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29 Out 2013

Logística do Centro-Oeste precisa de R$ 36,4 bilhões em investimentos até 2020

Estudo Centro-Oeste Competitivo, patrocinado por CNI e CNA, aponta 106 obras prioritárias para modernizar e ampliar infraestrutura de transportes de cargas da região

Robson Braga de Andrade durante a divulgação do estudo Centro-Oeste Competitivo
“A indústria pode e quer participar do esforço para recuperar e modernizar a infraestrutura do país”, disse o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade
A região Centro-Oeste precisa de R$ 36,4 bilhões em investimentos até 2020 para garantir o escoamento ágil e eficiente da produção. Esse é o valor necessário à execução de 106 projetos prioritários para ampliar e modernizar a infraestrutura de transportes de Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A conclusão é do Projeto Centro-Oeste Competitivo, divulgado nesta terça-feira (29), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Confederação da Agricultura e Pecuário do Brasil (CNA), em parceria com as federações da indústria e da agricultura e pecuária desses estados.

Conforme o estudo, o setor produtivo da região (indústria, agricultura e atividades extrativas)  gasta R$ 31,6 bilhões por ano com o transporte de cargas, o equivalente a 8,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Centro-Oeste. A execução dos projetos prioritários para a construção de uma malha logística eficiente trará uma economia anual de R$ 7,2 bilhões no escoamento da produção, considerando-se o volume de cargas projetado para 2020.

Ao identificar os investimentos que mais ajudariam a reduzir o custo logístico do país, a CNI e a CNA dão uma contribuição ao governo no planejamento da infraestrutura logística no médio e no longo prazos.  “A indústria pode e quer participar do esforço para recuperar e modernizar a infraestrutura do país”, diz o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. “Uma rede de transporte integrada e eficiente facilita a distribuição dos produtos, reduz os custos e aumenta a competividade brasileira".

O Centro-Oeste é responsável por quase a metade dos grãos produzidos no Brasil. Neste contexto, a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, senadora Kátia Abreu, destaca que, embora 56% da produção nacional situem-se no chamado Arco Norte, acima do paralelo 16o, apenas 14% são escoados pelos portos do Norte e Nordeste. “Só com investimentos maciços em infraestrutura, aproveitando os mississippis brasileiros, será possível inverter esta lógica que sobrecarrega os portos do Sul e do Sudeste, baixando os custos do transporte e preservando o meio ambiente”, diz Kátia Abreu.

Um caminhão que sai do Centro-Oeste e roda até 2 mil quilômetros para chegar aos portos do Sul e Sudeste consome, em média, oito litros de combustível por quilômetro e emite 129 gramas de monóxido de carbono. Se a mesma carga seguir por ferrovia até o porto, o consumo de combustível cairá para seis litros e a emissão de gases poluentes para 104 gramas. As vantagens do transporte hidroviário são ainda maiores. Uma chata gasta a metade do combustível usado por um caminhão e emite apenas um terço dos gases poluentes. “Competitividade com sustentabilidade é o grande desafio do agronegócio do país”, afirma a presidente da CNA.

Obras de ferrovias estão entre as prioridades do projeto da CNI e CNA
Apenas 19 das 106 obras prioritárias estão em andamento na região Centro-Oeste
CELERIDADE - De acordo com o Centro-Oeste Competitivo, apenas 19 das 106 obras prioritárias estão em andamento, o que equivale a 16,4% dos investimentos necessários na região. Outras 70 estão em fase de projeto ou apenas nos planos do poder público. Essas 106 obras, quando concluídas, formarão 10 eixos logísticos integrados. Cada eixo é composto por dois ou mais modais de transporte complementares que garantirão o escoamento eficiente da produção, da porta da fábrica ao embarque no porto.

Os principais investimentos deverão ser destinados a ferrovias e portos, recomenda o Centro-Oeste Competitivo. O transporte ferroviário demandará R$ 17,5 bilhões – 24,5% dos investimentos prioritários – para execução de 26 projetos. A estrutura portuária  exigirá R$ 8,4 bilhões para tirar 24 projetos do papel nos próximos anos. O maior número de projetos considerados urgentes, porém, está no modal hidroviário. O transporte fluvial necessitará de R$ 6,7 bilhões em investimentos em 34 obras essenciais para melhorar o sistema logístico da região.

SATURAÇÃO – O Centro-Oeste Competitivo destaca que o adiamento das obras prioritárias agravará os problemas  que as empresas enfrentam para escoar a produção   em rodovias, ferrovias e portos já saturados pelo crescimento da demanda. Entre os gargalos onsiderados críticos nas rodovias há três trechos da BR-163, em Mato Grosso. Entre Lucas do Rio Verde e Posto Gil, o mais congestionado, a movimentação chega a 83 mil toneladas por dia, 113,5% acima da capacidade da via. Na BR-364, entre Rondonópolis e Alto Araguaia, passam 78,7 mil toneladas por dia, volume 202,5% superior à capacidade da rodovia.

As ferrovias também devem receber investimentos para eliminar pontos de saturação e evitar piora dos gargalos. O caso mais crítico, caso nada seja feito até 2020, é o da ALL Malha Oeste, no trecho entre Corumbá e Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. De acordo com as projeções de aumento no fluxo de cargas, a demanda prevista para 2020 terá superado em 722,3% a capacidade diária de carga da ferrovia.

PRODUÇÃO REGIONAL – A produção industrial do Centro-Oeste movimentou R$ 81,6 bilhões em 2010. Desse total, 75% estão concentrados em 15 cadeias produtivas instaladas na região: adubos e fertilizantes, algodão, avicultura, bebidas, bovinos, calcário, cana de açúcar, cobre, ferro e aço, madeira, milho, petróleo e derivados, químicos industriais, soja, veículos e autopeças.

De toda produção industrial, 75% estão concentrados em 12 produtos das 15 grandes cadeias produtivas priorizadas: carne bovina, óleo de soja, farelos de soja, álcool, carne de aves, açúcar, ração animal, adubos e fertilizantes, biodiesel, leite, refrigerantes, cervejas e cimentos.  Na agropecuária, as cadeias de cana-de-açúcar, bovinos, soja, milho e algodão representam 95% da produção no Centro-Oeste.

De acordo com Centro-Oeste Competitivo, para solucionar todos os problemas logísticos da região, seria necessário investir R$ 159 bilhões em 308 projetos de ferrovias, rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e dutos. Com base no estudo, porém, a CNI e a CNA propõem a execução urgente dos 106 projetos prioritários que oferecem a maior economia com custos logísticos. Isso porque, executando-se 34,4% das obras necessárias pode-se alcançar 64,9% da redução nos gastos com o transporte de carga.

CONSOLIDADO - O Projeto Centro-Oeste Competitivo é a quarta publicação da série Estudos Regionais de Competitividade, patrocinados pela CNI e por federações estaduais da indústria. Já foram apresentados o Norte (julho de 2011), o Sul (agosto de 2012) e o  Nordeste (outubro de 2012) Competitivo. Os estudos regionais  oferecem subsídios para o governo a planejar o futuro do sistema logístico, otimizar os recursos e reduzir os  custos de transporte do Brasil. Nos quatro estudos,  foram identificadas 205 obras prioritárias, que envolvem investimentos de R$ 55 bilhões até 2020.



Por Guilherme Queiroz
Fotos: José Paulo Lacerda e Arquivo/ANTF
Do Portal da Indústria


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