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23 Out 2014

União Europeia deve investir 78 bilhões de euros em bioeconomia até 2020

3º Fórum de Bioeconomia, promovido pela CNI, apresentou tendências mundiais baseadas em biotecnologia e oportunidades de crescimento econômico sustentável

"75% da indústria europeia investiram 3,7 bilhões de euros em parcerias público-privadas que desenvolvem pesquisas de exploração oceânica para geração de energia, agricultura sustentável e inovação em áreas correlatas" - Piero Venturi
Até 2020, a União Europeia deve investir 78,6 bilhões de euros no ecossistema da bioeconomia, o maior investimento do bloco em pesquisa e inovação de todos os tempos. A afirmação é do representante da delegação da União Europeia no Brasil, Piero Venturi, um dos palestrantes do 3º Fórum de Bioeconomia, realizado nesta quinta-feira (23), em São Paulo.

Segundo ele, a União Europeia possui acordos de cooperação com 30 países em áreas associadas à bioeconomia, e o objetivo é ampliar essas relações. “Queremos envolver o Brasil nesse espaço de construção coletiva. E pensando no futuro, pretendemos encarar as necessidades da sociedade do futuro”, concluiu o especialista.

Em sua palestra, Venturi afirmou que o bloco está migrando de uma economia fóssil para uma economia baseada em biotecnologia com a ajuda de políticas públicas. Segundo ele, 75% da indústria europeia investiram 3,7 bilhões de euros em parcerias público-privadas que desenvolvem pesquisas de exploração oceânica para geração de energia, agricultura sustentável e inovação em áreas correlatas.

BIOTECNOLOGIA E ENGENHARIA METABÓLICA
- Engenheiro químico do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e palestrante do fórum, o professor Gregory Stephanopoulos foi categórico: para ele, biotecnologia e engenharia metabólica são as tecnologias do século XXI. “Fazer a transição para uma economia sustentável é cada vez menos uma escolha e cada vez mais uma condição de sobrevivência para a humanidade”, disse o especialista. Nessa perspectiva, biopolímeros, por exemplo, podem gerar plásticos mais resistentes e menos agressivos ao meio ambiente e a indústria alimentícia pode se beneficiar da geração de novos ácidos láticos e gorduras. “Esses bioprocessos permitem a criação de componentes simples e úteis à sociedade”, pontuou Stephanopoulos.

Sobre experiências práticas de investimento e análise de risco em negócios biotecnológicos, Fernando Reinach, sócio-gestor do Fundo Pitanga, afirmou que a bioeconomia vai promover a próxima revolução tecnológica. “Nessas mudanças de paradigma, o novo produto tem que ser tão melhor e mais viável que o antecessor. A exemplo do computador em relação à máquina de escrever”, explicou o empresário, que também enxerga na economia baseada na biotecnologia a solução para a dependência da humanidade em relação ao petróleo.

O diretor de Políticas e Estratégia da CNI, José Augusto Fernandes, reforçou a importância dos resultados da pesquisa inédita, apresentada mais cedo, e como este panorama da bioeconomia no Brasil poderá nortear as próximas ações da indústria. “A bioeconomia é uma realidade e uma fonte inesgotável de possibilidades de crescimento. Existem nichos com taxas de retorno adequadas, de negócios importantes e tecnologicamente revolucionários. Nosso desafio é, de um lado, remover obstáculos. De outro, desenvolver competências por meio de ciência, tecnologia e inovação”, concluiu Fernandes.

O EVENTO – O Fórum de Bioeconomia reuniu empresários, pesquisadores e especialistas no tema para apresentar e discutir atualidades no campo do desenvolvimento econômico baseado em biotecnologia. Organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), como iniciativa da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), o evento é uma oportunidade de rever políticas públicas para melhorar o ambiente de inovação e negócios associados no Brasil.

FOTOS - Confira todas as fotos fo evento no perfil da CNI no Flikr.

Por Fábia Galvão e Rafael Monaco, de São Paulo
Foto: José Paulo Lacerda
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