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BOAS-VINDAS

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Robson Braga de Andrade

Presidente da CNI

BOAS-VINDAS

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Robson Braga de Andrade

Presidente da CNI

A crise econômica e social provocada pelo novo coronavírus dá a exata dimensão da importância que a ciência, a tecnologia e a inovação (CT&I) têm, neste momento de crise, e terão, em breve, para superá-la. É por esse caminho que as sociedades, em face da ameaça da maior pandemia dos últimos 100 anos, responderão, seja para se manterem ativas e produzindo, seja para se adequarem a uma realidade que ainda desconhecemos.

 

A história da humanidade é marcada pelo protagonismo da ciência e seu papel fundamental na superação de crises. Foi assim nas epidemias e endemias de peste, de sarampo e de outras doenças. Há pouco mais de um século, observava-se uma revolta diante do desconhecido: as vacinas. Hoje, testemunhamos, talvez, o maior esforço global em busca de uma cura que permita que retornemos à normalidade o mais brevemente possível.

 

Nesses tempos difíceis, estamos acompanhando a parceria de pequenas indústrias com grandes, e de empresas com a academia, para vencer o desafio de aumentar a produção nacional a curto prazo, principalmente devido à desestruturação da cadeia de suprimentos, em especial dos importados. Com conhecimento especializado, multinacionais brasileiras têm dado suporte para que as pequenas possam ampliar a produção de respiradores, por exemplo.

 

O SENAI tem exercido papel relevante nesses esforços, no apoio às indústrias na reconversão de linhas de produção ou por meio de seus Institutos de Inovação e de Tecnologia em todo o país. Já vemos o progresso de protótipos de respiradores e de outros projetos que contribuirão para a segurança dos profissionais de saúde e para o melhor atendimento da população.

 

Nesse contexto, as empresas participantes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) têm feito o seu papel em prol da sociedade e de nosso setor produtivo, mostrando estar na vanguarda nacional da ciência, pesquisa e inovação. Esse esforço se torna ainda mais notável diante dos entraves às práticas inovadoras no país.

 

A gravidade da situação que enfrentamos atualmente reforça a missão da MEI de contribuir para que a cultura da inovação permeie toda a sociedade.

 

Robson Braga de Andrade
Presidente da CNI

 

COM A PALAVRA

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Mauro Kern

Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da Embraer – Aviação Comercial

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Mauro Kern

Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da Embraer – Aviação Comercial

O mundo vive um momento crítico com a pandemia de Covid-19. São muitas as incertezas sobre o futuro, sobre qual o grau de recessão econômica enfrentaremos, como as cadeias produtivas vão se reorganizar e até mesmo como o movimento de globalização se comportará daqui em diante. Mas frente a tantas dúvidas, uma coisa é certa: educação, ciência, tecnologia e inovação (CT&I) ocupam um papel fundamental nas respostas à crise, a maior do último século, e permanecerão cruciais para a retomada do crescimento econômico e do desenvolvimento social.

 

Educação e CT&I estão conectados, são parte de um mesmo contínuo, que começa na educação (nas escolas) e chega até a inovação (nas empresas). Projetos de nação iniciam nas escolas, com a formação educacional de crianças e jovens. Avanços científicos e tecnológicos dependem do trabalho de bons pesquisadores. Assim como projetos inovadores nas empresas são desenvolvidos com o apoio de equipes talentosas.

 

A Embraer é uma boa referência neste sentido. Por reconhecer o valor da qualificação de recursos humanos, a Embraer possui programas de estímulo à formação de pessoal do nível médio à pós-graduação. Nos dois colégios mantidos pela empresa, alunos do ensino médio (na maioria de baixa renda e vindos da rede pública) têm aulas em período integral, aprendizado baseado em projetos, acesso a laboratórios, atividades interdisciplinares e em grupo, entre outras. Mais de 80% são aprovados em universidades públicas. No programa de especialização em engenharia (PEE), oferecido há quase duas décadas em parceria com o ITA, egressos de diversas modalidades da Engenharia são selecionados para dois anos de formação na empresa, recebendo ao final o título de mestrado profissional. Esses profissionais constituíram 1/3 do time de engenharia do KC-390. Também com o ITA, e em parceria com o CNPq, foi criado o doutorado acadêmico industrial, com participação de orientadores do ITA e da EMBRAER, visando abordar desafios tecnológicos de interesse comum. Iniciativas como essas são necessárias para atrair e manter profissionais bem preparados, capazes de desenvolver produtos e tecnologias que permitam à empresa competir globalmente. É na engenharia altamente qualificada da Embraer que está um de seus maiores ativos.

