logo-atuacao-internacional-uninter-cni-sesi-senai-iel-sistema_industria198x54 (1).png
brasil-mini.png
bandeira-do-reino-unido.png

NOTÍCIAS

27 de Junho de 2018 às 13:21

Senai-CE: uma referência em capacitação

Sem título 35.png

A qualificação profissional é um dos pontos mais importantes, atualmente, diante de um cenário cada vez mais competitivo no mercado de trabalho. O diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Ceará (Senai-CE), Paulo André Holanda, compareceu ao Jornal O Estado para falar a respeito das últimas novidades que estão chegando ao Ceará na questão da qualificação profissional, oferecidas por aquele importante órgão ligado à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Destacou, ainda, a chegada de um centro de referência em manutenção automotiva, que está sendo implantado no Senai da Barra do Ceará, especializado em veículos de duas montadoras francesas e do programa de qualificação profissional dos trabalhadores do setor industrial de Moçambique, em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica – da sigla em inglês Japan International Cooperation Agency).

O Estado – Qual é a principal missão do Senai?
Paulo Holanda – O Senai foi criado a nível nacional em 1942 e em 1945 nasceu o Senai do Estado do Ceará, com a missão de promover a capacitação educacional e profissional dos trabalhadores da indústria. Para se ter uma ideia, os primeiros cursos foram de torneiro mecânico, soldagem, e eletricidade mecânica. Então, é formar os trabalhadores para o setor industrial. Com o advento da tecnologia e inovação, atua também com consultorias nessa área e também temos o Instituto de Tecnologia do Senai, que tem condições de desenvolver projetos e serviços nessa área.
OE – No início era algo mais braçal, mais rústico e, atualmente, teve de acompanhar o crescimento e desenvolvimento da indústria?
PH – Hoje, o avanço tecnológico é muito rápido. Então, além da capacitação dos trabalhadores, pois há muitas empresas que demandam uma mão de obra mais qualificada, mas também temos muitos equipamentos automatizados, robotizados em nossa indústria, e o Senai precisa atuar fortemente nas novas qualificações dos profissionais.

OE – Atualmente, o Senai-CE oferece quantos cursos?

PH – O Senai atua fortemente em 25 segmentos industriais, até um pouco mais, pois há setores em que a demanda é maior. Nessa gestão do presidente da Fiec, Beto Studart, logo no início fizemos uma reformulação no nosso portfólio, pois tínhamos muitos cursos que já não tinham tanta aderência à nova realidade. Então, temos, hoje, cerca de 500 cursos, sendo fortemente entre 25 e 30 segmentos industriais, que vão desde a construção civil, automotivo, meio ambiente, segurança do trabalho, alimentos, vestuário, couros, eletroeletrônica, hidráulica e muitos outros.

OE – Pode citar alguns exemplos?

PH – Na construção civil temos mais de 30 cursos, desde pedreiros, artífices de construção, carpinteiros, eletricista predial e bombeiro hidráulico, na área de informática, de TI. Mas é importante lembrar que o Senai, no País, atua em rede e são complementares. O Senai do Ceará é forte em um segmento, o da Bahia é em outro, e eles se complementam. Ou seja, temos condições de ministrar alguns cursos nos quais não temos tanta expertise, mas pode vir um instrutor da Bahia ministrá-lo aqui, usando as nossas instalações. E já estamos avançando para a customização dos cursos, como na Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), chegamos a fazer 17 cursos customizados para o setor siderúrgico. Até porque, não existia aqui no Nordeste uma siderúrgica daquele porte. Conseguimos capacitar pessoas desde a implantação, até agora no momento da operação, principalmente na questão de caldeiraria, mecânica, ferrovia e eletricidade. Assim como em outras grandes empresas como Grendene e Moinho M. Dias Branco, que sempre precisam das capacitações do Senai.

OE – Isso porque o órgão está presente em todo o País, não é?

