PROPRIEDADE INTELECTUAL

NOTÍCIAS

8 de Outubro de 2013 às 00:18

Ficar para trás

O Brasil corre o risco de ficar para trás em mais um mercado importante de tecnologia de ponta, como aconteceu na tecnologia da informação, que acabou sendo dominada por países asiáticos. A diferença agora é que o Brasil tinha vantagens capazes de colocá-lo à frente dos concorrentes, mas políticas equivocadas e leis que dificultam a pesquisa, desenvolvimento e inovação ameaçam fazer com que não desenvolvamos nosso potencial na biotecnologia.

E quais são as vantagens do País nos negócios gerados com base nas ciências da vida? Uma, que estamos cansados de ouvir, é a biodiversidade. Mas, como já escrevi, o atual marco regulatório para acesso ao patrimônio genético emperra as pesquisas na área. O pesquisador precisa de autorização do governo para começar seu trabalho, e a espera é tanta que tem gente que prefere até trabalhar com espécimes importados.

Outra vantagem brasileira é o etanol. Muito conhecimento foi gerado desde o lançamento do Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool), em 1975. A produção de etanol recebeu investimentos importantes em anos recentes, mas, atualmente, não existem novos projetos. A atual política para combustíveis, em que a gasolina é vendida a valores abaixo do mercado internacional, acaba criando dificuldades para o etanol brasileiro, que tem seu preço limitado pelo derivado do petróleo.

Diante desse cenário, como destinar os recursos necessários para o desenvolvimento de novas tecnologias de biocombustíveis, como o etanol de segunda geração, produzido a partir da celulose de qualquer parte da planta?
Existem outras vantagens competitivas, como o trabalho desenvolvido pela Embrapa, que fez do agronegócio nacional um ator importante no mercado internacional, e as pesquisas brasileiras na área médica, que colocam o País em evidência nas publicações científicas internacionais.

Agora, se não trocarmos políticas públicas que dificultam por políticas que incentivam, o risco é grande de essas vantagens não darem em nada. "A bioeconomia cresce a dois dígitos mundialmente", destaca José Augusto Fernandes, diretor de Políticas e Estratégicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). "Perdemos o bonde das TICs (tecnologias da informação e comunicação), mas não podemos perder esse."

A CNI realiza em São Paulo, na próxima quinta-feira, o 2.º Fórum de Bioeconomia. Durante o evento, será divulgada uma agenda com sugestões de incentivo ao setor para empresas, governo e academia. As principais medidas elencadas pelo documento são: modernização do marco regulatório, aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, adensamento da base científico-tecnológica, ampliação e modernização da infraestrutura laboratorial, estímulo ao empreendedorismo e disseminação da cultura da inovação.

* Texto assinado pelo colunista Renato Cruz e publicado em 06/10/2013