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1 de Julho de 2013 às 15:55

Famosa cachaça de Paraty ficou 94% mais cara

Quando o assunto é indicação geográfica, o Rio de Janeiro ensaia os primeiro passos. O mundialmente famoso biquíni carioca não tem reconhecimento oficial. O selo também não chegou às confecções de Nova Friburgo. Nas estatísticas do INPI, há apenas dois registros: para pedras do noroeste do estado e para a cachaça artesanal de Paraty.

Na cidade praiana, a bebida trilha um caminho rumo ao mercado internacional. Com o selo, ela ganhou fama e prestígio. A procura subiu e encareceu o produto. Quem quer degustá-la desembolsa um valor cada vez mais salgado. Após o selo, concedido há cinco anos, o preço da garrafa saltou de R$ 18 para até R$ 35, alta de 94%. Um dos motivos foi a necessidade, enfrentada por sete alambiques, de atender critérios para padronizar a produção de 300 mil litros por ano.

- A indicação geográfica ajudou a questão da visibilidade e isso valorizou muito a bebida - garante o vice-presidente da Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça Artesanal de Paraty (APACAP). No caso das rochas, o nome do estado virou marca. A primeira a receber o selo de qualidade foi a "pedra cinza Rio de Janeiro".

São 13 municípios no noroeste do Rio os responsáveis pela produção. O grupo já chegou a exportar US$ 1,5 milhão, mas a crise internacional achatou as vendas para outros países, que atualmente giram em torno de US$ 100 mil.

- A gente perdeu espaço por uma circunstância mundial, mas o selo ajuda e muito na retomada do mercado - afirmou o presidente do Sindicato de Extração e Aparelhamento de Ganaisses no Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, João Batista Fernandes Lopes.

A centenas de quilômetros, outra aposta na indicação geográfica atrai investimentos. O Porto Digital de Recife recebeu, em fevereiro deste ano, o selo do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Cinco das 240 empresas do polo de pesquisa e desenvolvimento de softwares têm o reconhecimento. É a primeira indicação de procedência para prestadores de serviço no mundo.

O polo de criação de sistemas de gestão empresarial, games, animação e até aplicativos para celulares fatura R$ 1 bilhão por ano. Quer se tornar uma referência para a tecnologia? Quem sabe o próximo Vale do Silício, o ícone da tecnologia mundial? Ainda distante do sonho americano, as exportações representam só 2% da produção. A expectativa é dobrar esse valor em quatro anos.

- O fato de ser o primeiro selo de serviços no mundo ajuda bastante - aposta o diretor de inovação do Porto Digital, Guilherme Calheiros.

* Matéria assinada por Gabriela Valente e publicada em 30/06/2013