Boa Prática

24/10/2018

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CENTRALPAN – CENTRAL DE COMPRAS DOS PANIFICADORES DO ES

Sindicato: SINDIPÃES – SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE PANIFICAÇÃO E CONFEITARIA DO ES

Presidente do sindicato: Luiz Carlos Azevedo de Almeida

Mandato: 1/2017 a 12/2020

Federação: FINDES

Início de execução da prática: 1/2017

Raio-X da prática

A CENTRALPAN é uma empresa atacadista que tem como detentores o sindicato e a Associação da indústria de panificação e confeitaria do Estado do ES.

O Serviço prestado pela Centralpan é de distribuição de produtos, insumos, matéria prima e embalagens para padarias e confeitarias associadas e não associadas ao sindicato. Este serviço, além de abastecer empresas do setor de panificação, atua como regulador de preços para o mercado, com agilidade em entrega. Os pedidos feitos por padarias associadas são entregues em até 24 horas. 

Além dos benefícios em prestação de serviço de distribuição de mercadorias e insumos, a Centralpan gera 3% (três por cento) do seu resultado operacional mensal para ajuda na manutenção da sede das entidades.


Como surgiu a ideia

A partir do ano 1990, os Supermercados viriam a se tornar os grandes concorrentes do setor de panificação com a introdução de produção de pães com preços mais baixos dos que os praticados nas padarias capixabas.

 

Em março de 1995, o sindicato arregimentaria um grupo de panificadores, sócios da entidade, com a finalidade de trabalhar coletivamente. O grupo era composto por oito empresários, do município de Vitória, número que logo cresceria para vinte, chegando em 1999 a 56 panificadores, todos com um bom nível de integração.

 

Em 1997, entretanto, tendo as dificuldades dos panificadores atingindo níveis insuportáveis, o sindicato, na época na gestão de Paulo Menegueli, buscou o apoio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL/ES) e do Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (IDEIES), ambos ligados à FINDES. Era quase um pedido de socorro à Federação das Indústrias capixaba, entidade que o sindicato, por sinal, ajudara a criar.

 

O que se pretendia era a realização de uma avaliação do setor, especialmente quanto aos seus problemas, e que resultasse na apresentação de um diagnóstico, e principalmente, de uma proposta de ações capaz de solucionar os principais problemas e dificuldades.

 

A proposta se tornaria o plano estratégico do Sindicato para biênio 97-98.

 

Na verdade, a expectativa com o estudo era a de serem mostradas portas que pudessem conduzir o setor a melhores dias, e, mais que tudo, indicar medidas para viabilizar a concorrência com os supermercados.

 

Dez ações foram sugeridas pelo plano do IEL/ES e IDEIES: a primeira, a estruturação do Conselho de Desenvolvimento da Panificação (CODEPAN). A segunda seria a criação de uma central de negócios para atender as panificadoras, em princípio, as da Grande Vitória.

 

Com isso, decidiu-se, ainda informalmente, criar-se uma organização coletiva de compras, logo denominada Centralpan, e que imediatamente passaria a funcionar.

 

Objetivando a sua ampla divulgação, no período 1997 a 1998 o projeto Centralpan seria então rotineiramente apresentado aos panificadores nas assembleias do sindicato, quando testemunhos dos produtores, já beneficiados com as compras coletivas, se manifestavam favoravelmente.

 

Relembre-se aqui que, na época da decisão de criação da Centralpan, em 1997, o segmento capixaba da panificação já enfrentava há mais de seis anos, muitas dificuldades causadas pela dura concorrência exercida pelas seções de padaria dos já bem estruturados supermercados, o que provocara a redução e estagnação do segmento.


Como fazer acontecer

Finalmente, em 28 de setembro de 1999, em uma assembleia geral conjunta do sindicato e da associação do setor, fora oficialmente criada a Centralpan, sendo o seu registro efetuado no Cartório de Registro Geral de Pessoas Jurídicas, com o nome de “CENTRALPAN – Central de Compras dos Panificadores do ES”.

 

Posteriormente, devido à conveniência de transformá-la em empresa atacadista, foi realizada uma alteração contratual, isso em 05/07/2004, quando a Centralpan passou a ser denominada “CENTRALPAN – Central de Compras dos Panificadores do ES Ltda.”, sendo então o seu registro transferido para a Junta Comercial do Estado do Espírito Santo.

 

O sindicato e a associação seriam, desde então, os únicos componentes da sociedade “CENTRALPAN – Central de Compras dos Panificadores do ES Ltda.”

 

Conforme consta no texto do contrato social vigente da Centralpan, o seu ramo de atividade seriam as mercadorias em geral (não especializadas) e, a forma do seu comércio, atacadista de produtos e equipamentos para panificadoras.

 

Na sua fundação o capital social foi estabelecido como sendo de R$ 30.000,00, dividido em 30.000 cotas, 15.000 atribuídas ao sindicato e 15.000 à associação.

 

Consta ainda no seu contrato social que “a administração da sociedade é exercida pelos sócios. As deliberações sociais são tomadas através de reuniões dos sócios”, por intermédio dos seus representantes.

 

Na época foi estabelecido que a gestão operacional da Centralpan seria exercida através de um coordenador, um secretário e um tesoureiro, indicados pelos cotistas.


