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Educação

A educação é a base para a construção de uma indústria inovadora e competitiva. Equipes educadas e engenheiros bem formados utilizam melhor os equipamentos, criam soluções para os problemas do cotidiano, adaptam processos e produtos, desenvolvem e implementam inovações.

Mesmo com os avanços das últimas décadas, que facilitaram o acesso da população à escola, a baixa qualidade da educação básica, a reduzida oferta de educação profissional e as deficiências na educação superior limitam a capacidade de inovar das empresas e a produtividade. A falta de profissionais qualificados em determinadas áreas é um gargalo: destaca-se a escassez de engenheiros, cuja atividade possui impacto amplo sobre muitos setores e atividades, sobretudo para a indústria.

Conheça as propostas da indústria para a educação:

Educação para o Mundo do Trabalho: A rota para a produtividade

 

O capital humano terá papel ainda mais crucial nesta nova fase da indústria. Os trabalhadores deverão estar muito melhor preparados para lidar com as novas tecnologias de produção e de organização da produção que determinam a competitividade das empresas e a prosperidade das nações, condicionando a eficiência com que se produz, a capacidade criativa das pessoas e a agregação de valor aos produtos e serviços. Por isso, as empresas e os países precisarão cada vez mais de pessoas talentosas e bem treinadas para promover e sustentar o crescimento de longo prazo. Essa premissa é válida tanto para países desenvolvidos quanto em desenvolvimento.

A educação eleva a produtividade. Por isso, o maior desafio do sistema educacional formal e profissional brasileiro é o de preparar os jovens e adultos para um mercado de trabalho em profunda mutação tecnológica e organizacional. Porém, a baixa escolaridade da população brasileira e a baixa qualidade da educação são fatores que interferem na capacidade dos trabalhadores de interagir com as novas tecnologias e métodos de produção, com efeitos negativos para a produtividade e acompetitividade e, consequentemente, para o crescimento econômico sustentado.

A educação aumenta a competitividade nacional e é fundamental para o exercício da cidadania. O Brasil reduziu a desigualdade da renda e a pobreza, e a principal causa foi o desempenho do mercado de trabalho. Embora novas oportunidades de trabalho continuem surgindo, a educação continua sendo requisito importante para a determinação da renda do trabalho e para a promoção da queda da pobreza e da desigualdade. Por isso, o aumento das oportunidades de acesso à educação ainda é decisivo para elevar a renda do trabalhador, mas o grande salto que ainda precisa ser feito, e que beneficiará a todos – trabalhadores e suas famílias, empresas e o país –, é o da qualidade da educação, condição para o aumento da competitividade e para o crescimento sustentado.

Notícia EducacaoA educação eleva a produtividade do setor de serviços e da indústria. Os serviços já respondem por 70% do PIB e por quase 74% do emprego formal no Brasil. A produtividade do trabalho no setor, porém, é muito baixa e tem crescido muito pouco ao longo do tempo, o que ajuda a explicar os preços elevados e a baixa qualidade dos serviços em geral. O problema é que essas deficiências não são neutras. Isto porque os serviços são determinantes para a competitividade da indústria e de outros setores que os utilizam como insumos. Em 2011, os serviços correspondiam a nada menos que 64,5% do valor adicionado da indústria de transformação a 39,6% do valor adicionado da indústria extrativa.

A educação é fundamental para que o país esteja pronto para enfrentar os efeitos da rápida transformação demográfica. O grupo etário de crianças e jovens está diminuindo; já o de 60 anos ou mais está aumentando e em breve superará o segmento de crianças e jovens. A queda absoluta e relativa da população de crianças e jovens facilitará a tarefa de melhorar a qualidade da educação. Se mantidos os percentuais de investimento do PIB em educação, juntas, a economia e a demografia farão os investimentos públicos em educação por aluno saltarem de 20% para 25% do PIB per capita, taxa elevada para os padrões internacionais. De qualquer forma, contudo, a realidade demográfica brasileira é muito diversa em nível regional e precisa estar contemplada nas políticas de educação.

