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Boas-Vindas
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Robson Braga de Andrade

Presidente da CNI

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Robson Braga de Andrade

Presidente da CNI

A inovação cumpre um papel imprescindível em períodos de incertezas e de retração na economia, como o que estamos vivendo em consequência da pandemia de Covid-19. Com sérias dificuldades de caixa, as empresas têm escassas possibilidades de investir, mas precisam buscar alternativas para sobreviver e manter os empregos. Surge daí a necessidade de ser criativo e apostar em práticas inovadoras como um diferencial para quando vier a hora da recuperação econômica.

 

Os desafios impostos pela crise atual só serão superados com estratégias consistentes em ciência, tecnologia e inovação (CT&I). A resposta construída agora norteará o futuro das empresas. Muitos avanços que seriam adotados ao longo dos próximos meses ou anos tiveram que ser acelerados pela indústria, principalmente quanto à digitalização. É relevante observar que essas novas tecnologias não estão ao alcance apenas das grandes empresas, mas também das pequenas e médias, que precisam estruturar planos de longo prazo.

 

Atentas a essa realidade, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) colaboram com o setor industrial e com a sociedade para minimizar os efeitos da pandemia. A parceria da MEI com o Congresso Nacional tem se mostrado fundamental para o avanço de instrumentos para a inovação. Dois importantes projetos de lei foram apresentados recentemente pelo presidente da Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação, senador Izalci Lucas.

 

Uma das propostas aprimora a Lei do Bem, permitindo, entre outras medidas, o uso do benefício fiscal nos anos seguintes, em caso de prejuízo, e a dedução direta, em vez de subvenção, para empresas que contratem mestres e doutores em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Pelas regras atuais, quem não tem lucro não pode usufruir do benefício. Não faz sentido, especialmente em meio à pandemia, que empresas que vêm acumulando prejuízos não possam ter acesso ao incentivo, mesmo investindo em P&D.

 

O outro projeto já em tramitação no Legislativo atualiza o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), vedando o contingenciamento para CT&I e possibilitando que o fundo tenha natureza contábil e financeira. A liberação dos recursos do FNDCT é urgente. Hoje, 66% do valor está contingenciado – isso significa que, dos R$ 6,5 bilhões existentes, R$ 4,3 bilhões não podem ser usados.

 

Vamos lutar pela aprovação de ambos os projetos no Congresso Nacional. A união entre os setores público e privado e a priorização das iniciativas para estimular a inovação são ações essenciais para nos fortalecermos diante da pandemia e podermos voltar a crescer quando essa crise passar.

 

Robson Braga de Andrade
Presidente da CNI

 

Com a Palavra
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Ana Paula Assis

Presidente América Latina da IBM

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Ana Paula Assis

Presidente América Latina da IBM

Na 2ª Guerra Mundial, um experimento sigiloso foi crucial na vitória dos Aliados: o Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento Científico. Liderado por Vannevar Bush, um grupo de cientistas cooperava para aplicar conhecimento científico na resolução de problemas técnicos trazidos pela guerra. Ciente de que esses avanços poderiam ser aplicados em tempos de paz, o presidente Franklin D. Roosevelt enviou, em 1944, uma carta a Bush pedindo recomendações de uma proposta de política científica nacional para a melhoria da saúde, criação de novos trabalhos e aumento do padrão de vida da população.

 

A resposta chegou em 1945 no documento “Ciência, a Fronteira Sem Fim”, com ideias para a criação de uma agenda nacional de ciência através da união de esforços entre governo, academia e instituições e que levou à criação da National Science Foundation. Bush ainda definia como prioridade reforçar os centros de pesquisa básica presentes principalmente em universidades e institutos de pesquisa.

 

Em 1944, Thomas J. Watson Sr. havia criado um dos primeiros laboratórios corporativos de pesquisa básica no quarteirão da Universidade de Columbia. A pesquisa básica preenche o conhecimento que ainda não temos, busca expandir a compreensão do mundo sem estar necessariamente associada de forma direta a aplicações práticas de tais avanços – um investimento inovador por uma entidade com fins lucrativos. Coincidência ou não, em 1945 os pesquisadores da IBM se mudaram para uma casa no campus da universidade para ter acesso a sua base de talentos. Esta é a origem da IBM Research. Compromissados com o desenvolvimento da ciência, nossos cientistas ajudaram a inventar a Era da Informação, com avanços em campos como armazenamento de informação e base de dados; e, inclusive, ganharam Prêmios Nobel por invenções como o microscópio de tunelamento, essencial para o desenvolvimento da nanotecnologia.

 

Este ano, celebramos 10 anos de IBM Research no Brasil – um centro focado em Recursos Naturais, nanotecnologia, inteligência artificial, blockchain e Internet das Coisas. Segundo o Escritório Americano de Marcas e Patentes (USPTO), entre 2011-2018, a IBM registrou 183 patentes cujo primeiro inventor é do Brasil – tornando-se a empresa, das estabelecidas no Brasil, que mais registrou patentes nos EUA no período. Além de outras parcerias, firmamos uma aliança com a FAPESP e a USP para o avanço da pesquisa em inteligência artificial representando um investimento combinado de até US$ 20 milhões, e inserindo o país em uma rede global de cooperação chamada AI Horizon – da qual apenas Índia e Brasil participam fora da Europa e EUA.

