PROPRIEDADE INTELECTUAL

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9 de Novembro de 2014 às 14:24

Pesquisadores brasileiros usam vespas para combater lagartas

Você sabe o que é bioeconomia? O repórter Tiago Eltz explica o que é e mostra por que o Brasil poderia ser líder mundial neste setor, mas não é.

Pequenininha e destruidora. “Isso está no Brasil inteiro, já é distribuída em todo o nosso território, e é a principal praga há 30 anos na cana-de-açúcar”, diz o diretor comercial Vinícius Lourenço Lopes.

A estimativa é que a lagarta cause um prejuízo de 5% aos produtores de cana no Brasil. Para combater a praga, uma empresa usa um bichinho ainda menor. Dentro de cada envelope tem duas mil vespas. Elas são as inimigas naturais das lagartas.

A lavoura é o campo de batalha dos insetos. Nela, as vespinhas são soltas aos milhares e procuram um por um dos ovos da lagarta. E acabam com eles. O controle da praga é feito de forma natural, sem usar nem uma gota de agrotóxico.

No microscópio, é possível ver o trabalho da vespa. Ela se alimenta do ovo da lagarta e coloca os seus ovos ali. Ela acaba com a praga e não causa dano nenhum à lavoura ou ao homem.

A empresa de biotecnologia que produz as vespas também pesquisa dezenas de outros insetos para fazer o controle natural de pragas, mas reclama da falta de apoio para o setor.

“Pesquisadores, a gente tem. Tecnologia, a gente tem. Porém, a gente não tem incentivo nenhum. Há muito mais incentivo para produzir agrotóxico do que para produzir um conceito biológico”, diz Vinícius Lourenço Lopes.

De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, esse é o sentimento do setor de bioeconomia, que, além da biotecnologia, engloba ainda o agronegócio e a saúde. Ela foi feita com empresários, políticos e acadêmicos e mostra que, para eles, o Brasil tem vantagens naturais sobre outros países e potencial para se tornar uma referência mundial em bioeconomia. Mas 77% dos entrevistados acham que o país está desperdiçando esse potencial, e 92% reclamam de problemas nas leis brasileiras e da burocracia. Hoje, o prazo médio para se conseguir uma patente no Brasil, por exemplo, é de quase 11 anos.

“Se a gente consegue melhorar esse ambiente regulatório no Brasil, consequentemente, o que a pesquisa nos indica, vamos desenvolver de forma bastante satisfatória o segmento da bioeconomia do Brasil”, comenta Diana Jungmann, coordenadora do Programa de Propriedade Intelectual da CNI.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o novo marco legal vai desburocratizar o setor. O projeto de lei está para ser votado no Congresso Nacional.

“É uma legislação extremamente moderna, que favorece os dois lados: a pesquisa e o desenvolvimento da indústria. Acho que, com isso, o Brasil dará um passo expressivo para assumir, com regras claras e segurança jurídica, um novo caminho em relação à bioindústria e à conservação da biodiversidade”, conclui a ministra.

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial disse que está aumentando o quadro de servidores para diminuir o tempo de análise de patentes.

* Disponível em http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/11/pesquisadores-brasileiros-usam-vespas-para-combater-lagartas.html