A educação permite que o país se beneficie mais da globalização. A nova geografia da produção e da inovação está transformando a economia mundial através das novas tecnologias de produção e de organização da produção e da integração dos mercados. O Brasil precisa contar com uma população trabalhadora bem educada para que possa fazer frente aos novos desafios mas, também, se beneficiar das muitas oportunidades da globalização.

A educação não é panaceia. Mas a história econômica do último século mostra que ela ajuda a determinar os destinos das nações. E, ao que tudo indica, a sua importância aumentará ainda mais na era do conhecimento e da mundialização dos mercados que já se descortinam.

Recursos humanos para inovação: Engenheiros e tecnólogos

 


Recursos humanos
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Uma grande revolução no ensino das Engenharias no Brasil é fundamental para que o Brasil aumente sua produtividade e  acompanhe os países mais inovadores. A maior competitividade da indústria depende da qualidade dos engenheiros e tecnólogos e da capacidade de as empresas inovarem.

O Brasil precisa transformar conhecimento em novos produtos e serviços com impacto no desenvolvimento do mercado e na solução dos problemas da população. O número de patentes brasileiras por pesquisador é aproximadamente 5% do realizado em países mais avançados, ao passo que o custo de cada patente, aproximadamente 10 vezes mais elevado. Mesmo aumentando significativamente sua produção científica nas últimas décadas e ocupando a 13ª colocação, o país ocupa somente a 40ª posição na medida do impacto internacional de suas publicações. A produção científica dos cursos de engenhariano Brasil é baixa, porque:

  • a formação do engenheiro brasileiro não acompanha as atuais demandas do mercado de trabalho;
  • há dificuldades para articulação entre faculdades de Engenharia, centros de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e o setor produtivo;
  • há pouca tradição da pesquisa multidisciplinar;
  • falta exigência por resultados concretos e econômicos no financiamento de P&D.

As faculdades de Engenharia devem formar profissionais com capacidade de inovação. Esses engenheiros precisam ter habilidades pessoais que transcendam a formação objetiva e quantitativa dos cursos tradicionais. É necessário desenvolver nos estudantes características e liderança e trabalho em equipe, empreendedorismo, conhecimento geral de áreas não científicas, cujo domínio vem se mostrando, cada vez mais, importante para a formação moderna do engenheiro empreendedor e inovador. De acordo com a última Pesquisa e Inovação 2011 (Pintec), realizada pelo IBGE, a falta de pessoal qualificado aparece como m dos principais obstáculos para a inovação no setor industrial, sendo enfatizada por 72,5% das empresas entrevistadas.

É necessário reduzir a evasão e aumentar o número de alunos de Engenharia formados para suprir a demanda existente. O Brasil forma em Engenharia somente cerca de 5% e todos os seus diplomados, muito menos que os países da OCDE, com aproximadamente 2%, a Coreia do Sul com cerca de 23%, entre outros países. Estima-se em 61% a taxa de evasão nos cursos de Engenharia, enquanto em Medicina e em Direito são, respectivamente, % e 13%. A ausência de sólida formação escolar básica e a pouca motivação provocada elos currículos nos cursos de Engenharias estão entre os fatores apontados como responsáveis ela elevada taxa de evasão.

A ampla gama de especialidades na formação e exercício profissional das Engenharias deve passar por um processo de reestruturação. A tendência mundial é formar, na graduação, profissionais mais generalistas, deixando para a pós-graduação, lato ou stricto sensu, o aprofundamento em especialidades.

A internacionalização das escolas de Engenharia brasileiras é importante para ampliar a rede de conhecimentos na área. Tornar as escolas mais internacionais induz o aumento a cooperação em projetos de pesquisa internacionais e sua eficiência e, ao mesmo tempo, gera um benchmark natural para a avaliação de qualidade das próprias escolas. Para isso, é necessário atrair talentos internacionais, introduzir cursos e capacitações em línguas estrangeiras, particularmente na língua inglesa, e oferecer incentivos, incluindo salários flexíveis  competitivos aos professores. Em outra medida, o envio de estudantes ao exterior nos diversos níveis de formação traz importantes contribuições ao país, não somente com conhecimento profissional específico, mas propicia uma exposição dos estudantes a novas culturas e estabelece vínculos profissionais internacionais importantes.

