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20 de Fevereiro de 2018 às 10:10

A hora e a vez do associativismo empresarial

A atuação coletiva dos empresários é imprescindível para defender a modernização das leis trabalhistas, a simplificação do Sistema Tributário, a redução de impostos e investimentos em infraestrutura.

Por:  Camilla Cavalcanti, gerente-executiva de Desenvolvimento Associativo da Confederação Nacional da Indústria

A união faz a força! Diariamente presenciamos ou lemos sobre situações em que pessoas se unem em prol de um objetivo comum, como ajudar quem precisa, apoiar ou contestar fatos e ideias, ou ainda criar novas soluções. No Brasil, a diversidade de projetos sociais, a atuação de movimentos políticos apartidários e a ampliação das plataformas de crowdfunding (financiamento coletivo) são exemplos dessa tendência.

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No entanto, esse lema ainda não é uma realidade entre os empresários. Isso porque, muitas vezes, eles se veem apenas como concorrentes, disputando palmo a palmo uma fatia no mercado. Se, por um lado, essa postura faz sentido – pois é preciso muito esforço para conquistar e fidelizar clientes –, por outro, há diversas situações em que a união do empresariado é fundamental para a competitividade dos negócios.

Representação Política

A atuação coletiva dos empresários é imprescindível, por exemplo, para defender a modernização das leis trabalhistas, a simplificação do Sistema Tributário, a redução de impostos e investimentos em infraestrutura. É para ajudá-los em questões como essas, relacionadas ao ambiente de negócios, que existem os 1.280 sindicatos empresarias da indústria, as 27 federações estaduais, as associações setoriais de âmbito nacional e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Fundadas sob o princípio do associativismo, essas organizações funcionam como catalisadoras das demandas dos empresários, sejam elas reclamações ou novas ideias. Elas transformam essas demandas em propostas e identificam, no governo ou em instituições privadas, os interlocutores corretos para apresentá-las. E vão além, buscando influenciar sua aprovação, o que resultará em leis, regras e procedimentos que proporcionem maior competitividade à indústria.

Na esfera federal, a afinação entre empresários, sindicatos empresariais, federações estaduais, associações setoriais e a CNI, por meio de argumentação técnica e transparente, certamente contribuiu para a recente aprovação da Lei 13.467/2017, que promoveu avanços significativos nas relações do trabalho.

Negociação Coletiva

O principal avanço promovido pela Lei 13.467/2017 foi a valorização da negociação coletiva, privilegiando o diálogo entre trabalhadores e empregadores, e conferindo segurança jurídica às convenções e acordos coletivos. Se, mesmo antes da nova lei, a negociação coletiva já ensejava a reunião periódica do empresariado para avaliação das perspectivas de cada setor e definição dos parâmetros norteadores da interação com os sindicatos laborais, o novo cenário eleva a importância desse processo.

Nesse sentido, o papel dos sindicatos empresariais, responsáveis legais pela negociação das convenções coletivas de trabalho, torna-se ainda mais estratégico. É fundamental, portanto, que empreendedores participem dos seus sindicatos, utilizando-os como instrumentos para levantar e compartilhar informações setoriais, bem como para planejar estratégias conjuntas a fim de alcançar o equilíbrio nas relações de trabalho.

Prestação de Serviços

E o espaço para o associativismo empresarial vai muito além. Agindo coletivamente, empresários podem aumentar seu poder de barganha, obter ganhos de escala e reduzir custos e riscos. É o que acontece, por exemplo, ao se criar uma central de compras de insumos, uma estação de tratamento de resíduos ou, ainda, ao desenvolver projetos relacionados a estágios pré-competitivos de produção, como a pesquisa de soluções inovadoras.

Nesse campo, novamente, os sindicatos empresariais desempenham um importante papel. Cabe a eles liderar o planejamento e a execução de iniciativas coletivas, e funcionar como interlocutores do setor junto a instituições de fomento e à academia.

Ademais, por serem conhecedores das necessidades das indústrias representadas, os sindicatos empresariais podem prestar-lhes serviços que impulsionem o seu desenvolvimento. Para tanto, contam com um diferencial significativo: por integrarem o Sistema Indústria – formado também pela Federação das Indústrias e por SESI, SENAI e IEL –, eles podem, em parceria com essas instituições, oferecer ações de excelência e com condições diferenciadas para empresas associadas.

Sonho ou realidade?

Se nada do que foi exposto fizer sentido para você, empresário industrial, antes de reclamar, criticar seus pares ou culpar as organizações de representação, pergunte-se: o que eu estou fazendo para converter esse sonho em realidade?

O associativismo não acontece por mágica. Para multiplicar resultados, é preciso unir forças. Faça parte desse movimento. A hora é agora!