PH – O Senai é uma marca muito forte e está presente em mais de 530 unidades fixas e mais de 300 unidades móveis. Aqui no Ceará temos oito polos educacionais fixos – Sobral, Juazeiro do Norte, Horizonte, Maracanaú e quatro em Fortaleza (Parangaba, Mucuripe, Barra do Ceará e Jacarecanga). E um Centro de Excelência em Inovação (CEI), com um instituto de eletrometalmecânica, em Maracanaú. E ainda temos 11 unidades móveis nas áreas de panificação, automação, circuitos elétricos, dentre outros. Com ele podemos ministrar cursos “in company”, dentro da empresa ou em locais onde não temos sede, como Limoeiro do Norte e Santa Quitéria, onde há uma grande empresa na área de confecções e calçados, e podemos levar os cursos até lá. Isso porque construir unidades fixas é muito caro e exige manutenção constante. Então as unidades móveis são uma vantagem.

OE – O Senai-CE fecho com o grupo francês PSA, um centro de treinamento em manutenção para os veículos das marcas Peugeot e Citröen?
 

PH – Foi uma disputa interna do Senai, pois o Grupo PSA procurou a Confederação Nacional da Indústria (CNI), querendo fazer um centro de referência e capacitação dessas duas marcas no Nordeste. Disputamos com Bahia e Pernambuco e fomos escolhidos para abrigar essa sede lá na Barra do Ceará, onde já temos uma expertise na área automotiva. Já chegaram nove carros das marcas e toda a ferramentaria. Nossos instrutores já foram capacitados para poder replicar esse conhecimento para outros instrutores das regiões Norte e Nordeste e para a população.

OE – Os cursos do Grupo PSA serão destinados a instrutores de outras unidades do Senai, mecânicos particulares e equipes de concessionárias?

PH – Exatamente. E até para a população em si, que queira buscar um emprego numa concessionária, ou se for empreendedor, abrir seu próprio negócio. Eles se capacitam nessas duas marcas, que são bem específicas. A ferramentaria tem peças que são somente da Peugeot e Citröen, ou seja, não servem em carros da Ford e da Volkswagen. E isso é uma grande vitória para o Ceará.

OE – O Senai é um órgão conhecido nacional e internacionalmente. E o Senai-CE ganhou uma concorrência em Moçambique, através de uma agência de desenvolvimento japonesa, que é muito exigente. Como foi essa vitória e como será feito o trabalho?
 

PH – Esse é um assunto extremamente importante, pois nessa gestão do presidente Beto Studart, ele nos pediu para fazermos uma reformulação, uma reestruturação, na unidade de educação, realizada em 2015, com padronizações, mudança de metodologia, implantação de novos sistemas, face às novas exigências do mercado. Nesse tempo, a agência de fomento japonesa Jica, anualmente, escolhe um ou dois países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo e que tenha capacidade de crescimento no setor industrial. Seus representantes procuraram a CNI (Confederação Nacional da Indústria), que fez uma seleção e o Senai-CE se habilitou e foi escolhido, após uma análise muito criteriosa. Já elaboramos o programa de capacitação profissional e tecnológica daquele país. Já assinamos dois contratos, um de US$ 300 mil e outro de US$ 3,5 milhões, totalizando cerca de R$ 12 milhões, só com consultorias e já sabemos as demandas que Moçambique precisa para sua expansão industrial. Vamos atuar fortemente nos setores de alimentos, automação, automotivo, construção civil e meio ambiente, na primeira etapa. Além da capacitação para os instrutores moçambicanos, já elaboramos todo o material dos normativos educacionais. Foi uma conquista importante para nós e as atividades devem começar em julho. São quatro anos na primeira etapa e já tem a sinalização de outros segmentos industriais em paralelo.

OE – O Senai-CE tem uma importância muito grande nessa questão de desenvolvimento profissional das pessoas. E como está a sua estrutura?

PH – O presidente Beto Studart autorizou para esse ano uma licitação para a compra de vários equipamentos e laboratórios de todos os segmentos industriais do nosso portfólio, da ordem de R$ 15 milhões. É uma modernização que estamos fazendo nas nossas oito unidades e que é extremamente importante para dar mais qualidade ao nosso ensino. Temos certeza que estamos chegando a um nível de excelência. Tanto que, recentemente, recebemos um prêmio de R$ 300 mil e um troféu de segundo lugar, no País, em desempenho de gestão. O máximo que havíamos conseguido tinha sido um quinto lugar.

