renda para jovens e adultos.
Os dados do Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria para guiar a oferta de cursos, mostram que o Brasil vai precisar qualificar 14 milhões de trabalhadores nos níveis superior, técnico, qualificação profissional e aperfeiçoamento até 2027. As áreas de maior demanda serão metalurgia, construção, logística, vestuário, alimentos e bebidas.
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Educação profissional é investimento no futuro
Assim, uma qualificação profissional de qualidade torna-se fundamental para atender às necessidades do setor produtivo e apoiar a nova revolução industrial, chamada de “Indústria 4.0”. Por isso, o SENAI tem investido em programas como a Aprendizagem 4.0, que busca ofertar a aprendizagem industrial em um formato mais digital e ágil, contemplando as competências técnicas e socioemocionais requeridas pela nova indústria.
Quais as profissões que devem abrir mais postos de trabalho até 2027?
O Mapa do Trabalho Industrial 2025‑2027 indica os perfis profissionais com maior demanda prevista para os próximos anos:
- Técnicos em logística e transporte (controle de produção, armazenagem, motoristas de carga)
- Profissionais de construção civil e terraplaneamento, ajudantes e operadores de obras
- Operadores de produção e embalagem (operação industrial)
- Profissionais de manutenção e reparação industrial, como mecânicos e eletricistas de manutenção
- Profissionais de metalmecânica, como soldadores e montadores
- Técnicos em tecnologia e engenharia, incluindo eletricistas técnicos, técnicos mecânicos, engenheiros de qualidade e produção
Outras ocupações com demanda relevante incluem profissionais ligados à área de Alimentos & Bebidas e TI.
Diversos cursos de formação profissional estão presentes em todas as regiões do país, com o objetivo de suprir uma demanda por mão de obra qualificada e certificada.
Quais os seguimentos com maior demanda por formação profissional até 2027?
De acordo com o Mapa do Trabalho, a estimativa de demanda por formação (novos ingressos + requalificação) se distribui por setor da seguinte forma:
- Logística e Transporte – cerca de 3,3 milhões
- Construção Civil – aproximadamente 1,5 milhão
- Operação Industrial – cerca de 1,3 milhão
- Metalmecânica – aproximadamente 1,2 milhão
- Manutenção e Reparação – cerca de 987 mil
- Alimentos e Bebidas – cerca de 915 mil
- Tecnologia da Informação – cerca de 636 mil
- Tecnologia e Engenharia – cerca de 561 mil
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Cursos de educação profissional
O SENAI é um dos cinco maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina. Seus cursos formam profissionais para 28 áreas da indústria brasileira, desde a iniciação profissional até a graduação e pós-graduação tecnológica.
Os cursos técnicos do SENAI têm carga horária entre 800h e 1200h, com duração média de 18 meses e foco em atividades práticas. Para se inscrever, é necessário ter diploma de ensino médio – ou estar matriculado. Os estudantes que concluem o curso do SENAI têm certificados reconhecidos pelo setor produtivo.
Além disso, é importante destacar que o SENAI define seus cursos de qualificação e formação técnica em função das necessidades das indústrias e com visão voltada para o futuro do trabalho, em consonância com organizações e parceiros internacionais.
Modalidades
Os estudantes interessados em trajetórias de formação profissional têm as opções de cursos nas modalidades presencial e a distância. Os cursos para qualificação profissional são destinados a jovens e adultos a partir de 16 anos, de qualquer escolaridade, com duração variável e carga-horária mínima de 160 horas. Ao final, os alunos recebem um certificado de qualificação profissional.
Os cursos técnicos, por sua vez, têm carga horária mínima de 800h e estão disponíveis para quem está já concluiu o ensino médio ou ainda está cursando. O objetivo é desenvolver competências profissionais nas diversas atividades do setor produtivo. Para obter o diploma de técnico, o estudante precisa concluir estágio, quando previsto na grade curricular.
O SENAI também oferece graduação e pós-graduação. A primeira tem duração de dois a três anos e tem como pré-requisito o certificado de conclusão do ensino médio. Já a pós-graduação tem carga horária mínima de 360h, e é voltada para aqueles que já possuem o ensino superior, proporcionando o aprofundamento de competências em área específica.
Qual a importância da educação profissional?
Segundo o relatório Competitividade Brasil – 2023/2024, elaborado pela CNI, o Brasil ficou em 18º lugar entre 18 países comparáveis em competitividade industrial. Nos fatores de Ambiente Econômico, Desenvolvimento Humano e Trabalho e Educação, o Brasil também ocupa a última posição.
No cenário da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), dados do Censo Escolar 2023 do Inep apontam que houve 2,41 milhões de matrículas nessa modalidade, divididas entre 1,34 milhão na rede pública e 1,07 milhão na privada. Essa expansão reforça a importância do investimento nesse tipo de formação.
Apesar do crescimento, o Brasil ainda apresenta desafios estruturais na qualidade e disseminação da EPT. Enquanto na União Europeia a média de matrículas profissionalizantes ultrapassa os 50%, no Brasil a cobertura continua abaixo dos níveis desejáveis — avançando, porém ainda longe da proporção ideal.
Quanto à relação entre formação técnica e renda, estudos recentes confirmam que profissionais qualificados apresentam ganhos significativos na remuneração. Dados da PUC‑RJ apontam aumento salarial na ordem de 15% a 22% para quem concluiu curso técnico, especialmente em regiões como Norte e Nordeste.
A pesquisa com egressos do SENAI mais recente mostrou que 7 em cada 10 concluintes de cursos técnicos estavam empregados até o fim do ano seguinte à graduação, com taxa de empregabilidade acima de 86% nas áreas de tecnologia e meio ambiente.
O que é Educação Profissional e Tecnológica (EPT)?
A EPT é uma modalidade educacional prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que contribui para a preparação dos jovens e estudantes ao mercado de trabalho.
A EPT abrange cursos de qualificação profissional, habilitação técnica, graduação tecnológica e de pós-graduação, além de prever a integração com os diferentes níveis e modalidades da educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia.
A Educação Profissional e Tecnológica (EPT) brasileira teve início em 1909 com as Escolas de Aprendizes Artífices. Já a regulamentação do Ensino Industrial acontece no governo de Getúlio Vargas, em 1942, ano de criação do SENAI.
A instituição surgiu para atender a uma necessidade de formação de profissionais qualificados para incipiente indústria de base brasileira. De lá para cá, o SENAI já formou mais de 73 milhões de trabalhadores em 28 áreas da indústria, sendo referência para o desenvolvimento industrial do país.
Em 1978, foram criados os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), Após um hiato de quase duas décadas, a Educação Profissional foi reconhecida com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em 1996. Uma década depois, em 2008, outro marco histórico vem com a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia a partir dos Cefets, Escolas Técnicas e Escolas Agrotécnicas Federais.
Por fim, criou-se o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), além da recente reforma do ensino médio, que estabeleceu a formação técnica e profissional como um possível itinerário formativo para os estudantes.
Mudanças na legislação
Em maio de 2020, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, por unanimidade, as novas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação Profissional e Tecnológica, que ainda precisa da homologação do Ministério da Educação para entrar em vigor.
As recentes mudanças na redação vão beneficiar diretamente o setor produtivo brasileiro. Na avaliação da CNI, as novas diretrizes vão permitir um ensino mais moderno e conectado com as necessidades e transformações tecnológicas, além de uma maior aproximação entre o processo formativo e o setor produtivo.