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30 de Agosto de 2017 às 18:30

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Sistema Indústria movimenta a economia brasileira

SENAI e SESI são muito bem avaliados pelas empresas industriais brasileiras e prestam serviços que promovem a inovação no país, aumentam a competitividade da economia e apoiam o desenvolvimento social

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Em 1942, quando o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) foi criado por Getúlio Vargas, o Brasil tinha uma população de 43,5 milhões de habitantes e estava passando por um forte processo de industrialização, iniciado anos antes, e também por mudanças importantes do ponto de vista social, como o êxodo rural. Desde então, quase o dobro daquela população já passou pelos cursos do SENAI. Mais precisamente, 71 milhões de profissionais formaram-se nas 580 unidades fixas e 449 unidades móveis do SENAI espalhadas pelo país nesses 75 anos de história. Em 2016, segundo dados do SENAI, foram feitas 2.231.017 matrículas em cursos entre janeiro e novembro e atendidos 1.359 municípios.

O processo de industrialização exigia profissionais mais qualificados e preparados para trabalhar nas indústrias brasileiras, que ampliavam suas atividades para substituir a importação de produtos estrangeiros. A qualificação dos trabalhadores foi um passo importante para consolidar a indústria brasileira, que hoje atende a uma população de mais de 206 milhões de pessoas, além de exportar para mais de 100 países. Maior complexo privado de educação profissional e serviços tecnológicos da América Latina, o SENAI também apoia a competitividade da indústria por meio de um amplo portfólio de serviços destinados a atender às demandas das empresas.

Do ponto de vista educacional, a instituição tem investido na construção de uma rede nacional de 25 Institutos de Inovação e 57 Institutos de Tecnologia, além de modernizar constantemente os cursos de educação profissional, área na qual sua excelência é reconhecida tanto dentro do Brasil quanto internacionalmente. Permanentemente, a natureza dos cursos vai mudando, acompanhando o processo de sofisticação da economia brasileira. Se em meados do século passado eram oferecidos cursos de Leitura de Desenho e de Torneiro Mecânico, adequados para a época, hoje os estudantes têm opções que vão do técnico em mecatrônica à pós-graduação em tecnologia e soluções ambientais, dentre uma oferta de mais de 389 cursos.

PESQUISA APLICADA - A criação da rede nacional de Institutos de Inovação, que começou a funcionar em 2014, foi um passo decisivo rumo a uma revolução no desenvolvimento tecnológico do Brasil. Os centros realizam pesquisa aplicada por meio do emprego do conhecimento acadêmico de forma prática e desenvolvem produtos e processos que geram novas oportunidades de negócios. Além disso, oferecem serviços metrológicos, testes laboratoriais, certificações de produtos e consultorias técnicas especializadas para aumento de produtividade de processos industriais. Atenta às necessidades das comunidades nas quais está inserida, a rede do SENAI também atua para beneficiar a população local com a oferta de cursos e oportunidades de trabalho.

Como muitos jovens de sua idade, o catarinense Lucas Silva, 21 anos, sempre gostou de carros e, desde pequeno, sonhava ser mecânico de automóveis. Mas, diante das dificuldades de fazer um curso nessa área, ele começou a estudar informática numa unidade do SENAI em Palhoça (SC), onde hoje estuda mecânica e manutenção automotiva. “Tentei antes em outros colégios, mas alegaram que era perigoso e eu poderia me machucar”, conta Lucas, deficiente visual desde os primeiros meses de vida, quando ainda estava na incubadora. A mudança de curso só foi possível porque ele contou com o apoio da direção da escola e dos professores da unidade, que preparam ferramentas exclusivamente para ele com instruções em braile.

Estimular e fortalecer a inovação e o desenvolvimento tecnológico da indústria brasileira com o objetivo de torná-la mais competitiva e socialmente relevante é um dos objetivos do Sistema Indústria, integrado também pelo Serviço Social da Indústria (SESI). Por meio dos Institutos de Inovação, a indústria busca estimular, também, o fluxo de conhecimento científico no país, o que contribui para formar profissionais mais qualificados para um mercado que atualmente muda cada vez mais rápido. Atento a esse ritmo, o SENAI desenvolveu uma metodologia que permite antecipar as demandas da indústria e oferecer uma educação profissional conectada às tendências do mercado de trabalho.

Reconhecida por organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), essa metodologia prepara os estudantes para trabalhar tanto com a tecnologia disponível no momento em que estão em sala de aula quanto com aquelas que deverão encontrar no mercado de trabalho nos próximos cinco ou dez anos, conforme Carlos Henrique Cajazeira Leal, líder dos cursos técnicos do SENAI CIMATEC, que funciona numa área de 6.500 metros quadrados construídos na Bahia. Com diversos cursos de pós-graduação e um doutorado em Gestão e Tecnologia Industrial, o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (CIMATEC) é considerado um modelo na área de inovação e tecnologia.