 

A percepção de que capital humano capacitado, e em especial de engenharia, é parte do diferencial competitivo das empresas tem levado a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) a atuar em favor da modernização do ensino de Engenharia no país. Com esse propósito, foi criado um Grupo de Trabalho em 2016, reunindo representantes de empresas, universidades, governo e instituições representativas da sociedade; em 2019, o GT ampliou o escopo das discussões, passando a se chamar Grupo de Trabalho de Engenharias/STEAM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática).

 

Dentre as ações desse Grupo, destaca-se o apoio à revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para o Curso de Graduação em Engenharia aprovadas em 2019. Foi a primeira vez que o setor empresarial participou nesse processo de reformulação. O novo documento, que já entrou em vigor, incluiu diversas demandas da indústria, talvez a principal delas, a necessidade de atualização dos currículos e metodologias a fim de preparar os estudantes para economia global do século 21.

 

Com isso, essas novas DCNs transferiram o foco de uma educação voltada a conteúdos para uma educação baseada em competências, habilidades e atitudes. O ponto chave é oferecer uma formação que efetivamente prepare os egressos para terem acesso a melhores oportunidades de emprego, para empreender, para contribuir com a solução de desafios da sociedade e das empresas e para que tenham autonomia na vida. Essa mudança, que pode parecer sutil, exigirá de diversas instituições de educação superior (IES) repensar todo o processo de aprendizagem. Na nova abordagem, ganham força o aprendizado baseado em desafios – que permite explorar a interdicisplinaridade, o pensamento crítico, a visão sistêmica, atividades em equipe; a importância de interlocução dos cursos com a sociedade e o mercado; o estímulo à uma atitude empreendedora; a necessidade de capacitar professores em metodologias de aprendizagem ativa e de valorizar a atividade docente; a aplicação de novas formas de avaliação de alunos e da autoavaliação institucional, entre outros aspectos.

 

Por ser um tema central, são correntes as discussões sobre educação e atualização das formas de ensino. Em relatório recentemente publicado pela Unidade de Inteligência da revista The Economist, New Schools of Thought: Innovative Models for Delivering Higher Education (2020) afirma-se que “os tradicionais modelos de ensino superior precisarão evoluir para que seu impacto nas economias e nas sociedades seja tão relevante nas próximas seis décadas, como foi no passado.” São descritos modelos que poderiam responder aos desafios do mundo atual, um deles é muito próximo ao que está sendo defendido aqui. A chamada “aprendizagem experimental” é baseada em projetos conduzidos pelos estudantes e com mais ênfase na aplicação prática do conhecimento, na resolução criativa de problemas. “Dado que a economia digital requer pensamento não convencional e capacidade de reunir ideias de diversas fontes, é provável que esse foco gere graduados com maior conjunto de habilidades gerais”, aponta o estudo.

 

Os caminhos que as instituições de ensino podem trilhar variam e dependem do seu contexto. Mas está claro que é importante revisitar sistematicamente as políticas institucionais de educação, a fim de acompanhar as mudanças e a evolução da sociedade. O Brasil tem agora o desafio de implementar as novas DCNs. As lideranças das IES são protagonistas nesse processo de concepção de novos planos pedagógicos e definição do perfil do aluno que se comprometem a formar. Mas as empresas e os ecossistemas de inovação também podem e devem se engajar nesse movimento. Ao setor produtivo cabe receber alunos para estágios, envolvê-los em projetos, participar de atividades de formação, como palestras, minicursos, feiras, hachathons, desenvolver projetos cooperativos com as IES e mesmo integrar fóruns ou conselhos que tratem as demandas para a Engenharia.Aos ecossistemas de inovação cabe desenvolver ambientes que estimulem a colaboração entre as empresas e as universidades e centros de pesquisa, a criatividade, a inovação e os mecanismos de geração de novos empreendimentos.

 

Com o objetivo de acelerar a modernização dos cursos, a Confederação Nacional da Indústria, por meio do GT de Engenharia/STEAM da MEI, o Conselho Nacional de Educação, a Associação Brasileira de Educação em Engenharia e o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia organizaram em conjunto um documento com orientações para dar suporte às IES na implantação das novas DCNs. O lançamento da publicação está previsto para junho. Convido as empresas da MEI a participarem dessa relevante iniciativa pela melhoria da educação em Engenharia no país. A sinergia entre os atores é fundamental para o sucesso da ação e para o alcance de resultados benéficos para todos.