 

Pesquisa científica é capital científico. Hoje, enfrentamos uma crise de saúde sem paralelos na nossa geração. Cientistas trabalham dia e noite para descobrir vacinas, medicamentos e estudar padrões de contaminação, para vencer um vírus que traz graves impactos à saúde e economia; e traz à luz a necessidade de todas as nações, sem exceção, criarem um contingente científico que esteja preparado para reagir a essas situações, uma espécie de “reservistas da ciência” – a mesma plataforma de transformação vislumbrada por Roosevelt.

 

As ideias de 1945 mostram que para acelerar o desenvolvimento de uma política em prol da ciência é preciso coordenação entre governo, iniciativa privada e instituições de ensino e pesquisa. Para isso, alguns aspectos são essenciais:

 

Construir uma Agenda Nacional para a ciência que incentive o desenvolvimento do pensamento crítico, a curiosidade e o processo investigativo. Sendo de interesse do governo a saúde, a segurança e o bem-estar dos cidadãos, o progresso da ciência também deve ser vital ao governo. Tecnologia para ampliar o acesso à saúde, infraestrutura para estudo à distância, ciência de dados, melhoria logística para o comércio digital são necessidades que já existiam e se tornaram urgentes na crise, portanto, são excelentes candidatos para ancorar essa nova agenda nacional.

 

Ampliar o acesso a crédito e capital para fomentar inovação. Com os impactos econômicos, existe o risco das empresas reduzirem investimentos em P&D buscando garantir sua sobrevivência. O Projeto de Lei 2838 que propõe alterações à Lei do Bem visando criar estímulos para a continuação da inovação tecnológica é um exemplo de proposta para responder a este desafio.

 

Manter a liberdade para questionar e explorar. Nas palavras de Bush: “As universidades e institutos de pesquisa públicos ou privados são os centros de pesquisa básica, os motores do conhecimento e entendimento. Enquanto forem vigorosos e saudáveis e seus cientistas livres para buscar a verdade onde quer que ela leve, haverá um fluxo de novo conhecimento científico.”

 

Garantir acesso aos centros de P&D por qualquer estudante, independente de sua origem e condição financeira, é imprescindível. Neste sentido, a continuidade de bolsas de pesquisa e programas de intercâmbios devem ser preservados ou até expandidos.

 

Reforçar nas escolas disciplinas como matemática, física, química e inglês, essenciais para o desenvolvimento da ciência. Além da formação de professores, a suplementação deste ensino pode ser realizada através de parcerias com empresas privadas que dispõem de voluntários, como é o caso do Open P-Tech, que a IBM trouxe ao Brasil em parceria com a Fundação Bradesco.

 

Estamos em um ponto de inflexão. As decisões tomadas agora determinarão o nosso destino como sociedade. As lições desta aceleração causada pela COVID-19 não podem ficar restritas a este experimento. Se aplicadas e cultivadas adequadamente, serão os alicerces para a construção de um novo mundo. Como disse Roosevelt: “Novas fronteiras da mente estão a nossa frente, e se elas forem exploradas com a mesma visão, coragem e obstinação com que ganhamos esta guerra, nós podemos criar não somente emprego mais significativo e próspero, como uma vida mais significativa e próspera.”

 

Ciência na Prática
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Nos últimos meses, no Brasil, houve intensa mobilização em torno de ações voltadas à prevenção, diagnóstico e tratamento da Covid-19. Ao lado dessas iniciativas, surgiram também grupos dedicados a analisar as políticas que estão sendo adotadas com o objetivo de mitigar os efeitos da pandemia, como a Rede de Pesquisa Solidária – “Políticas Públicas & Sociedade”, criada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

 

O monitoramento de políticas públicas é indispensável em qualquer circunstância para orientar a tomada de decisão. Em situações emergenciais, que requerem maior assertividade e celeridade das ações, o trabalho de acompanhamento e aferição de resultados assume ainda maior preponderância, além de servir para retroalimentar o planejamento de novas ações. No caso da Rede, a proposta é se dedicar ao levantamento criterioso de dados, para produzir informação de qualidade, criar indicadores, elaborar modelagens matemáticas, além de indicar gargalos e identificar possíveis melhorias em políticas públicas.

 

A Rede nasceu com caráter multidisciplinar e multi-institucional, estabeleceu interlocução com parceiros no exterior e contou com a contribuição de instituições e doadores privados. Isso viabilizou o envolvimento de inúmeros alunos de iniciação científica no projeto. “Basicamente, nosso trabalho é monitorar os impactos econômicos e sociais da crise na saúde, acompanhar as reações da sociedade às medidas adotadas e construir análises, projeções e cenários que permitam rápidas correções de rota e maior efetividade das políticas”, detalha Glauco Arbix, professor da USP e um dos coordenadores da Rede.

