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18 Out 2014

Planejamento de carreira deve levar em conta habilidades pessoais e realidade social

Especialista defende que trabalhadores busquem contornar deficiências para alcançar sucesso na vida profissional. Desejo não pode ser único orientador no mundo do trabalho

A maior dificuldade de jovens brasileiros conseguirem entrar e se estabelecer no mercado de trabalho tem duas razões principais: a falta de qualificação e de experiência. O problema é registrado em todos os níveis de formação e relaciona-se também às condições sociais de cada pessoa. A avaliação é da especialista em gestão de carreiras Margarida Furtado, que coordenou sessões de coaching oferecidas durante o 1º Fórum IEL de Carreiras, realizado nos dias 17 e 18 de outubro, em Recife (PE).

Ela alerta que, no momento de planejar uma carreira, é preciso levar em conta as habilidades pessoais e a realidade social de cada profissional. Segundo Margarida, o que um trabalhador pode oferecer ao mercado de trabalho tem a ver com o que conseguiu acumular de formação e experiência ao longo da vida. “Planejar uma carreira é lidar com o presente e pensar o futuro”, afirma.

A análise da especialista é um alerta crítico ao discurso que coloca o desejo como o principal (e às vezes único) aspecto orientador da vida profissional. Segundo ela, um dos problemas recorrentes para quem tem dificuldade de encontrar um emprego é não reconhecer as habilidades que têm e as que faltam para conquistar as posições que almejam. “Não adiantar tentar ser trainee de uma grande empresa se você ainda não é fluente em inglês. É necessário dar um passo atrás para depois aplicar para esse tipo de vaga com o perfil desejado”, exemplifica.

70 pessoas participaram das sessões de orientação profissional durante o fórum
EFETIVIDADE – Uma orientação mais próxima à realidade de cada jovem é também uma preocupação do diretor-superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Paulo Mól. “Não se trata de dissuadir sonhos. Ao contrário. O que queremos com atividades desse tipo é tornar a orientação profissional mais efetiva, vinculando-a a um caminho necessário para o profissional alcançar seus objetivos”, explica.

Durante dois dias, o IEL reuniu, nos dias 17 e 18 de outubro, 550 pessoas no Shopping Rio Mar, em Recife, para discutir questões da vida profissional dos jovens. Nas palestras e oficinas, especialistas contaram suas experiências profissionais e tiraram dúvidas de quem acompanhou na plateia.

Ana Carolina Peixoto Medeiros foi uma das profissionais que ofereceu orientações a um grupo de 70 pessoas durante os dois dias. Em sua opinião, a maior parte das pessoas têm informações sobre o mercado que escolheram, mas ainda têm dificuldades em identificar oportunidades. “Com mais frequência, o que falta é a visão prática do que fazer com suas próprias experiências. Os jovens ainda têm o desafio de direcionar as competências que têm para o que está no mercado”, explica.

MUDANÇA DE RUMOS – Em situação mais difícil, porém, está quem acredita que escolheu a profissão errada. Thaís Arruda de Barros, de 22 anos, é uma das que buscou a orientação nas sessões de coaching. Cientista política, formada na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 2013, teve uma experiência profissional na Eslováquia durante um ano depois da graduação. De volta ao Brasil em junho deste ano, está em busca de uma colocação e enfrenta um problema. “Durante a faculdade, descobri que meu interesse profissional não era a ciência política, mas sim a área de gestão. As empresas requerem experiência profissional nessa área e eu não tenho”, conta.

Ainda durante a graduação, Thaís ingressou na organização não governamental AIESEC, sua primeira experiência profissional. Foi lá que percebeu o interesse na área de gestão e, mesmo assim, optou por continuar na ciência política. “Ao final do curso, passei um ano na Eslováquia como diretora de intercâmbios da AIESEC. E agora, de volta ao Brasil, não imaginei que teria tanta dificuldade nessa transição para o mercado de trabalho”.

A experiência do coaching, segundo ela, vai auxiliar a tomar algumas decisões. “A conversa me mostrou a viabilidade de algumas escolhas. “Eu tinha decidido a não ser mais professora de inglês, mas a especialista me alertou que isso pode me ajudar a conhecer melhor o mercado de escolas de idiomas, já que tenho vontade de abrir uma franquia desse tipo futuramente”.

Por Ismália Afonso, de Recife
Foto: José Paulo Lacerda
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