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06 Ago 2013

Carga tributária compromete investimento brasileiro no exterior

Pesquisa inédita da CNI revela que o Brasil precisa rever sistema de cobrança de impostos para estimular a internacionalização das empresas

A redução da carga tributária é decisiva para ampliar a internacionalização das empresas brasileiras. Essa é uma das conclusões da pesquisa inédita feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 28 transnacionais brasileiras, que têm negócios em 44 países, especialmente da América Latina.  Entre as empresas, 22 são indústrias, a maioria dos setores de peças e veículos, químico e petroquímico, de metalurgia e siderurgia.

De acordo com a pesquisa, o principal motivo para os empresários investirem no exterior é o acesso a novos mercados. Essa opção teve média de 3,81 pontos, e foi seguida pela redução dos custos de produção para enfrentar a concorrência internacional, com 2,85 pontos. A escala da pesquisa varia de um a quatro, sendo que um é menos importante e quatro é mais relevante. 

No quesito sobre os principais benefícios para investir no exterior, os empresários atribuíram grau de importância de 2,85 pontos para a proximidade de clientes mais exigentes. Em seguida, aparece o acesso a novas tecnologias de produção, com 2,74 pontos e o acesso a recursos humanos mais qualificados e com capacidade de inovação, com 2,70 pontos.

"São necessárias mudanças urgentes e esforço coletivo dos setores privado e público para estimular a internacionalização das empresas brasileiras" - Paulo Mol
EXCESSO DE TRIBUTOS - O principal obstáculo à internacionalização, segundo os empresários, é o modelo tributário brasileiro. Concebido para um país importador de capitais, o sistema onera as empresas que investem no exterior, aponta a pesquisa da CNI.

Na importação de serviços, por exemplo, incidem seis tributos que oneram em, pelo menos, 41,08% o valor da operação. São eles o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento para a Seguridade Social (COFINS), o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (CIDE) e, o mais importante, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).

“A preocupação da CNI é fazer com que a indústria brasileira se fortaleça como player no mercado externo. Para isso, são necessárias mudanças urgentes e esforço coletivo dos setores privado e público. No quadro atual, a tendência é que o Brasil se mantenha correndo atrás de outros países em desenvolvimento que investem no exterior”, alerta o diretor de inovação da CNI, Paulo Mól.



"Nosso objetivo é buscar empresas que tenham perfil semelhante ao da Stefanini para darmos volume à empresa" - Marco Stefanini
DIVERSIFICAÇÃO - Os investimentos diretos no exterior das empresas brasileiras são diversificados em distribuição geográfica. Os entrevistados apontaram investimentos em 44 países e em todos os continentes, a maioria na América do Sul. A motivação pode estar relacionada com a necessidade de estar próximo dos clientes.

Referência no setor de Serviços em Tecnologia da Informação, a brasileira Stefanini começou pela Argentina o processo de internacionalização, com a abertura de uma filial no país vizinho em 1996. Hoje, a Stefanini está presente em 31 países e tem 16 mil funcionários – 40% deles no exterior. De acordo com o presidente da empresa, Marco Stefanini, os principais alvos para investimentos são os Estados Unidos e Europa.

“O mercado de TI americano, e mesmo o europeu, é dez vezes maior que o brasileiro. Ao expandir os negócios no exterior, nosso objetivo é buscar empresas que tenham perfil semelhante ao da Stefanini para darmos volume à empresa”, afirma Marco Stefanini. Entre 2012 e 2014, a empresa planeja investimentos de R$ 300 milhões, metade destinada aos negócios fora do Brasil.

Por Rafael Monaco
Do Portal da Indústria

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