 

Ao todo, participam mais de 50 pesquisadores voluntários das áreas de humanidades, biológicas e exatas, que atuam em universidades, centros de pesquisa, empresas, hospitais ou fundações, totalizando cerca de 20 organizações parceiras. Entre elas estão as Universidades de Oxford, no Reino Unido, e de Duke e do Texas, nos Estados Unidos. Essa interlocução facilitou, por exemplo, o uso de técnicas avançadas de modelagens estatísticas, com a utilização de inteligência artificial e mineração de dados para o processamento do conjunto de informações.

 

A equipe está organizada em cinco eixos de análise: políticas públicas, lideranças comunitárias, mercado de trabalho, acesso a serviços de saúde e medidas adotadas para proteção social. Existe a perspectiva de incluir mais um relacionado a transportes/mobilidade.

 

No projeto Mercado de trabalho e renda, foram investigados os segmentos mais frágeis de trabalhadores brasileiros e o grau de vulnerabilidade na pandemia da Covid-19. De forma simplificada, os dados apontaram que mais de 80% da população “experimenta algum tipo de vulnerabilidade”. Esses trabalhadores estão dispersos em todo o país. “Isso significa que todas terão seus mercados de trabalhos afetados de forma semelhante”, com perda significativa do emprego e/ou deterioração da renda da população, alertam os pesquisadores no Boletim nº 2.

 

Em outra análise, associada ao eixo Monitoramento de Políticas Públicas, o foco dos pesquisadores foram as políticas para pesquisa e inovação adotadas por alguns países na busca por soluções de combate à crise. Foi observado que enquanto algumas economias foram incisivas e lançaram pacotes robustos para a contenção da pandemia, o Brasil definiu orçamento para financiar a pesquisa sobre a doença, mas não injetou recursos em quantidade elevada ou propôs uma estratégia clara de enfrentamento da pandemia. Considerando que a saída para crise está relacionada à produção de conhecimento, do qual depende a capacidade de produzir vacinas, medicamentos e todo tipo de insumos e instrumentos para combater a Covid-19, o Boletim nº 6 conclui que é necessário tanto políticas coordenadas no momento atual, quanto a construção de uma estratégia de futuro para a C&T com prioridades, embasadas em conhecimento científico e mais investimento em pesquisas sobre a doença.

 

Os boletins são publicados semanalmente e divulgados na mídia e em redes sociais. Uma parceria estabelecida com jornal de grande circulação tem facilitado o alcance das informações em um público maior. “Nosso maior objetivo com a Rede é contribuir para tomada de decisão e temos conseguido levar as informações a esse público. Fizemos reuniões com vereadores da capital paulista, temos tido contato com o Comitê de Contingência do governo do Estado de São Paulo, participamos de debate sobre renda e seguridade social com o presidente da Câmara dos Deputados, e estamos em contato com o Consórcio do Nordeste”, exemplificou Glauco Arbix.

 

O acesso a dados confiáveis é a maior desafio, pois constituem variável chave para a produção de informação e métricas sobre políticas públicas. Mas a despeito disso, Arbix entende que é possível enxergar uma mudança positiva. “A forma de se fazer ciência não será a mesma daqui em diante. A pesquisa interdisciplinar ganhou força. Vemos uma profusão de bancos de dados abertos, pois o combate à pandemia exige troca de informações de forma livre e rápida para fazer o conhecimento e a pesquisa avançarem. Open science, open research podem permanecer como tendências”, conclui Glauco Arbix.

 

Para outras informações sobre a Rede, acesse o site: https://redepesquisasolidaria.org/

 

Olhar Econômico
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A atividade industrial em abril foi a mais baixa da história recente da indústria. Segundo a pesquisa Indicadores Industriais, realizada pela Gerência de Economia da CNI, faturamento real, horas trabalhadas na produção e utilização da capacidade instalada caíram para os menores níveis de toda a série histórica. O emprego industrial foi o menor desde 2004.

 

As quedas recorde refletem o agravamento da pandemia da Covid-19 sobre a atividade industrial. A queda da demanda foi ainda mais intensa que no mês anterior, uma vez que o isolamento social ficou em vigor durante todo o mês, diferentemente de março, quando o endurecimento se deu na segunda quinzena.

 

Perspectivas – Em maio, esse quadro não deve se alterar muito. O ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) da CNI, que antecipa mudanças do ânimo do empresário, pouco se alterou entre abril e maio (passou de 34,5 para 34,7 pontos).

 

Em junho, contudo, há expectativa de alguma melhora. O ICEI registrou alta de 6,5 pontos, para 41,2 pontos, se descolando de seu piso histórico e do patamar observado no auge da crise de 2015/2016. Apesar disso, o índice permanece abaixo dos 50 pontos, o que significa que o empresário ainda registra falta de confiança em junho, embora em menor intensidade.