É necessário ampliar a formação de pós-graduação e a colocação desses profissionais pós-graduados nas empresas. Nos EUA, os diplomados com doutorado são 14% as Engenharias e 24% nas Ciências, na Coreia do Sul são 26% e 12%, respectivamente. No Brasil, somente 11% do total de doutores são da área de Engenharia e 10% em Ciências. O Brasil possui menos doutorandos em Ciências, Informática e Engenharia do que a grande maioria dos países da OCDE. O país apresenta também baixo número de doutores nas indústrias, tendo em vista que a pós-graduação brasileira forma, principalmente, para a carreira acadêmica: números absolutos mostram que 95% dos doutores no Brasil encontram-se nas universidades e somente 1,7% nas empresas. Nos EUA, 60% dos doutores formados em Engenharia estão nas empresas. A formação de pós-graduação stricto sensu no Brasil possui caráter extremamente acadêmico, com pouca experiência prática ligada às atividades profissionais das empresas. A sequência obrigatória de se fazer graduação, mestrado acadêmico e doutorado, sem que a atividade profissional seja exercida pelo engenheiro, faz com que os doutores em Engenharia tenham um viés científico e não tecnológico, apresentando dificuldades de se adaptar ao processo produtivo das empresas.

A qualificação e experiência profissional devem ser priorizadas na contratação do corpo docente em nossas escolas de Engenharia. Os profissionais possuem, em grande medida, muitas titulações, mas pouca ou nenhuma experiência profissional no mercado de trabalho no setor. Isso pode prejudicar, em maior ou menor grau, o próprio ensino da Engenharia, por dificultar a tão necessária conexão entre a teoria e a prática. Mestres e doutores engenheiros brasileiros (formados quase sem visão prática pela academia) não estão levando ao setor produtivo os seus conhecimentos.

Evidencia-se a ausência de um sistema de qualidade e diversificado para a formação de engenheiros, com várias e diferentes missões, segundo setores produtivos e regiões sociogeográficas. Nesse sentido, é desejável para o Brasil um sistema adaptável às suas diferentes necessidades, características regionais e estágios de desenvolvimento nas diversas áreas de produção em bens e serviços.

Os resultados dos cursos de Engenharia e a qualidade dos profissionais devem ser monitorados e avaliados. Esse acompanhamento deve ser feito pelas instituições de ensino, seus financiadores e por toda a sociedade, de forma a aprimorar continuamente o sistema das Engenharias no Brasil.

A formação dos engenheiros não atende às necessidades do mercado de trabalho no Brasil, tanto em termos de qualidade quanto de quantidade. Recentes estudos sobre o ensino de Engenharia, realizados no Brasil e no mundo, apontam de forma quase unânime que:

  • a aprendizagem de Engenharia deve ser mais criativa e inovadora;
  • devem ser adotadas metodologias e estrutura de cursos que sejam mais motivadoras para os alunos;
  • o conhecimento básico e o gosto por ciências exatas são os principais fatores relacionados à escolha pela profissão;
  • a capacidade de visão ampla e integrada sobre a Engenharia é base para a formação de lideranças na área;
  • a atuação dos engenheiros será, cada vez mais, em equipe e as habilidades de lidar com pessoas e projetar, construir ou testar são essenciais;
  • a melhoria da integração entre as disciplinas do currículo deve se dar por meio da introdução de problemas práticos, por meio dos quais diversos aspectos são tratados em disciplinas diferentes, simultaneamente;
  • a introdução de aulas práticas e a realização de estágios ou projetos cooperativos com empresas devem ser feitos desde os primeiros anos dos cursos de Engenharia;
  • a utilização de laboratórios para desenvolver a visão prática e o enfrentamento deproblemas concretos, para despertar posturas mais inovadoras, são essenciais.


A boa formação de recursos humanos nas Engenharias exige fortalecimento da educação básica no Brasil, com ênfase em matemática, física e química. Essas disciplinas, além de comunicação, expressão e línguas, são exigências do novo paradigma de desenvolvimento do mundo contemporâneo. É necessário investir na readequação do profissional de Engenharia, tarefa de longo prazo que também envolve mudanças no ensino médio no país.

 






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