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24 de Janeiro de 2017 às 09:00

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ARTIGO - SENAI 75 anos: Confete ou puxão de orelhas?

Em artigo escrito especialmente ao Portal da Indústria, Claudio de Moura Castro ressalta a importância do SENAI para a formação de profissionais para a indústria brasileira

 

Cláudio Moura e Castro
Claudio Moura e Castro é economista e especialista em educação
O SENAI continua sendo a mais bem sucedida instituição de formação profissional do Terceiro Mundo, sempre citado pelas organizações internacionais . Foi copiado em quase toda a América Latina. É a mais antiga e a que mais se renovou, acompanhando o progresso da indústria.

Teve um extraordinário sucesso em criar no país um exército de operários altamente especializados, competentes, responsáveis e com mania de qualidade. Portanto, haja confete!

Mas é preciso entender suas forças e fraquezas, para que possa responder aos novos desafios e mitigar suas fragilidades. Paradoxalmente, sua força é também sua fraqueza. Seu ethos organizacional é muito forte. Todos vestem a camisa. Nunca foi seriamente machucado por agressões externas, apesar de que não foram poucas as tentativas. É defendido pelas Federações que entenderam o papel crítico da formação. Como organização, é preciso e responsável, tudo à hora, tudo planejado, sempre cumprindo o prometido.

Tem uma longa tradição de oferecer qualidade acima de tudo - graças ao seu primeiro líder, o suíço Roberto Mange. Nasceu como uma organização suíça, com todas as virtudes e todos os cacoetes: a ordem, a mania da limpeza.

Mas a sua grande força é também a sua maior fraqueza. É duro de mudar. Corre sempre o risco de ficar para trás, mais do que é perdoável. Os erros e barbeiragens levam tempo para serem corrigidos.

O SENAI é relativamente rico, em um país de educação pobre. Por isso, a inveja recruta muita gente que, ativamente, tenta denegrir seu desempenho. É objeto permanente de uma guerra de desgaste por parte das esquerdas burras. A imprensa ignora. A universidade não conhece e faz pouco. Mas falam bem do SENAI os trabalhadores e os líderes sindicais que lá estudaram.

Pelo mundo afora, a doença crônica da formação profissional é a falta de pontaria. De cada dez casos de problemas, nove resultam de uma oferta que não encontra demanda. Mas por pertencer a quem consome o produto, o SENAI escapa das piores moléstias da falta de pontaria. Afinal, por que os empresários iriam formar fora do esquadro das suas necessidades? Seu calcanhar de Aquiles são algumas poucas federações de indústria politizadas ou descuidadas. E o SENAI delas é impotente para se defender, pois são elas que mandam. Em alguns casos, as empresas não são tão alertas ou reclamadoras quanto seria desejável. Mas, no todo, exibe boa pontaria. E no panorama mundial, é uma grande proeza.

Formação profissional é para a produtividade, para mudar a tecnologia e a maneira pela qual as pessoas trabalham. As ocupações passam a exigir cada vez mais cabeça, para dizer às mãos o que fazer. O equilíbrio entre manualidades, intimidade com processos tecnológicos, habilidades conceituais e cultura geral vai mudando com o tempo. E o SENAI tem acompanhado estas transformações.

A maneira certa de ver a formação profissional não é como uma solução mais conveniente ou econômica de preparar gente para postos de trabalho, mas  sim para mudar valores e hábitos de trabalho, para trazer práticas profissionais melhores, para introduzir novas tecnologias ou instrumentar as pessoas para trabalhar com elas.

O que interessa é criar uma força de trabalho produtiva e preparada para a mudança tecnológica. O objetivo não é treinar, per se, mas fazer o que for necessário para aumentar competitividade e produtividade da indústria brasileira.

O SENAI foi competente no passado. Hoje continua competente, porque é diferente de ontem. Amanhã, só será competente se for diferente de hoje. Portanto, o seu maior desafio é nutrir a cultura da mudança.

Curiosamente, os parágrafos acima foram pescados de um ensaio (mais longo) que escrevi para o aniversário de 60 anos do SENAI. Ao relê-lo, pareceu-me que ainda são apropriados. Poderia haver maior elogio do que a resiliência presente de uma instituição tão bem sucedida no passado?

SENAI 75 ANOS - Leia todas as matérias da série:

1ª - SENAI faz 75 anos moderno e de olho no futuro

2ª- ARTIGO - SENAI 75 anos: confete ou puxão de orelhas?

3ª - 11 depoimentos de empresários, políticos, educadores e estudantes que comprovam a excelência do SENAI

4ª - SENAI é o principal parceiro da indústria brasileira há 75 anos

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