 

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Imperial College London desenvolve tecnologias voltadas ao reordenamento social e econômico nos pós-crise

 

Produtividade - No primeiro trimestre de 2020, a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira caiu 2,8% na comparação com o último trimestre de 2019. A queda da produtividade do trabalho é resultado da deterioração econômica diante da pandemia de Covid-19. Com a queda abrupta da demanda, as empresas foram forçadas a reduzir ou mesmo paralisar a produção de forma não planejada, produzindo menos por hora trabalhada.

 

No longo prazo, a produtividade é a principal fonte de crescimento e a inovação, o motor dos ganhos de produtividade. É apenas por meio da inovação, de melhorias tecnológicas, que a produtividade pode crescer indefinidamente.

 

MEI em Ação

A superação dos desafios a serem enfrentados daqui para frente dependerá de uma estratégia clara e do aumento dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Por isso, a MEI reforça o compromisso de fazer da inovação uma agenda de país.

A seguir, estão as principais ações da MEI nas últimas semanas.

Lives da MEI
De junho a agosto, a MEI realiza uma série de lives com parceiros estratégicos da CNI. As conversas acontecem a cada 15 dias e reúnem CEOs de grandes empresas, chefes de importantes centros de pesquisa de dentro e fora do Brasil, gestores de aceleradoras e fundos de investimentos com atuação global, além de economistas e lideranças de organizações multilaterais. A ideia é avaliar cenários que emergiram com a pandemia e pensar sobre como agir para o enfrentamento à crise. No dia 10 de junho, os presidentes da IBM América Latina, Ana Paula Assis, da Siemens Energy Brasil, André Clark, e da Cisco Brasil, Laércio Albuquerque, se reuniram para falar sobre como a pandemia tem afetado os negócios das empresas e quais lições têm tirado dessa experiência. Confira a primeira edição na íntegra clicando aqui.

 

Lançamento do Edital para a Rede NAGI Digital
A CNI e o MCTIC, com apoio do CNPq, firmaram parceria para estruturar a Rede de Núcleos de Apoio à Gestão da Inovação - REDE NAGI DIGITAL. Em 25 de maio, foi lançada uma chamada pública a fim de selecionar 15 instituições para o aperfeiçoamento das metodologias de gestão da inovação com foco na transformação digital do setor produtivo. As instituições selecionadas participarão de atividades de alinhamento conceitual ao longo de sete meses e terão apoio financeiro para a realização de projetos-piloto com empresas. As inscrições vão até 24 de julho de 2020. Para saber mais, confira a página da Rede NAGI Digital aqui.

 

GT de Engenharia/STEAM da MEI
No dia 15 de junho, foi lançado o “Documento de Apoio à Implantação das DCNs do Curso de Graduação em Engenharia”, organizado pela Comissão Nacional coordenada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), em parceria com a Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), representada pela Diretoria de Inovação, com apoio da MEI. O trabalho da Comissão Nacional terá continuidade e estão previstas, dentre outras atividades, a organização de reuniões virtuais para a mobilização das empresas e das instituições de educação superior para que se engajem no processo de modernização dos cursos.

 

Startup em Destaque

O futuro da inovação, em muitas empresas brasileiras, pode estar na estreita colaboração com startups. No atual contexto, a inovação aberta ganha ainda mais relevância. Afinal, o momento exige celeridade com menores riscos associados.

 

Com o apoio das plataformas de inovação Distrito e Emerge, e do Ministério da Economia, o InforMEI apresenta, a seguir, startups atuantes no combate ao coronavírus.

 

Inovação em Pauta
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Jorge Guimarães

Diretor-presidente da EMBRAPII

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Jorge Guimarães

Diretor-presidente da EMBRAPII

Qualificada em 2013 fomo Organização Social, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (A EMBRAPII) nasceu de uma demanda do setor empresarial, com apoio da Mobilização Empresarial pela Inovação para apoiar instituições de pesquisa tecnológica e, assim, fomentar a inovação na indústria instalada no Brasil.

 

Só em 2018, a EMBRAPII contratou 254 novos projetos, no valor total de R$ 437,3 milhões, tendo concluído e entregue 111 projetos de PD&I para o setor industrial. Do total de concluídos, foram registrados 35 pedidos de propriedade intelectual. Entre 2014 e 2018, a EMBRAPII contratou 654 projetos, no valor total de R$ 1,1 bilhão. Do total de projetos contratados, as empresas parceiras investiram R$ 535,3 milhões, a EMBRAPII aportou R$ 361,3 milhões, sendo o valor restante contrapartida das Unidades e Polos EMBRAPII.

 

Esse compartilhamento se dá pelo modelo de financiamento oferecido pela EMBRAPII – um diferencial que serve de estímulo a empresas que querem inovar e estão na fase pré-competitiva.

 

O InforMEI conversou com o diretor-presidente da EMBRAPII, Jorge Guimarães, que destacou os principais resultados desse trabalho, planos futuros, bem como sobre a preocupação a respeito do repasse de recursos necessários para garantir o andamento dos projetos com as empresas em suas 56 unidades em funcionamento em todo o país. Confira!

