Boa Prática

15/10/2018

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QUALIFICAÇÃO PARA SEGURANÇA NO TRABALHO

Sindicato: SINDICATO DAS EMPRESAS DE ELETRICIDADE, GÁS, ÁGUA, OBRAS E SERVIÇOS DO ESTADO DO PARANÁ - SINELTEPAR

Presidente do sindicato: Miguel Ângelo Mores

Mandato: 1/2016 a 11/2018

Federação: FIEP - PR

Início de execução da prática: 1/2017

Raio-X da prática

O case ora apresentado se trata de ação desenvolvida pelo sindicato no eixo de atuação como prestador de serviços: a criação de curso específico de qualificação para eletricistas, o qual visou o desenvolvimento de treinamento que se tornou referência setorial a ponto de ser “encampado” como componente do portfólio de cursos ofertados pelo SENAI-PR.



Tal iniciativa teve início com a criação de uma escola própria, devidamente regularizada e inscrita pelo Sistema Oficial de Ensino, e possibilitou a oferta de cursos mais específicos aos setores empresariais representados pela entidade, aos colaboradores das empresas associadas e à coletividade. A participação do sindicato na criação e a oferta do curso ora apresentado materializou na prática a aplicação dos conceitos do fomento ao associativismo, tratou-se de iniciativa inédita e inovadora, cujo êxito também merece ser repartido com as parcerias com outras entidades (SENAI, COPEL, Ministério Público), inclusive servindo de modelo para aplicação em outros estados, tendo como pano de fundo a responsabilidade social da entidade e de seus associados na medida em que a qualificação buscada por este curso objetiva ênfase total no aperfeiçoamento teórico-prático das questões de procedimentos e de segurança do trabalho, notadamente em um setor de alto risco como o de construção e manutenção de obras elétricas.


Como surgiu a ideia

Em meados de 2005, o setor elétrico paranaense encontrava-se em ritmo acelerado, muitas equipes de construção e manutenção de redes elétricas em alta e baixa tensão.



Dentre estas equipes de trabalho, eletricistas que estão constantemente trabalhando dentro da área de risco e controlada. As áreas de riscos são áreas no entorno dos cabos energizados em que a simples aproximação pode resultar em acidentes.



O trabalho destes eletricistas consta em instalações de cabos e equipamentos elétricos, onde a tensão é variável entre 127 volts indo até a 13.800 volts, tensões estas que podem resultar em acidentes graves, muitas vezes fatais.



A ideia surgiu de uma necessidade de qualificação dos profissionais do setor, pois o problema destes eletricistas era a falta de informações sobre os riscos envolvidos, desde o choque elétrico, trabalho em altura, além de riscos adicionais.



A combinação de excesso de serviços e falta de qualificação dos eletricistas, resultou em acidentes graves e fatais, que na percepção da categoria, poderiam ser evitados através do treinamento.


Como fazer acontecer

Conforme já exposto, a criação do centro de treinamento pelo sindicato se deu no ano de 2.007, por força de um termo de ajustamento firmado entre a entidade, a COPEL e o Ministério Público do Estado do Paraná, com o intuito de atuar preventivamente visando questões de segurança do trabalho, através da necessidade de qualificação dos eletricistas que trabalham nas empresas de construções e manutenção elétrica junto à concessionária de energia estadual.

Assim, considerando-se que o sindicato possuía como associadas grande parte das empresas cadastradas e contratadas pela COPEL para estes tipos de serviços, a Diretoria e os associados deliberaram pela criação de Centro de Educação Profissional devidamente regulamentado e inscrito no Sistema Oficial de Ensino (Ministério da Educação e Secretaria Estadual de Educação), inicialmente para atendimento exclusivo de associados da entidade.

Para tanto, houve a necessidade da contratação de pessoal específico e experiente para trabalharem na escola (diretora pedagógica, secretário escolar, coordenador de curso e estágio, professores), além da necessidade de locação de espaços (salas de aulas), aquisição de materiais (retroprojetores, quadros escolares, carteiras, mesas) e a construção de redes didáticas em diversos pontos do estado para atender à meta de qualificação dos eletricistas nos termos ajustados.