 

Mauro Kern
Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da Embraer – Aviação Comercial

 

CIÊNCIA NA PRÁTICA

Para suprir as necessidades urgentes de respiradores do mercado interno, universidades brasileiras começaram a desenvolver soluções de baixo custo. Tanto a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quanto a Universidade de São Paulo (USP) estão com projetos em desenvolvimento em parceria com empresas.


A produção e a disponibilidade de respiradores para aquisição têm sido um dos maiores desafios no tratamento da população com Covid-19. Essas máquinas auxiliam os pulmões na inspiração e expiração e são fundamentais no tratamento dos casos mais graves, quando o paciente apresenta um quadro de insuficiência respiratória. Em alguns países, como a Itália e Espanha, a falta desses aparelhos levou médicos a difícil decisão de quem iriam tratar. De acordo com estudo da New England Journal of Medicine, a cada 1.099 casos na China, 6,1% necessitaram de ventilação mecânica.


No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde (MS), em março, havia 65.411 aparelhos disponíveis, dos quais 46.663 no Sistema Único de Saúde (SUS) e 18.748 na rede privada.  O número, considerado insuficiente para o atendimento da população da rede pública, levou o MS a uma corrida pela compra desses equipamentos, no Brasil e no exterior. Contudo, até o início do mês de maio, apenas uma pequena parte do material adquirido havia sido entregue. As empresas nacionais têm tido dificuldade para ampliar a produção por falta de componentes importados, que estão escassos devido à grande demanda. 
 

Atenta à oportunidade de suprir essa carência, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) construiu, em menos de dois meses, o protótipo do Ventilador de Exceção para Covid-19 (VExCO), que se beneficiou em larga medida das pesquisas e do conhecimento acumulado no Laboratório de Engenharia Pulmonar da universidade.


A partir de mensagem compartilhada via redes sociais, o professor Jurandir Nadal, coordenador da iniciativa, conseguiu apoio de pessoas físicas e de instituições dispostas a colaborar. O pedido de financiamento aprovado em tempo recorde pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) viabilizou o desenvolvimento do protótipo, que conta hoje com aproximadamente cinquenta participantes, diretos ou indiretos, em sua execução.


Duas empresas foram engajadas já na fase de concepção do produto. “A Whirlpool foi muito importante, porque nos deu a visão de uma empresa que poderia produzir, uma indústria que tinha contato de fornecedores”, conta o professor Nadal. A outra empresa, a Petrobras, alocou pessoas diretamente na ação. Por isso, o coordenador define o projeto como das três organizações. 


Mesmo com a importante rede de cooperação, ainda existem obstáculos para o fornecimento de peças para produção.  Também é preciso lidar com as políticas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), cujas regras para instituições que não têm comprovada experiência na fabricação desses equipamentos médicos – como é o caso da universidade e da Whirlpool, – dificultam a aprovação do produto. Apesar de todos os percalços, a meta é produzir 1.000 unidades, que deverão ser destinadas, preferencialmente, ao estado fluminense. Outros acordos estão em negociação com Pernambuco e Mato Grosso, com possibilidade para atender a outros locais, desde que existam recursos. “Nesse sentido, é muito bem-vindo o auxílio de qualquer indústria, na forma de doação ou convênio, para desenvolver os equipamentos e fazê-los chegar aos pacientes”, conclui Jurandir Nadal. 


A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) é outro exemplo de inciativa acadêmica. Sob a coordenação dos professores Marcelo Knörich Zuffo e Raúl Gonzalez Lima, foi formada uma equipe multidisciplinar que conseguiu, em 45 dias, criar um ventilador pulmonar emergencial de baixo custo, batizado de INSPIRE. 


Os coordenadores estabeleceram três premissas para a construção o projeto: simplicidade, custo baixo e facilidade de fabricação. Para atender a premissa de baixo custo, o valor aproximado para a fabricação do INSPIRE é de mil reais. No que concerne à facilidade de fabricação, a construção é principalmente baseada em partes e peças facilmente encontradas no mercado brasileiro e o tempo para a sua montagem é inferior a duas horas. 


O protótipo respondeu positivamente aos testes em animais e humanos e entrará em produção em parceria com a Marinha. A expectativa é que a equipe fabrique cerca de 1.000 unidades para o sistema público de saúde.