 

ENTREVISTA JORGE GUIMARÃES – Diretor-Presidente da Embrapii

 

InforMEI – A crise causada pela pandemia do novo coronavírus exigiu respostas rápidas de governos, empresas, laboratórios, institutos de pesquisa e outras instituições. Quais ações foram tomadas pela EMBRAPII de enfrentamento à Covid-19 no que diz respeito ao apoio a empresas de base tecnológica?

 

Jorge Guimarães – Tão logo constatados os primeiros casos da pandemia no Brasil, a EMBRAPII tomou medidas imediatas, estimulando nossas unidades a prospectarem com empresas já clientes e outras, a contratação de projetos de P&D industrial para o enfrentamento imediato da propagação e infectuosidade do novo coronavírus e bem assim do desenvolvimento de projetos com vistas à produção de equipamentos e outros produtos para os pacientes já hospitalizados com diagnóstico da Covid-19. Para isso, a EMBRAPII flexibilizou as regras de financiamento, possibilitando que o setor produtivo contasse com fontes de recursos rapidamente e mais robustas no desenvolvimento de projetos que tenham relação com a Covid-19. Iniciativa importante e também ágil foi a criação de Unidades Emergenciais EMBRAPII para atuarem na crise no formato de Carta-Convite e/ou Encomenda Tecnológica. Por esse mecanismo foi credenciado o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), um spin off da FIOCRUZ para produção dos kits para testes do novo coronavírus.

 

No total, até agora, estão sendo financiados 45 projetos próprios da EMBRAPII e também em parceria com SEBRAE, ABDI e SENAI. Entre os projetos estão equipamentos médicos e hospitalares, como os respiradores, EPIs, um modelo de “pulmão artificial” para oxigenação extracorpórea, máscaras de proteção facial, suportes mecânicos, produtos sanitizantes, camas inteligentes que monitoram diversos indicadores da saúde dos pacientes na emergência e nas UTIs, entre outros. Neste setor da saúde, as Unidades EMBRAPII já contavam com forte atuação no desenvolvimento de equipamentos com diversas empresas. Já no setor biológico para produção de kits de diagnóstico, vacinas e produtos biológicos qualificados como os biofármacos, nos ressentimos da enorme ausência da indústria farmacêutica no desenvolvimento de projetos com nossas unidades.

 

O investimento total nestes 45 projetos soma R$ 34 milhões, sendo R$ 13 milhões de recursos de reserva da EMBRAPII, para cobrir ações de enfrentamento da Covid-19. Estas são áreas que envolvem a produção de kits de diagnóstico, anticorpos monoclonais e vacinas, tecnologias que, sabidamente, o Brasil encontra-se bastante fragilizado como vem mostrando a progressão da pandemia.

 

InforMEI – De que forma a EMBRAPII tem se preparado para atuar no pós-crise, visando à retomada de crescimento da economia?

 

Jorge Guimarães – A dimensão da pandemia tem mostrado que os países, em sua grande maioria, não estavam preparados para possibilitar um atendimento adequado para a exponencial expansão da Covid-19. Esse despreparo se situa não apenas na rápida saturação da estrutura hospitalar, mas sobretudo na disponibilidade dos equipamentos de socorro mais imediato aos seus próprios pacientes, não sobrando possibilidade de atender demandas de terceiros, mesmo entre países amigos. Uma das principais lições é que cada país precisa desenvolver seus próprios instrumentos, desde os mais simples como as máscaras até aqueles que demandam mais elaboração tecnológica para enfrentar a emergência.

 

Na pandemia, a EMBRAPII apoiou a nacionalização de tecnologias e equipamentos essenciais ao tratamento de casos graves da doença, como os respiradores. A crise global tornou evidente a necessidade de não depender da produção e da logística de distribuição internacional, não somente na área de saúde. Os efeitos da crise econômica, com falta de peças e componentes, chegaram antes que o próprio coronavírus ao país. A indústria passou a questionar a dependência de alguns poucos fabricantes globais e deve ampliar o número de fornecedores em breve. O Brasil tem competência industrial para produzir em escala os insumos e produtos demandados e as Unidades EMBRAPII estão aptas para apoiar a indústria a inovar e a criar tecnologias locais, diminuindo os gargalos.

 

Certamente, a pandemia deixará como marca a advertência de que os países devem estar melhor preparados em educação e C&T para o enfrentamento de possíveis novas crises que se originem aqui ou ali. A situação que estamos vivenciando em função da pandemia mostra claramente tal necessidade que pode ser facilmente perceptível na proteção à saúde e, em especial, no segmento farmacêutico, onde importamos quase todos os insumos e não produzimos medicamentos modernos como os biofármacos, por exemplo.

 

Em parceria com o MCTI, a EMBRAPII planeja ações para retomada econômica, com foco estratégico em startups, nacionalização de componentes e que envolvam toda a cadeia produtiva. No pós-Covid, acreditamos que as soluções tecnológicas devem ser cada vez mais colaborativas, seja por empresas concorrentes ou por integrantes da cadeia produtiva. Este modelo traz múltiplas vantagens: divisão de esforços, compartilhamento de conhecimento, redução de custos e riscos em um âmbito pré-competitivo.