OE – E quem qualifica os instrutores do Senai-CE?
 

PH – Temos dentro da CNI, no Senai Nacional, uma plataforma importante de capacitação dos docentes, em todos os estados. Há uma parte em educação à distância e outra presencial. E também, dentro do nosso RH, temos um banco de dados dos nossos professores que se capacitam em uma complementariedade, há todo um plano de capacitação. E criamos, ainda, os especialistas técnicos, que dá uma assertividade bem maior.

OE – A indústria está em constante evolução, por isso os instrutores do Senai-

CE devem estar sempre se qualificando, não é?

PH – Como o avanço tecnológico está muito rápido, a gente deve estar sempre atento a isso, principalmente devido à robotização, Indústria 4.0, então temos de ter esse cuidado especial, pois o cliente é exigente, quer um serviço rápido e eficiente. Até porque são equipamentos caríssimos e o se manuseio diário exige que os funcionários estejam bem capacitados, pois alguns deles custam milhões de dólares.

OE – Além de os funcionários das empresas irem até as unidades do Senai-

CE, dependendo do tipo de equipamento utilizado na indústria, os seus instrutores vão até lá?
 

PH – É o que chamamos de “in company” – dentro da empresa –, pois não temos condições de ter todos esses equipamentos, que são caros, como a CSP, a Grendene, a Transnordestina, que damos cursos “in company”, utilizando o maquinário da própria empresa. Temos os instrutores capacitados, o material didáticos, os EPIs (Equipamento de Proteção Individual), mas há alguns maquinários que fazemos a capacitação no local de trabalho.

OE – Outro exemplo disso são as qualificações na área de energia eólica?

PH – Um dado importante, pois o segmento de energias renováveis está crescendo muito e o próprio presidente Beto Studart criou um Núcleo de Energia ligado diretamente a ele. Tínhamos uma demanda reprimida e o Senai-CE partiu na frente. Temos aqui no Ceará três grandes multinacionais – Wobben, Vestas e Aeris –, todas nas áreas de fabricação de torres, turbinas e pás eólicas. Esse segmento já começa a precisar de manutenção e já temos cursos ligados a esse segmento. E no caso da energia fotovoltaica já temos dois cursos ligados à manutenção das placas, em parceria com empresas que estão nos ajudando com seus equipamentos. Somos um dos cinco estados do Brasil que temos cursos nestes segmentos.

OE – O Senai-CE também atua na educação socioambiental?

PH – Temos cursos em relação a meio ambiente, destinação de resíduos sólidos, são qualificações customizadas para a questão ambiental, pois é uma área importantíssima para quem vai atuar na CSP, na Transnordestina, que necessitam de pessoal capacitados na preservação do meio ambiente.

OE – E o Senai-CE também oferece capacitações na questão da ética?

PH – Foi um programa importante que surgiu em 2015, quando o CEO da CSP comentou que 90% das demissões dos funcionários eram por motivos comportamentais. Então percebemos a falta de ética e de valores dos profissionais. Contratamos uma organização internacional de Filosofia, que customizou um curso para nossos instrutores e alunos de aprendizagem industrial e que está servindo de modelo para o País, pois estamos olhando de maneira muito forte essa questão complexa, através do programa “Educar para valores”. E ele somou para a nossa vitória na concorrência em Moçambique, pois o pessoal da agência japonesa disse que era isso que eles estavam procurando.

OE – E quais as expectativas do Senai-CE para o futuro?

PH – Acho que este ano ainda será difícil, mas em 2018 deveremos ter uma rampa de crescimento econômico e, principalmente, voltar a empregabilidade. Hoje estamos com 14,2 milhões de desempregados. Em quatro anos aumentamos cerca de 4,5 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho, o que agrava os nossos problemas sociais. O País precisa voltar a crescer, principalmente nas áreas de construção civil, automotiva e agronegócio, e o Senai está preparado para qualificar essas pessoas. Minha mensagem é de otimismo, pois sempre procurei me aliar a bons parceiros para, em conjunto, enfrentarmos as dificuldades do dia a dia