O curso em questão, possui 256 horas aula, e contempla 40 horas de curso de NR10 – Básico – Segurança em Serviços e Instalações Elétricas, 40 horas de curso de NR10 – Complementar – Segurança no Sistema Elétrico de Potência e em suas Proximidades, 16 horas de curso de NR35 – Trabalho em Altura e Salvamento em Estruturas Elevadas e 160 horas do curso de Instalador de Linhas Elétricas de Alta e Baixa Tensão, Rede Compacta e GSST – Linha Morta.



Por se tratar de uma área de atuação extremamente específica, o treinamento é ministrado por instrutores que possuem décadas de atuação e vivência na função de eletricista de redes de distribuição.



A concretização da ideia se deveu ao apoio efetivo dos associados e à expertise adquirida através da criação do centro de formação profissional próprio do sindicato, com a contratação de profissionais gabaritados e específicos para a obtenção da qualidade plena do curso, através da criação de metodologia pedagógica própria, desenvolvimento de materiais de apoio (apostilas), capacitação e avaliação permanente do corpo docente.

De início, houve a necessidade de investimentos financeiros consideráveis, custeados integralmente pelo sindicato, e que ao longo do tempo foram amortizados de forma a permitir que a escola se tornasse financeiramente independente para sua manutenção, não gerando lucros expressivos, mas trabalhando dentro de um orçamento que permitisse a sua auto- sustentabilidade financeira.

O curso tornou-se referência no Estado e por isso no ano de 2013, o SENAI/PR manifestou interesse em formalizar parceria que permitiu a cogestão da coordenação pedagógica do curso, em que o sindicato participou com a indicação dos instrutores das áreas específicas dos setores de construção, manutenção e operação de redes de distribuição aérea, e infraestrutura para treinamento prático e o SENAI com a coparticipação da coordenação pedagógica e certificação do referido curso.

Atualmente, o curso de qualificação de eletricistas ministrado pelo sindicato é amplamente reconhecido em várias concessionárias de distribuição de energia do país, sendo inclusive frequentado por colaboradores da COPEL.

No mês de abril/2018, o sindicato recebeu a visita de vários empresários dos setores de construção e manutenção de redes elétricas do estado de Santa Catarina e de gestores de segurança do trabalho da CELESC – Centrais Elétricas de Santa Catarina, objetivando justamente conhecer a formatação, metodologia e conteúdo programático do curso para que este modelo seja aplicado também pela concessionária catarinense, o que já restou aprovado pela Diretoria desta estatal, e que possivelmente será também ministrado pelo sindicato.

Ressalte-se que desde o ano de 2.016, várias empresas do estado de Santa Catarina se associaram ao sindicato visando a participação de seus eletricistas nos cursos ministrados pelo sindicato, sendo certo que mais empresas do estado vizinho também o farão devido à exigência de qualificação de eletricistas que a concessionária catarinense passará a adotar.

A expansão da oferta do curso ora apresentado, e também dos demais cursos exigidos aos colaboradores do setor elétrico (NR-10, NR-12, NR-35, GSST, dentre outros), os quais também são ofertados e ministrados pela escola do sindicato, demonstram o compromisso da entidade e de sua diretoria em alavancar a arrecadação através da prestação de serviços, com o fito de minimizar os efeitos da sensível diminuição da arrecadação decorrente do fim da obrigatoriedade do recolhimento da contribuição sindical patronal.