 

Com essa percepção, estamos projetando atuar na pós-Covid em várias frentes destacando grande foco nas médias e pequenas empresas, aí incluídas as startups, priorizando: apoio substancial e mais completo às startups; fortalecimento de cadeias produtivas de empresas; apoio a projetos para produção de componentes e insumos nacionais; estímulo ao desenvolvimento de projetos com ênfase em tecnologias do futuro; lançamento em conjunto com o MCTI de Redes compostas por Unidades EMBRAPII.

 

No que respeita às startups, o plano é adotar um ciclo completo de apoio a tais iniciativas, indo além do modelo que adotamos atualmente, objetivando o desenvolvimento de projetos e obtenção de produtos, em toda a faixa de demanda operacional: prova de conceito, produção de lote piloto, certificação, homologação oficial, custo de registro, PI, incubação e aceleração de startups. Neste item, temos como fontes de recursos os Programas Rota 2030, PPI de IOT e Manufatura 4.0 e SEBRAE; inserção das startups nas demais ações planejadas, mencionadas a seguir;

 

Para fortalecimento das cadeias produtivas de empresas: aumentar percentual de fomento EMBRAPII para empresas pequenas, médias e startups; fomentar projetos colaborativos entre empresas de diferentes portes.

 

No caso do apoio a projetos que visem à produção de componentes e insumos nacionais: fortalecimento da cadeia de empresas interessadas no desenvolvimento de projetos para componentes e insumos nacionais a serem incorporados nos processos e produtos desenvolvidos, cobrindo os setores de saúde, agroindústria e alimentos, mineração, cosméticos, farmo-químicos e insumos farmacêuticos, mobilidade e logística, construção civil e sustentabilidade; destaque ao esforço de apoio a projetos colaborativos entre empresas. No contexto dessa programação, destaque-se o papel relevante do financiamento especial pela EMBRAPII dos recursos dos Programas Rota 2030 para mobilidade e logística com uma conceituação mais ampliada e PPI cobrindo Manufatura 4.0 e IoT, com foco em saúde, cidades inteligentes e agroindústria.

 

Estímulo ao desenvolvimento de projetos com ênfase em tecnologias do futuro, dando especial ênfase a projetos nas tecnologias habilitadoras: IA, IOT, materiais avançados, nano e biotecnologia, robótica e sustentabilidade com amplo espectro de aplicabilidades.

 

Lançamento de redes: estão também planejados o lançamento, juntamente com o MCTI, da Rede de Inteligência Artificial (RIA) composta por várias Unidades EMBRAPII, formatando a maior rede no Brasil dessas tecnologias. Outra iniciativa neste sentido será o lançamento, também com o MCTI, da Rede de Mobilidade e Logística que incorpora várias Unidades EMBRAPII operando no modelo Rota 2030.

 

Parte dos avanços nessas temáticas vai requerer o credenciamento de novas Unidades EMBRAPII para dar cobertura em áreas com cobertura deficitária para P&D no Brasil e que, por isso mesmo, implicam em expressivo déficit na balança de pagamentos como química, nanotecnologia e biotecnologia.

 

Para que mais empresas conheçam a EMBRAPII e possam se beneficiar com o modelo operacional, passamos a promover os eventos “EMBRAPII Day” de forma online. O encontro virtual aproxima as empresas das nossas Unidades EMBRAPII capazes de atender suas demandas tecnológicas.

 

InforMEI – Recentemente, na última reunião da MEI com a Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação, o senador Izalci Lucas ressaltou a importância da garantia de repasse de recursos à EMBRAPII. Qual o impacto que a questão orçamentária pode causar no histórico de bons resultados apresentados até hoje pela EMBRAPII?

 