O trabalho conta com mais de uma centena de colaboradores. “(Este é) um avião que está sendo montado em pleno voo e continua crescendo, pois estamos montando vários grupos de trabalho”, conta o professor Marcelo Zuffo. De fato, o INSPIRE foi viabilizado por meio de uma ampla rede de parceiros, que, além de aporte financeiro, auxilia com apoio logístico de suprimentos e na discussão do projeto. Até o momento, são cerca de 25 instituições colaboradoras, como o SENAI-SP, o Instituto de Pesquisa Tecnológicas (IPT), as Faculdades de Medicina, Veterinária e Direito da USP, a Marinha, o Bradesco, a Votorantim, entre outras.  
Sobre os desafios para a implementação do projeto, o coordenador relata que “várias são intrínsecas à celeridade, à impossibilidade de errar.” Mas, segundo ele, há também os desafios da produção, que envolvem a transposição da limitação da cadeia de suprimentos, inclusive forçando um processo de nacionalização de partes e peças para viabilizar a produção. 


Por enfrentar esse desafio de acesso a insumos, Zuffo entende que uma das lições trazidas pelo projeto é a necessidade de se repensar a globalização, pelo menos no que tange à existência da indústria. “Em um momento de produção ágil, como a situação exige, é necessário que tenhamos o mínimo de adensamento industrial local para poder responder situações como a de Covid-19. Nós não podemos ter todo o nosso suprimento e fonte de fornecimento de base tecnológica em duas nações no mundo”, conclui.   


Para saber mais sobre os projetos e como contribuir, visite os sites de cada um deles: VExCO e INSPIRE.

 

 

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Modelo 3D do INSPIRE, desenvolvido pela Escola Politécnica da USP

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Respirador artificial construído em menos de dois meses por pesquisadores da UFRJ

OLHAR ECONÔMICO

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Indicadores econômicos 

 

Pesquisas realizadas pela gerência de Economia da CNI apontam forte impacto na indústria causado pela pandemia da COVID-19. Dados dos Indicadores Industriais da CNI mostram que os efeitos da pandemia sobre a atividade econômica foram severos em março de 2020. Frente a fevereiro, o faturamento real da indústria caiu 4,8%, as horas trabalhadas na produção recuaram 1,8% e o emprego industrial, 0,7%. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu 2,5 pontos percentuais, para 76%, o segundo menor valor da série, só superando os 75,9% registrados em maio de 2018, durante a paralisação dos caminhoneiros.

 

A Sondagem Especial sobre a pandemia em abril mostrou que sete em cada dez empresas industriais citam a queda no faturamento entre os cinco principais impactos da Covid-19. O segundo maior impacto da crise no dia a dia das empresas foi a queda na produção: 76% reduziram ou paralisaram a produção. De acordo com a pesquisa, 59% dos empresários estão com dificuldades para cumprir com os pagamentos correntes e 55% relataram que o acesso a capital de giro ficou mais difícil. Entre as medidas tomadas em relação à mão de obra, 15% das empresas demitiram.

 

Já o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) obtido no início de maio antecipa que os efeitos da pandemia seguirão severos no mês. O ICEI manteve-se praticamente inalterado na passagem de abril para maio, passando de 34,5 para 34,7 pontos. Com isso, o ICEI se mantém no menor patamar da série, alcançado em abril após queda de 25,8 registrado no mês anterior.

 

Dados do Informe Conjuntural do primeiro trimestre de 2020 indicam que a recuperação gradual da atividade industrial, observada no início do ano, foi barrada pela pandemia. Fatores como a queda da demanda do mercado interno, queda das exportações e falta de insumos levaram à brusca retração no faturamento industrial. O impacto foi maior nos setores de bens de consumo duráveis (móveis, vestuário, calçados, automóveis e eletrônicos) e menor nos setores de produtos de limpeza e higiene pessoal, farmoquímicos e farmacêuticos e alimentos.

 

De acordo com estimativas apresentadas no Informe Conjuntural, no cenário base, que levam em consideração as medidas econômicas do governo federal, haverá queda do PIB no primeiro e segundo trimestres do ano, com possível recuperação econômica a partir de junho. Nesse cenário, estima-se que o PIB de 2020 registrará queda de 4,2% com relação à 2019, enquanto o industrial poderá cair 3,9%.

 

MEI EM AÇÃO

Por meio de sugestões e recomendações, a MEI contribui para a formulação de políticas mais eficazes, para o aprimoramento e o fortalecimento da cultura de inovação.

