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11 Nov 2013

Escolas do SESI mudam currículo para preparar jovens para o trabalho

Mais de dois mil profissionais, entre professores e dirigentes, serão capacitados para implementar nova metodologia de ensino

Lançamento da Escola Sesi para o mundo do trabalho
Metodologia do SESI fará com que os alunos sejam capazes de aprender novas habilidades e assimilar conceitos do dia a dia
Para defender a terra de uma chuva de meteoritos, cientistas precisam calcular trajetórias de mísseis para destruir a ameaça ao nosso planeta. Esse roteiro, base de inspiração de muitos filmes de sucesso em todo o mundo, é também um game desenvolvido para ensinar matemática. No jogo, é preciso colocar em prática os conhecimentos sobre equações lineares, quadráticas ou cúbicas, entre tantos outros.

A metodologia inovadora é um dos recursos utilizados pelo SESI Matemática, projeto desenvolvido pelo Serviço Social da Indústria (SESI) do Rio de Janeiro em 2012 e que deve chegar a todas as escolas da instituição do país. Essa é apenas uma das ações previstas pelo programa Escola SESI para o Mundo do Trabalho, que pretende transformar a maneira de ensinar.

As mudanças previstas pelo programa começam já em 2014. Os alunos do primeiro ano do ensino médio começarão o ano com um novo currículo escolar que contemplará disciplinas de atualidades, projetos de aprendizagem, oficinas tecnológicas e ciências aplicadas. Elas serão trabalhadas dentro de cada uma das outras disciplinas tradicionais, como Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia Física e Química. A ideia é escolher um assunto da semana, por exemplo, e estudá-lo sob todas as óticas dessas disciplinas.

Nas oficinas tecnológicas, por exemplo, serão desenvolvidas atividades de realidade aumentada com objetos em 3D, robótica e elaboração de games para estimular o aprendizado.

Escola Sesi para o mundo do trabalho
“Cada nova tecnologia que surge enxuga os empregos com repetição braçal" - Luiz Carlos Menezes
CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES – Com a adoção do programa, as aulas ficarão mais práticas, para que o estudante entenda o porquê de estudar aqueles assuntos.  Para isso, mais de 200 diretores e 1.800 professores das escolas do SESI de todo o Brasil já estão sendo capacitados. As mudanças chegarão, posteriormente, aos demais anos do ensino médio e, ainda, o ensino fundamental.

O comprometimento do SESI será em fazer com que os alunos sejam capazes de aprender novas habilidades e assimilar conceitos do dia a dia. A formação desses jovens será direcionada para torna-los capazes de avaliar situações e tomar decisões.

“Temos 68% de analfabetos funcionais no Brasil e 38% dos alunos que ingressam em nossas universidades são analfabetos funcionais. Queremos mudar essa realidade”, diz o diretor de operações do SESI, Marcos Tadeu de Siqueira, citando estudo do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa, de 2012. De acordo com Siqueira, o SESI pretende ser referência para todas as escolas brasileiras com as novas implementações na metodologia de ensino.

NOVA FORMA DE PENSAR
– “O programa Escola SESI para o Mundo do Trabalho requer mudanças que alteram a concepção de educação e, por isso, exige um novo modo de pensar, agir e de relacionamento interpessoal”, afirma o gerente executivo de educação básica do SESI, Henrique Pinto dos Santos.

Mesmo com uma educação reconhecida por sua qualidade, o SESI quer inovar para se adaptar à nova realidade. “Cada nova tecnologia que surge enxuga os empregos com repetição braçal. Quem entra na escola agora, tem a idade das redes sociais. Quem sai da escola hoje, tem a idade da internet. Preparar para um mercado que ainda não conhecemos, esse é o nosso desafio”, diz o professor da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Carlos Menezes, palestrante do lançamento do programa, em Brasília.

Em sua palestra, ele ressaltou a importância de estimular a inovação. “Nós não precisamos mais de gente que sabe fazer a mesma coisa, já temos o computador pra isso. Precisamos de gente que julga, que avalia, que inova, que inventa e que de fato domina a linguagem”, pondera.

Por Aerton Guimarães
Fotos: José Paulo Lacerda
Do Portal da Indústria

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