Principais resultados

Os gestores da Centralpan sempre se preocuparam em viabilizar o alcance da chamada relação de ganho-ganho com os seus fornecedores, que ocorre quando a conclusão da negociação é boa para as duas partes. Isso garante a sustentabilidade dos interesses das partes envolvidas, beneficiando a Central, os seus usuários e os fornecedores.

 

Aliás, os fornecedores da Centralpan são tidos como seus parceiros, e não adversários.

 

Não há restrições à aquisição de produtos, bens e serviços pela Centralpan. Uma comprovação disso foi a compra coletiva de armários, fabricados em aço inoxidável, efetivada em junho de 2008.

 

Para a aquisição de novos equipamentos de produção, balanças impressoras, e outros produtos de alto valor financeiro, a Centralpan também realiza convênios, assemelhados a consórcios, com fornecedores, reunindo grupos de cerca de 20 panificadoras por “consórcio” para viabilizar a sua compra. Através desse mecanismo o pagamento dos equipamentos é feito em dez meses, com a entrega total ocorrendo no prazo de cinco meses, na base de um equipamento de cada vez, sendo entregues 2 por mês a contemplados sorteados.

 

Durante o racionamento de energia elétrica (crise energética de 2001) a Centralpan viabilizou a comercialização de 36 fornos à lenha (de eucalipto) a panificadores, utilizando a sistemática de “consórcio”.

 

Na loja de varejo da Centralpan são atendidos presencialmente clientes fazendo compras de emergência, buscando itens (produtos) fracionados e de menor consumo, bem como as panificadoras do interior do Estado. O atendimento e os pedidos dos demais clientes são feitos à distância (telefone, e-mail).

 

Em dezembro de 1997, através da Lei Federal N°. 9.532 (12/12/1997) e da Lei Estadual N°. 5.51/97 (21/12/1997), essa última com vigência a partir de 01/01/1998, surgiu a obrigatoriedade do uso da impressora fiscal térmica eletrônica (denominado Equipamento Emissor de Cupom Fiscal - ECF), em substituição à emissão manual das notas fiscais. Entretanto foi concedido aos panificadores um prazo de carência de um ano para a sua implementação, para que houvesse tempo de aprendizado técnico para a sua operação e obtenção de recursos financeiros para a aquisição dos equipamentos necessários. Tal fato conduziria as empresas panificadoras à informatização.

 

Entretanto, antes do efetivo uso dos ECFs a Centralpan já passara a oferecer cursos de informática aos seus usuários, dado a sua importância do emprego de programas de computador no gerenciamento dos estabelecimentos (emprego de programas específicos para dinamização da sua gestão).

 

Inicialmente, em julho de 1999 mais de 50 empresas participaram de capacitações para informatização de suas lojas.

 

Por outro lado passara a haver demandada pela prestação de serviços de software, além da execução de trabalhos de reparo e manutenção dos equipamentos (hardware) informatizados.

 

Foi quando a Centralpan conseguiu atrair para a Grande Vitória empresas especializadas no desenvolvimento de softwares para o setor.

 

A iniciativa ensejou maior segurança e melhores preços para os clientes da Centralpan, já que as empresas também cuidaria do reparo e manutenção de equipamentos eletrônicos das panificadoras.

 

 

Estava sendo assim iniciada a informatização das padarias capixabas.

 

 

 

Resumidamente apresentam-se, na sequência, os principais resultados obtidos pela Centralpan em favor dos seus usuários e do setor:

 


  • Disponibilização de cerca de 700 itens dos mais diversos produtos;

  • Oferta de produtos a preços cerca de 10 a 20% abaixo do praticado no mercado;

  • Redução expressiva dos custos de produção;

  • Modernização das práticas operacionais e dos negócios das padarias,

  • Proporcionou maior segurança para os usuários através da aquisição de matérias primas, insumos, bens e serviços de qualidade;

  • Permitiu o crescimento da competitividade das empresas panificadoras capixabas, ensejando, inclusive, o aumento da autoestima dos seus proprietários e colaboradores;

  • Ensejou aos panificadores a compreensão da importância das ações coletivas, proporcionando o desenvolvimento da confiança mútua, a troca de experiências entre os empresários do setor;

  • Proporcionou a melhoria dos resultados financeiros das padarias, possibilitando o crescimento da sua capacidade competitiva e a expansão do setor;

  • Conseguiu-se, através da Centralpan, estabelecer uma relação diferenciada com o mercado;

  • Passou a determinar o preço médio do mercado, que foi reduzido a partir de 2002.

 

Caso de Sucesso: A Centralpan foi contemplada com um livro dentro do projeto Casos de Sucesso: História de Sucesso Central de Negócios do SEBRAE NACIONAL com objetivo de difundir conhecimentos, sensibilizar e capacitar pequenos e médios empresários e divulgar experiências bem sucedidas da Centralpan.

 

Centralpan em números:

Negócios gerados nos últimos 3 anos: R$ 9 milhões.

Número de empresas de panificação atendidas: 100 empresas mês.

Itens negociados: 750 produtos.

Valor médio de repasse mensal para o Sindipães: R$ 7.000,00 mês.


Saiba mais

Se você tem interesse em obter mais informações sobre a boa prática, entre em contato com o sindicato ou com a FINDES.

SINDIPÃES – SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE PANIFICAÇÃO E CONFEITARIA DO ES/ES: secretaria@sindipaes.org.br

FINDES: pda@findes.org.br