O ecossistema de inovação brasileiro depende de políticas eficazes e do engajamento empresarial, em parceria com o governo

 

O trabalho da MEI, ao longo dos anos, se constitui como importante ferramenta de promoção do engajamento empresarial para que o Brasil possa encarar as ondas de transformação, inclusive em tempos de crise. Por meio de sugestões e recomendações, a MEI contribui para a formulação de políticas mais eficazes, para o aprimoramento e o fortalecimento da cultura de inovação.

 

A seguir, estão as principais ações de defesa de interesse da MEI e firmamento de parceria nas últimas semanas.

 

Projetos de Lei para aprimoramento da Lei do Bem e do FNDCT

 

A Diretoria de Inovação da CNI, com a colaboração de empresas e parceiros da MEI, apresentou ao senador Izalci Lucas duas propostas de projetos de lei a fim de aprimorar o FNDCT e a Lei do Bem.

 

Em suma, os projetos de lei buscam:

 

FNDCT: vedar o contingenciamento para CT&I e possibilitar que o FNDCT seja um fundo de natureza contábil e financeira.

 

Lei do Bem: permitir o uso do benefício em anos subsequentes, mesmo em caso de prejuízo; a dedução fiscal com base na aplicação em fundos de investimento e participações (FIPs) ou outros instrumentos autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que se destinem à capitalização de empresas de base tecnológica; a dedução direta, ao invés de subvenção, para empresas que contratem mestres e doutores para atividades de P&D, entre outros aprimoramentos.

 

O senador Izalci Lucas, presidente da Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação, já apresentou ambos os projetos. Agora, os projetos seguem o rito do processo legislativo. Primeiro, haverá a definição de quais comissões irão analisar e fornecer parecer. Depois, poderão ser votados em plenário.

 

Cláusulas obrigatórias/compulsórias de P&D – ANEEL e ANP

 

A crise causada pela pandemia tem mostrado a importância do investimento em pesquisa e tecnologia como meio de garantir a saúde e preservar a vida das pessoas.

 

Resultados da investigação científica não são programáveis a curto prazo. Em geral, exigem trabalho contínuo e longo para que possam gerar, direta ou indiretamente, bens e serviços para a população. A decisão de investir em C&T, portanto, exige comprometimento e visão de futuro, pois os resultados mais visíveis podem surgir num tempo que ultrapassa o período de uma administração.

 

Nessa chave, a MEI é contrária às medidas que cogitam suspender investimentos em pesquisa da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da Agência Nacional de Petróleo (ANP) durante a pandemia. Além da necessidade de perenidade dos recursos, é preciso considerar que a despeito do montante de investimento em P&D das empresas do setor elétrico e de petróleo e gás muitas vezes aparecer como “disponível” para o governo, ou seja, sem destinação, na verdade os recursos estão empenhados com projetos que virão a ser executados. Mesmo que temporária, a suspensão desses recursos pode interromper trajetórias de pesquisa, sem que seja possível recuperar o tempo perdido quando a situação seja normalizada. Por isso, a Diretoria de Inovação da CNI defende, em diferentes fóruns, o cumprimento das cláusulas de incentivo a pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) da ANEEL e ANP, que determinam que os concessionários invistam valor equivalente a 1% da receita bruta gerada em projetos de P&D.

 

Parceria SOSA/CNI

No início deste mês, a Diretoria de Inovação da CNI, por meio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), coordenou o firmamento de parceria e assinatura de contrato de parceria com a israelense SOSA Holdings, visando a prestação de serviços em inovação ao Sistema Indústria e às empresas da MEI. Assim, a CNI passará a ser o elo entre as empresas brasileiras e o SOSA – que tem sede em Tel Aviv (Israel), além de filiais em Nova Iorque (EUA), Londres (Reino Unido) e Berlim (Alemanha).

 

O SOSA é a principal plataforma global de inovação, que conecta empresas, governos e cidades a tecnologias e ecossistemas inovadores, dando acesso a fontes globais de tecnologias disruptivas, com foco nas áreas de segurança cibernética, soluções orientadas a dados, insurtech, fintech, indústria 4.0, além de soluções em saúde digital.

 

Na parceria com a CNI, o SOSA disponibilizará espaço físico em Tel Aviv e Nova York, além de oferecer um pacote de serviços de inovação, que inclui residência de startups em outros ecossistemas de inovação e desenvolvimento de desafios propostos por empresas na busca por soluções.

 

Em breve, ocorrerá o lançamento oficial da parceria, com a indicação dos projetos que serão desenvolvidos nos três primeiros anos de contrato.