Ex-aluno do SENAI CIMATEC, onde fez os cursos técnico e tecnológico (nível superior) de mecatrônica, Leal também foi aluno do SESI, onde concluiu o antigo ensino médio. “Aqui eu consegui construir toda a minha carreira profissional, inclusive atendendo a empresas de grande porte no Brasil e no exterior”, explica o executivo, que também ajudou a implementar, em Angola, um curso técnico inspirado no modelo do SENAI. Ele também atuou como professor e coordenador de curso técnico voltado para a formação de profissionais para trabalharem na indústria. Além de Angola, o SENAI está presente em oito escolas de formação no exterior: Guatemala, Peru, Guiné Bissau, Paraguai, Cabo Verde, Jamaica, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Essa metodologia utilizada para prever as profissões, o perfil e as habilidades dos profissionais do futuro já foi transferida a instituições de educação profissional e autoridades públicas de mais de 20 países na América do Sul e no Caribe. Do ponto de vista didático, o Programa SENAI de Tecnologias Educacionais usa, desde 2009, diversas ferramentas para estimular a criatividade e a inovação. Tais ferramentas, como o aplicativo de realidade aumentada para celulares e tablets, contribuem para despertar o interesse dos alunos e enriquecer o uso dos livros didáticos. Nas unidades do SESI, a robótica também é usada para aumentar o interesse dos alunos, um gatilho importante na formação de novos profissionais e no fomento à inovação.

“Aprendemos muito nas aulas de robótica”, afirma Lucas Alves Sampaio, aluno do SESI Gama, no Distrito Federal, que estuda na unidade desde o 6º ano. “Essas aulas me fizeram perder a timidez e me ajudaram a definir que profissão seguir, a engenharia de software”, ressalta ele, que integra a equipe de robótica Lego Field da unidade, 2º lugar da categoria Champions Award, do Aberto Europeu de Robótica realizado em Bath (Reino Unido) no ano passado. “Foi uma experiência muito gratificante, que levarei para a vida toda”, resume Matheus Queiroz de Assis, também integrante da equipe. Susana Assunção, diretora da unidade, diz que, na competição, a equipe apresentou o projeto The Walking Pets, plataforma virtual em que donos de animais com algum tipo de deficiência locomotora poderiam solicitar a fabricação de órteses.

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EDUCAÇÃO PROFISSIONAL - Para o ex-secretário nacional de Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Ronaldo Costa, “trata-se de um dos cinco maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina, formando profissionais para dezenas de áreas da indústria brasileira”. O ex-dirigente, atual reitor da Universidade Estácio de Sá, lembra que o leque de atuação do SENAI vai desde a iniciação profissional até a graduação e a pós-graduação tecnológica, “sempre com muita competência e pertinência, e totalmente aderente à realidade brasileira e ao momento histórico que vivemos”. Segundo ele, “conjugar qualidade com quantidade é o maior desafio do SENAI, que tem feito isso com competência”.

Pesquisa realizada pela CNI, em 2016, com 3.921 estabelecimentos industriais mostrou que 88% dos entrevistados afirmaram estarem “satisfeitos” ou “muito satisfeitos” com o SENAI. Destaca-se o aumento do percentual de “muito satisfeitos” em relação à pesquisa anterior, que variou de 29% em 2014 para 36% no ano passado. A avaliação do SESI segue o mesmo comportamento positivo: 84% dos estabelecimentos atendidos afirmaram estarem “satisfeitos” ou “muito satisfeitos” com a instituição. Neste caso, o aumento de clientes “muito satisfeitos” foi de 26% para 33% em dois anos. Os entrevistados também concordaram sobre a importância do SESI e do SENAI para a indústria nacional, um resultado que mostra a solidez de imagem das instituições: 90% dos entrevistados concordam com a frase “o SENAI é essencial para a indústria brasileira” e 87% disseram o mesmo sobre o SESI.

Para o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) entre 1990 e 1998, os desafios para o SENAI são muitos e constantes. “Nos oito anos em que presidi a FIEPA, participei de vários movimentos para que a nossa indústria tivesse condições mínimas de acompanhar os avanços da indústria regional, nacional e internacional. Além disso, ainda tínhamos que trabalhar para vencer os entraves de se produzir em uma região com carências múltiplas e características muitas vezes adversas, como é o caso da Amazônia. Para o futuro, penso que o maior desafio é integrar, de uma vez por todas, o ensino à inovação”, afirma o parlamentar.

ORIGEM DOS RECURSOS - As atividades do SESI e do SENAI são financiadas pela contribuição da indústria. Em vez de se traduzir em um custo empresarial, a contribuição é um investimento, pois se reverte, diretamente, em prestação de serviços essenciais ao aumento da competitividade das empresas. As empresas contribuintes da indústria recolhem ao SESI 1,5% e ao SENAI 1% sobre o montante da folha de pagamento desses estabelecimentos. O empresário recebe, na forma de serviço, o valor que investiu ao contribuir para as duas instituições. O uso desses recursos na qualificação profissional e no apoio a projetos das empresas beneficia a indústria e a sociedade porque acaba reduzindo custos operacionais, aumentando a competitividade fabril do país e promovendo empregos de maior qualidade.