Principais resultados

Os principais resultados da boa prática ora trazida podem ser dimensionados nas seguintes frentes:


  1. Aumento da base de associados e atendimento pleno do termo de ajuste: a implantação do curso de eletricistas permitiu não só a efetivação do sindicato como prestador de serviços (através da criação de sua escola), como também o atendimento às metas de alunos qualificados constantes no ajuste, além do incremento de 20% da base de associados (63 em 2.008 para 76 atualmente) e a extensão do quadro de associados também a empresas do Estado de Santa Catarina;

  2. Caráter inovador do curso: a participação do sindicato na elaboração do desenvolvimento do curso, seu conteúdo programático e a efetiva aplicação do mesmo pela sua escola tratou-se de iniciativa e projetos novos, uma experiência 100% inovadora;

  3. Reconhecimento da prática visando melhoria da visibilidade da entidade junto aos associados e à sociedade, benefícios ao sindicato e responsabilidade social: tais situações revelam-se através da formalização de parceria junto ao SENAI-PR para co-gestão do curso, reconhecendo a excelência do mesmo. Também no ano de 2.011, a escola criada pelo sindicato, que tem o curso de qualificação de eletricistas como carro-chefe, foi reconhecida pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná como case de sucesso, sendo apresentada a todos os sindicatos do Paraná no encontro realizado naquele ano. Some-se a isto o fato da COPEL encaminhar seus colaboradores para participarem das turmas do curso e ao interesse da CELESC e das empresas catarinenses em instituírem o modelo adotado pelo sindicato para qualificação dos eletricistas daquele estado. Quanto aos benefícios às associadas e responsabilidade social da iniciativa, esta pode ser mensurada com os resultados expressivos na diminuição considerável do número de acidentes (inclusive graves e fatais) ocorridos nas empresas após 2.007, conforme números já mencionados;

  4. Formalização de parcerias: em decorrência do desenvolvimento do curso, o sindicato está formalizando parceria com empresas catarinenses e com a CELSC para qualificar os eletricistas daquele estado, sem contar parcerias instituídas com o SINDIMIG, SENAI-MG  e grupo de trabalho permanente com a COPEL para estudos visando melhorias nas formas de qualificação de eletricistas, além da parceria firmada com o SENAI-PR que garante apoio financeiro para o curso com investimentos totalmente revertidos à sua escola;

  5. Replicabilidade da iniciativa a outros parceiros: a especificidade da natureza do curso aliada a ausência de sindicatos de categoria econômica similares à do sindicato no Brasil tendem a permitir uma análise de dificuldade da replicabilidade da iniciativa a outras entidades. No entanto, conforme já mencionado, o Estado de Santa Catarina, através da CELESC, está implantando modelo idêntico ao desenvolvido pelo sindicato. Mas a ideia em si, de detecção de uma necessidade e exigência indispensável a um setor específico (no caso, diminuição de acidentes de trabalho através da qualificação de eletricistas), somado à iniciativa concreta (criação de uma escola e desenvolvimento de curso específico), baseada no trabalho e envolvimento de parceiros diversos com o mesmo objetivo (no caso, COPEL, SENAI, Ministério Público), buscando a excelência na prestação de serviços e contando com o engajamento de associados e de empresas do setor, espelha ideia que deve nortear os sindicatos patronais para enfrentamento da nova realidade que os mesmos devem superar para subsistirem.



O sindicato qualificou aproximadamente 2.080 profissionais no curso de Qualificação de Instalador de Linhas Elétricas de Alta e Baixa Tensão, Rede Compacta e GSST – Linha Morta, no período de 2008 a 2018.



Também como resultado da implantação do curso, houve uma diminuição do número de acidentes de origem elétrica na rede elétrica com terceirizados, passando em 2008, com aproximadamente 97 acidentes com ou sem afastamento e fatais, para 6 acidentes em 2016 e 3 acidentes em 2017.


Saiba mais

Se você tem interesse em obter mais informações sobre a boa prática, entre em contato com o sindicato ou com a FIEP - PR.

SINDICATO DAS EMPRESAS DE ELETRICIDADE, GÁS, ÁGUA, OBRAS E SERVIÇOS DO ESTADO DO PARANÁ - SINELTEPAR/PR: maria.lopes@sistemafiep.org.br

FIEP - PR: ger.sindicatos@fiepr.org.br