 

STARTUP EM DESTAQUE

O esforço conjunto entre startups, grandes empresas e centros de P&D tem se mostrado como estratégia eficaz no combate à pandemia causada pelo novo coronavírus. Os desafios pelos quais passamos requerem respostas rápidas via inovação. Com o apoio da Finep e da Emerge – consultoria especializada em inovação de base científica, a MEI destaca projetos desenvolvidos por startups de enfrentamento à Covid-19. Se sua empresa tiver interesse, puder colaborar e oferecer parceria, entre em contato com as startups.

INOVAÇÃO EM PAUTA

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Uzi Scheffer

CEO do SOSA

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Uzi Scheffer

CEO do SOSA

De repente, o mundo parou. E Israel sofreu os impactos causados pela pandemia antes do Brasil. O país entrou em lockdown e a população e as organizações precisaram se adaptar rapidamente a uma rotina diferente. Nesta edição do InforMEI, conversamos com Uzi Scheffer – CEO do SOSA, a principal plataforma global de inovação que conecta empresas, governos e cidades a tecnologias e ecossistemas inovadores. O SOSA fornece acesso a fontes globais de tecnologias disruptivas, com foco nas áreas de segurança cibernética, soluções orientadas a dados, insurtech, fintech, indústria 4.0 e soluções de saúde digital.

 

Segundo Uzi Scheffer, quando ficou claro que o mundo começou a se fechar, afetando viagens e impondo o distanciamento social, a empresa toda passou a operar em modo remoto, sem prejuízo de suas atividades. Ao contrário, as ferramentas com as quais trabalham - inovação e tecnologia – mostraram-se como soluções necessárias para o enfrentamento da nova situação.

 

Há dois anos, como resultado do Programa de Imersões em Ecossistemas de Inovação, a Diretoria de Inovação da CNI tem se aproximado do SOSA para construir uma plataforma inédita que ajudará as indústrias brasileiras a acessar tecnologia de ponta com maior velocidade, além de projetar startups brasileiras ao mercado global, criando oportunidades de investimento por meio de curadoria especializada. No início de maio, foi firmada a parceria – que também é tema da entrevista a seguir. Confira.

 

InforMEI – Considerando a atuação global do SOSA no exterior, que tipo de medidas e ações foram tomadas para resolver os impactos nos negócios da empresa?

 

Uzi Scheffer – Quando ficou claro que o mundo começou a se fechar e que medidas internacionais de deslocamento e distanciamento social iriam ocorrer, colocamos todas as nossas operações em modo remoto. As equipes passaram a trabalhar em casa e subimos um portal especial com todas as informações necessárias para nossa rede global de parceiros e colegas. Isso se mostrou extremamente valioso. A necessidade de tecnologias e inovação não diminuiu, pelo contrário. Uma vez que as organizações estão enfrentando desafios maiores do que antes, estão procurando tecnologias que possam ajudá-las a lidar melhor com a situação. Ser global nos ajuda a permanecer conectados a diferentes ecossistemas de tecnologia, apesar de atualmente não ser possível viajar.

 

InforMEI – No início deste mês, o SOSA e a CNI assinaram uma importante parceria que oferecerá às indústrias brasileiras a oportunidade de acessar tecnologia de ponta e responder aos seus desafios com maior rapidez, além de projetar startups brasileiras no mercado global. Na sua opinião, como esse projeto impactará o ecossistema brasileiro de inovação?

 

Uzi Scheffer – Estamos extremamente empolgados com a parceria com a CNI. O Brasil é um país incrível, com um enorme setor industrial. Conectar esse setor estratégico à nossa rede global de inovação representa uma grande oportunidade para todos os lados envolvidos. Acredito que abrir os setores tradicionais da indústria para tecnologias globais ajudará a criar resiliência para essas indústrias e, também, abrirá caminho para um ecossistema brasileiro vibrante. Esperamos ansiosamente trabalhar com os principais players industriais do Brasil em suas estratégias para o futuro. Uma parte importante do programa também é o apoio às startups brasileiras que desejam expandir globalmente e poderão fazer isso por meio de nossos centros ao redor do mundo.

 

InforMEI – Em um futuro próximo, o projeto prevê interação, reuniões e eventos presenciais no Brasil, Nova York e Tel Aviv. Até que possamos colocar isso em prática, quais serviços serão oferecidos?

 

Uzi Scheffer – Estamos trabalhando em estreita colaboração com a Diretoria de Inovação da CNI para preparar as primeiras sessões deste projeto. A maioria dos eventos pode ser realizada remotamente. No entanto, esperamos poder retomar viagens em alguns meses, quando as sessões presenciais estiverem planejadas para começar a ocorrer.