“Esse trabalho tem uma grande importância porque desenvolve mão de obra técnica e qualificada para a indústria. Mas há outro aspecto positivo importante e que permite que todos ganhem: reduz os gastos das empresas com formação porque o SENAI está qualificando. A empresa precisa ter menos investimentos iniciais na qualificação profissional. Isso também contribui para a redução da rotatividade na indústria e da taxa de flutuação de profissionais, o que diminui custos operacionais”, afirma Favio Dragovic Beccaria, supervisor de treinamento da Volkswagem do Brasil. 

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Em 2016, as receitas da contribuição compulsória para o SESI somaram R$ 4,6 bilhões, valor maior que os R$ 3,4 bilhões repassados ao SENAI. Os recursos do SENAI são usados na realização de cursos de qualificação nos níveis técnico, de graduação e de pós-graduação, mas ainda em projetos de apoio às empresas, pesquisa tecnológica e desenvolvimento de novos produtos e parcerias com empresas de todos os portes. Para estruturar a rede nacional de 25 Institutos de Inovação, por exemplo, o SENAI fez investimentos de R$ 1 bilhão nos últimos anos. Parte dos recursos é usada também para pagar os 34.703 docentes e colaboradores da instituição, que inclui especialistas em metrologia, testes de qualidade e consultoria em processos produtivos.

Os recursos do SESI permitem que a instituição ofereça uma série de serviços em segurança e saúde no trabalho, que contribuem para reduzir faltas e aumentar a qualidade de vida do trabalhador e a produtividade da indústria brasileira. Em 2016, foram beneficiados mais de 3 milhões de pessoas com serviços de saúde e segurança. A instituição oferece também educação básica de qualidade para crianças, com ênfase no estudo de matemática e ciências. Em 2016, por exemplo, as matrículas em educação básica, continuada e ações educativas somaram 1.711.661. Além disso, foram aplicadas mais de 1 milhão de vacinas em estudantes, professores e funcionários.

Na unidade SESI Gama, no Distrito Federal, os alunos têm aulas pelo período da manhã e, à tarde, podem escolher, em conjunto com os pais, outras atividades como futebol, natação, judô, balé, teatro e xadrez, conta Susana Assunção, diretora da escola. Segundo ela, essas atividades complementam o aprendizado dos alunos. O SESI também custeia as despesas das equipes que participam de competições no Brasil e no exterior, como no caso da equipe de robótica, que ficou em 2º lugar no Reino Unido em 2016, integrada por sete estudantes, que viajaram acompanhados de professores e técnicos.

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TRANSPARÊNCIA - Ademais de buscarem sempre a excelência nas atividades educacionais, o SENAI e o SESI se pautam pela eficiência e pela transparência na aplicação da contribuição compulsória arrecadada junto às empresas. As duas entidades cumprem rigorosamente todas as exigências legais e são auditadas por nada menos do que nove instituições públicas e privadas. As páginas de transparência disponíveis nos sites das duas instituições garantem ampla publicidade às suas ações, bem como à gestão de suas receitas e despesas. A prestação de contas à sociedade das ações e dos recursos é feita por meio de dez diferentes mecanismos.

PRÓXIMOS DESAFIOS - Em artigo escrito para o Portal da Indústria em janeiro de 2017, o pesquisador Cláudio de Moura Castro, especialista em educação, avalia que o SENAI continua sendo a mais bem-sucedida instituição de formação profissional dos países em desenvolvimento e que foi copiado em quase toda a América Latina. “É a mais antiga e a que mais se renovou, acompanhando o progresso da indústria. Teve um extraordinário sucesso em criar no país um exército de operários altamente especializados, competentes, responsáveis e com mania de qualidade. Mas é preciso entender suas forças e fraquezas, para que possa responder aos novos desafios e mitigar suas fragilidades”, afirma ele.

Segundo Moura Castro, “a maneira certa de ver a formação profissional não é como uma solução mais conveniente ou econômica de preparar gente para postos de trabalho, mas sim para mudar valores e hábitos de trabalho, trazer práticas profissionais melhores, introduzir novas tecnologias ou instrumentar as pessoas para trabalhar com elas”. Na opinião do especialista, o que interessa é criar uma força de trabalho produtiva e preparada para a mudança tecnológica. “O SENAI foi competente no passado. Hoje continua competente, porque é diferente de ontem. Amanhã, só será competente se for diferente de hoje. Portanto, o seu maior desafio é nutrir a cultura da mudança”.

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10/08/17 - VÍDEO: SESI e SENAI têm compromisso com a transparência

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Da Revista Indústria Brasileira
Para a Agência CNI de Notícias

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