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17 de Julho de 2013 às 12:28

Produtores de cachaça de Salinas lançam selo contra falsificações

Selo em garrafas tenta garantir que cachaça foi produzida na região de Salinas (MG)

As cachaças artesanais de Salinas serão vendidas, até o fim de outubro, com um selo que garante que elas foram fabricadas naquela região. A área, no norte de Minas Gerais, concentra fazendas produtoras de marcas como Havana, Anísio Santiago, Canarinha e Nova Aliança.

O uso do selo foi autorizado no ano passado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O lançamento oficial foi feito na última sexta-feira (12) no Festival Mundial de Cachaça de Salinas, que chegou à sua 12ª edição.

Os produtores esperam que o selo ajude a inibir as falsificações de cachaças. A região, que inclui, além de Salinas, Novorizonte e parte dos municípios de Taiobeiras, Rubelita, Santa Cruz de Salinas e Fruta de Leite, tem mais de 50 alambiques e produz cerca de 5 milhões de litros por ano.

Falsificador vendia produto por até R$ 1.000
Em maio, um homem foi preso durante a Operação Aguardente, feita pela Polícia Civil de Salinas. Ele comprava cachaças mais baratas, que custavam de R$ 5 a R$ 10, e revendia com rótulos de marcas famosas por até R$ 1.000. A venda era feita em Belo Horizonte, Montes Claros (norte de Minas), cidades do sul da Bahia e na capital paulista.

As notícias sobre falsificações corriam entre os produtores há cerca de cinco anos. "Temos notícias de outros falsificadores por aí, que vendem os produtos em Montes Claros e no meio das estradas", diz Nivaldo Gonçalves, presidente da Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs).

Para ele, o selo vai ajudar o consumidor a distinguir os produtos verdadeiros dos falsos. "Os produtos falsificados são muito parecidos com os originais, e por isso era difícil para o consumidor saber a diferença. Muitos falsificadores usam até rótulos feitos nas gráficas oficiais."

Ainda que, na prática, o selo também possa ser copiado, a expectativa é que ele acabe dificultando esse processo.

"Com o uso de lacre e do selo, estamos procurando dificultar a falsificação o máximo possível. Também tentamos mostrar para as pessoas que é preciso pedir nota fiscal na compra", diz Eilton Santiago, produtor da Canarinha. Uma garrafa da cachaça, que custa de R$ 80 a R$ 100, era vendida a R$ 200 pelo falsificador.

A concessão do selo será feita após análise de um comitê formado por nove pessoas, entre integrantes da Apacs, do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG).

Para ter direito ao selo, a empresa terá de comprovar que fabricou ou comprou cachaça na região de Salinas pelos últimos três anos. O selo terá um código que permitirá o rastreamento da fabricação até o produtor. A certificação será concedida pelo período de um ano e, após esse prazo, terá de ser renovada.

O selo de indicação geográfica é conferido a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem. Além dos produtores de cachaça de Salinas, apenas os de Parati, no Rio de Janeiro, já contam com essa certificação.

Produtos terão revendas autorizadas
Outra medida tomada pela Apacs para tentar evitar a falsificação é a criação de uma rede de revendas autorizadas em cidades com mais de 300 mil habitantes. Em dois anos, de 80 a 100 revendas deverão estar em funcionamento em todo o país.
Já existem contratos assinados em São Paulo (capital e Campinas), Rio de Janeiro (capital), Minas Gerais (Belo Horizonte, Uberlândia e Patrocínio), Brasília (Distrito Federal) e Goiás (Goiânia).

* Matéria assinada por Alana Freitas e publicada em 17/07/2013