 

InforMEI – Na sua opinião, como a pandemia e a crise afetarão o futuro dos negócios globalmente? Acredita que as mudanças e adaptações pelas quais estamos passando irão interferir e modificar nosso modo de vida e nossas relações de trabalho?

 

Uzi Scheffer – Esta crise acelerou claramente algumas revoluções tecnológicas previstas há algum tempo. A revolução da saúde digital, naturalmente, é a principal. Tudo remoto também - pagamentos remotos, serviços remotos, trabalho remoto. Como resultado disso, a necessidade de segurança cibernética também aumentou drasticamente. Além disso, vemos o impacto dessa pandemia em quase todos os setores. Os fabricantes, por exemplo, estão procurando soluções que os ajudarão a construir cadeias de suprimentos mais resilientes e ambientes de trabalho mais seguros. Toda grande organização está implementando soluções remotas de trabalho e serviços relacionados para garantir que seus funcionários sejam eficazes e se sintam bem, mesmo quando trabalham em casa.

 

InforMEI – A crise exigiu reação rápida e respostas eficientes para enfrentar os desafios impostos. A partir da experiência do SOSA, quais foram os aprendizados e lições que poderiam ser compartilhados? Como esse período de dificuldades e limitações pode ajudar-nos a retornar ao crescimento econômico e à competitividade?

 

Uzi Scheffer – A principal lição aprendida é a necessidade de reagir rapidamente. Isso é verdade tanto para grandes empresas, quanto para empresas iniciantes. As grandes empresas que foram rápidas na construção de uma infraestrutura de TI que permitisse a seus funcionários trabalhar remotamente, com eficiência, tiveram menor perda de tempo precioso de trabalho. As startups que cortaram despesas rapidamente, enquanto articulavam seus produtos, operações de marketing e vendas para enfrentar os desafios da pandemia, na verdade, experimentaram um tremendo crescimento durante esse tempo. Muitas soluções implementadas nos últimos meses permanecerão conosco e nos ajudarão a ser mais eficientes no futuro. Também vemos que as organizações agora estão mais bem equipadas para lidar com essas situações, se elas ocorrerem novamente.

 

PELO MUNDO

PELO MUNDO

Fundada em 1971, a SDA Bocconi School of Management é reconhecida como uma das melhores do mundo, sendo listada em posições privilegiadas em rankings, por exemplo, do Financial Times, Forbes, Bloomberg e The Economist. Nesta edição do InforMEI, conversamos com o pró-reitor da escola, professor Giuseppe Soda, que compartilhou sua visão sobre como a Itália está reagindo à pandemia e, também, sobre as mudanças na formação de novos líderes.

 

De acordo com Soda, o país estava despreparado para o tamanho do impacto causado pela pandemia. “As atividades de educação foram as primeiras a ser suspensas e, em apenas um fim de semana, foi preciso mudar o modelo de educação tradicional para o modo online”, conta Giuseppe Soda. Além da assistência aos alunos, ele explica que foi necessário treinar o corpo docente e staff administrativo para o uso de novas ferramentas. Segundo ele, os programas corporativos foram adiados em um primeiro momento e retomados em formatos repensados juntamente com as empresas.

 

Entre as soluções desenvolvidas para entrega de valor à comunidade de executivos e ex-alunos da escola, a SDA criou séries de conversas online com líderes de diferentes setores e lançou a digital wall – espaço onde profissionais compartilham experiências e soluções aplicadas em suas empresas durante a crise.

 

A respeito dos impactos da pandemia na educação, o pró-reitor afirma que o futuro da educação será híbrido, não sendo possível retroceder ao modelo antigo. “No caso da SDA Bocconi, o esforço e investimentos serão pela criação de experiências extraordinárias no campus, combinadas a ferramentas de última geração para atividades online”.

 

Sobre as competências que considera importantes para qualquer corporação neste novo momento, Soda destaca a agilidade no redesenho de processos, a flexibilidade no processo produtivo e a adaptação a mudanças. Para ele, esse é o início de uma nova era da engenharia reversa.

 

Uma outra competência central será a de sustentação de marketshare a partir do foco no consumidor. A esse respeito, Giuseppe Soda acredita que empresas com posições de mercado consolidadas nos últimos anos, se não estiverem orientadas às novas demandas de seus clientes, terão maior dificuldade em manter o status.