Jorge Guimarães – Tendo iniciado suas atividades há apenas seis anos, o modelo operacional ágil, flexível e sem burocracia da EMBRAPII atraiu de imediato o interesse das empresas industriais, consolidando-a como uma das principais instituições do ecossistema de inovação do Brasil, contribuindo para fortalecer a competitividade da indústria nacional. Entretanto, a EMBRAPII não recebeu em 2019 a totalidade dos recursos orçamentários previstos em seu Contrato de Gestão. Por essa razão, o entendimento da Frente Parlamentar da relevância do trabalho da EMBRAPII e, em especial, o empenho do senador Izalci Lucas, tem sido auspicioso na garantia de recursos provenientes de emendas parlamentares para a continuidade das atividades futuras da EMBRAPII de forma tempestiva. Ainda assim, 646 empresas desenvolveram ou desenvolvem 947 projetos de pesquisa aplicada e inovação, correspondendo a um investimento total de R$ 1,5 bilhão, sendo um terço financiado pela EMBRAPII como recursos não reembolsáveis provenientes do Contrato de Gestão com MCTI. Como 98% dos recursos repassados à EMBRAPII são aplicados diretamente nos projetos, isto significa que um aporte médio de cerca de R$ 80 milhões tem sido o volume orçamentário anual da Associação, o que tem se mostrado insuficiente para a grande demanda por financiamento à inovação promovido pela EMBRAPII, que atua com um modelo operacional que tem recebido total reconhecimento do setor industrial com matérias totalmente positivas na mídia. Destaque-se que a demanda por novas tecnologias é crescente e, na retomada econômica, ficará mais evidente a importância da inovação para promover a capacidade produtiva da nossa indústria. Foi neste contexto a intervenção do senador Izalci Lucas na reunião da MEI, ressaltando a importância da garantia, pelos ministérios, dos repasses financeiros adequados à EMBRAPII face aos seus reconhecidos resultados no fomento à inovação industrial no Brasil. Em especial, o senador se referia à necessidade de o MCTI repassar à EMBRAPII, o quanto antes, o montante de R$ 47,8 milhões oriundos de emenda de autoria de um grupo de parlamentares, juntamente com o Relator do Orçamento de 2020. Se liberados os recursos previstos no orçamento (R$ 49 milhões) e mais os recursos da emenda orçamentária, a Associação irá dispor de um total de R$ 96,8 milhões para fomentar a inovação este ano nos projetos das suas 56 unidades com as empresas. Todavia, já entrados no mês de junho, nenhum recurso foi ainda recebido pela EMBRAPII no corrente ano.

 

InforMEI – Criada em 2013, a EMBRAPII chegou como um modelo inédito de financiamento e apoio a projetos de inovação de empresas de todos os portes. O que o modelo EMBRAPII traz de diferencial e benefícios a empresas que decidem investir em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação?

 

Jorge Guimarães – A EMBRAPII foi concebida no seio da MEI como Associação privada, sem fins lucrativos, tendo tido, desde o começo, o apoio estratégico de dirigentes de empresas inovadoras e dos diversos segmentos representados por pessoas da sociedade civil e autoridades governamentais que participam desse ambiente de discussão de temas de inovação. Sua concepção foi inspirada nos institutos da Sociedade Fraunhofer da Alemanha e o modelo operacional adaptado às características e condições funcionais das relações academia-empresa no Brasil, onde grande número de empresas, por razões diversas, não possui seus próprios centros de P&D.

 

A associação tornada Organização Social pelo Governo Federal em 2014 se mantém fiel às suas origens tendo alcançado grande sucesso ao longo desses poucos anos de existência no financiamento de projetos de P&D e inovação industrial.

 

Entre as diversas agências de financiamento à pesquisa no Brasil, a EMBRAPII, com seis anos de atuação, é a caçula do sistema. Concebida para atuar de maneira distinta no fomento à pesquisa aplicada e inovação industrial, a EMBRAPII adotou, desde o começo de sua operação no início de 2015, uma linha de atuação que buscou explorar lacunas do sistema pré-existente, oferecendo: centros de P&D (Unidades EMBRAPII) pré-selecionados em processo competitivo, por suas competências para desenvolver projetos de inovação industrial demandados pelas empresas; um modelo sem edital de chamadas de empresas e sem intermediação direta da EMBRAPII; financiamento com recursos não reembolsáveis e com características de recursos privados, eliminando os conhecidos entraves da aplicabilidade de recursos públicos; oferecimento de mecanismos de cooperação com empresas e organismos internacionais para desenvolvimento de projetos conjuntos, gerando perspectivas de internacionalização de empresas brasileiras.

 

Completando a funcionalidade do modelo EMBRAPII, acrescente-se as seguintes características operacionais: agilidade decisória, flexibilidade na solução de entraves técnicos ou administrativos e ausência de burocracia. A tramitação e aprovação dos processos que visam ao apoio à inovação precisam ser decididas com eficiência, segurança tecnológica e jurídica sem, contudo, deixar de observar princípios consagrados de impessoalidade, transparência e economicidade – segundo uma política de compliance definida pelos gestores. No curto período de operação da EMBRAPII, essas características têm mostrado ser um atrativo especial para as empresas e daí o crescimento do portfólio da EMBRAPII. No caso das emergências, como ocorre agora com a pandemia da Covid-19, tais características são ainda mais necessárias. Cada componente oferece vantagens e benefícios requeridos para inovação e constituem atrativos apreciados pelas empresas e, no conjunto constituem o diferencial operacional da EMBRAPII.

 

InforMEI – Olhando para o futuro, quais os planos de expansão da Rede de Unidades EMBRAPII no Brasil?

 

Jorge Guimarães – Em seu primeiro ciclo operacional, a EMBRAPII chegaria a 44 Unidades. Todavia, três dessas unidades foram descredenciadas por não cumprirem os Planos de Ação aprovados pela Associação.