 

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O novo campus da SDA Bocconi em Milão (Itália): a área de 50 mil m² abriga uma torre, 4 prédios, um centro de esportes e um parque.
Crédito: SDA Bocconi/divulgação

 

Perguntado sobre como a crise modelará novas lideranças, Soda explica que será determinante aos líderes empresariais desenvolver a capacidade de sense making e sense giving. “O primeiro diz respeito à habilidade de compreender o que está se passando de forma ampla, em aspectos tecnológicos, de mercado, financeiros, políticos, sociais, e não apenas da perspectiva do negócio que se toca. O segundo, ainda mais importante, é a competência de dar às pessoas um senso de direção e comunicar com clareza onde devem focar seus esforços, em uma conjuntura de tantas incertezas”, argumenta Giuseppe Soda.

 

Ao lembrar que a Itália levou semanas até assumir a gravidade da crise e que reagiu de forma tardia, Giuseppe Soda acredita que a inovação organizacional será ainda mais relevante no contexto pós-pandemia. Para ele, a principal lição da crise ao ecossistema de inovação italiano foi que o que vai diferenciar cada país no pós-pandemia, além da capacidade tecnológica, será a capacidade de compreensão de cenários e de rápida resposta aos tantos desafios que se colocarão a cada nação.

 

Ao avaliar o cenário da indústria italiana, o pró-reitor da SDA Bocconi destaca que os resultados serão semelhantes ou piores que os causados por uma guerra. “Foi certa a escolha pela priorização da proteção à vida da população em um primeiro momento, mas chegamos a um ponto em que é preciso retomar a atividade econômica”, afirma. Soda acredita que as chamadas “multinacionais pocket”, de médio porte, e conhecidas como as campeãs nacionais, já sofreram grande impacto frente à concorrência internacional com a suspensão precoce de suas atividades. “Estimo que ao menos três anos serão necessários para a recuperação desse grupo de empresas, que perderam mercado para concorrentes de outros países que não foram afetados de forma tão drástica quanto a Itália”, conclui.

 

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O campus conta com 39 salas de aula automatizadas com acesso controlado por aplicativo.
Crédito: SDA Bocconi/divulgação

MEI TOOLS

Com o objetivo de divulgar as ações de combate à pandemia do novo coronavírus, a CNI criou o Boletim Extraordinário MEI Tools Covid-19, que reúne instrumentos dos parceiros da MEI para a mitigação dos efeitos da pandemia.

Deseja divulgar algum instrumento de apoio a soluções contra o coronavírus? Envie um e-mail para: inovacao@cni.com.br

AÇÕES DO SISTEMA INDÚSTRIA

O Sistema Indústria está sempre em movimento e você pode ficar por dentro de todas essas ações. Confira agora as novidades, as medidas e os posicionamentos da CNI, do SENAI, do SESI e do IEL.

ACESSE JÁ

CALENDÁRIO

Confederação Nacional da Indústria (CNI)

  • Robson Braga de Andrade - Presidente
  • Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti – Diretor de Educação e Tecnologia (CNI), Diretor Superintendente (SESI), Diretor-geral (SENAI)

Diretoria de Inovação da CNI

Coordenação Geral

  • Gianna Cardoso Sagazio – Diretora de Inovação 
  • Suely Lima Pereira – Gerente-Executiva de Inovação 

Coordenação Técnica

  • Rafael Monaco – Especialista de Desenvolvimento Industrial

Equipe Técnica

  • Afonso Lopes – Analista de Desenvolvimento Industrial
  • Cândida Oliveira – Especialista de Desenvolvimento Industrial
  • Débora Mendes Carvallho – Analista de Desenvolvimento Industrial
  • Julieta Costa Cunha – Especialista de Desenvolvimento Industrial
  • Leonardo da Rosa Fernandes – Especialista de Desenvolvimento Industrial
  • Marcos Arcuri – Especialista de Desenvolvimento Industrial
    Patrícia Marinho – Analista de Desenvolvimento Industrial
  • Zil Miranda – Especialista de Desenvolvimento Industrial
     

Diretoria de Comunicação da CNI

Gerência de Consultoria e Gestão de Projetos

  • Ana Paula Garcia – Consultora de Comunicação

Superintendência de Jornalismo – Gerência de Imprensa

  • Diego de Abreu Marques Henriques – Jornalista

Gerência Executiva de Produtos Digitais

  • Patrícia Gresta – Gerente-Executiva de Produtos Digitais
  • Dalila Machado – Product Owner
  • Tiago Santos – Analista de Comunicação