 

No começo de 2020, após dois anos sem credenciar novas Unidades, foram lançadas três Chamadas Públicas: i) três Institutos SENAI de Inovação (ISI) foram selecionados e passaram a integrar a Rede EMBRAPII. Importante parceiro da indústria no desafio da inovação, o SENAI tem agora 15 ISIs credenciados como Unidades EMBRAPII. As áreas de competência agora selecionadas (Química Verde, Biossintéticos e Fibras, Materiais Avançados) têm alta demanda por inovação e mercado global francamente favorável. Tal circunstância possibilita à indústria brasileira desses setores explorar vantagens comparativas e contribuir com o aumento da disponibilidade de produtos sustentáveis de padrão internacional, seja pela melhoria de processos ou pelo desenvolvimento de novas tecnologias; ii) com recursos do Ministério da Educação foram também credenciadas 11 novas Unidades EMBRAPII em Universidades Federais cobrindo importantes setores industriais como agronegócios e novos materiais; iii) está em curso Chamada para selecionar três ou quatro grupos de pesquisa aplicada em Institutos Federais do MEC.

 

Haverá, ainda no segundo semestre, chamada para selecionar Unidades em mobilidade e logística com recursos do Programa Rota 2030. Há sempre a expectativa de abrirmos chamada na área de biotecnologia na saúde, usando recursos já empenhados, mas ainda não liberados pelo Ministério da Saúde. A ênfase na chamada neste segmento objetiva atrair para o modelo EMBRAPII a ainda ausente indústria farmacêutica oferecendo a este importante e estratégico setor explorar as inúmeras vantagens do modelo.

 

InforMEI – No início de maio, foi anunciada uma parceria inédita da CNI com o SOSA – principal plataforma global de inovação, que conecta empresas, governos e cidades a tecnologias e ecossistemas inovadores, dando acesso a fontes globais de tecnologias disruptivas. Como essa parceria pode catapultar startups brasileiras ao mercado global a EMBRAPII pode apoiá-las do ponto de vista de possíveis parcerias internacionais?

 

Jorge Guimarães – As startups estão na linha de frente das iniciativas da EMBRAPII já neste corrente ano. A associação vem apoiando diversos projetos de startups brasileiras, dentro da parceria com o Sebrae, e também por meio de linhas específicas no Programa de IoT/Manufatura 4.0. Tais projetos são desenvolvidos com as startups instaladas dentro das Unidades EMBRAPII, capacitadas e equipadas com instrumental moderno e dotadas de dezenas e até centenas de pesquisadores experientes em projetos de PD&I, o que oferece oportunidades únicas para amadurecimento tecnológico e de empreendedorismo para esses pequenos empreendedores. A perspectiva de colaboração com empresas estrangeiras visa aproximar ainda mais as startups de empresas já estabelecidas, permite a transferência de conhecimento e potencializa a competitividade industrial brasileira, uma vez que se abre outros mercados aos empreendedores brasileiros e estrangeiros. As parcerias empresariais internacionais permitem, também, acesso a conhecimento de vanguarda e a renovação e seus processos internos. Nesse sentido, a EMBRAPII tem firmado uma série de acordos de cooperação com importantes agências internacionais para fomentar projetos de PD&I entre startups e empresas brasileiras com startups e empresas estrangeiras. As principais instituições como Manufacturing USA, IAA (Agência de Inovação de Israel), Inova UK, Innosuisse, Vinnova (Suécia), Innosuisse e outros trazem valiosas oportunidades de internacionalização para as empresas nacionais.

 

A inciativa da CNI de unir-se ao SOSA tem grande sinergia com a estratégia da EMBRAPII em promover a internacionalização de empresas brasileiras por meio da cooperação técnico-científica. É uma excelente ação e, com certeza, trará grandes efeitos ao ecossistema de inovação brasileiro e à própria EMBRAPII.

 

InforMEI – A MEI e a CNI têm uma clara convicção: a de que a superação de crises, bem como a retomada de crescimento econômico só são possíveis via inovação. Na sua opinião, o que ainda é preciso ser feito para fazer da inovação uma agenda de país, a exemplo de outras economias que temos como referência nessa área? 

 

Jorge Guimarães – A competitividade da indústria passa pela inovação, que possibilita o desenvolvimento de produtos com maior valor agregado e a otimização de processos industriais, e a crise oferece um permanente convite à inovação em suas mais diversas dimensões. A EMBRAPII tem se consolidado como uma das principais instituições do ecossistema de inovação do Brasil, buscando contribuir para elevar o país no ranking dos mais inovadores e atuando pela geração de uma indústria mais competitiva. Até mesmo neste período de quarentena, nossas ações seguiram ativas. Criamos espaço e adotamos iniciativas para atuar com mais intensidade no fomento à inovação industrial, conforme amplamente destacado pela mídia.

 

As políticas públicas devem ser estratégicas e, na oportunidade da retomada do crescimento econômico, fomentar a inovação como motor do desenvolvimento econômico e social do país. Essa ação requer pronta e eficiente parceria governo-empresa, o que requer, por sua vez, eleição de prioridades, o que tem sido o ponto mais frágil do ecossistema. Para eleger prioridades é requerido identificar e tomar decisões para combater as fragilidades, desenhando projetos mobilizadores para financiamento compartilhado com o setor industrial. Diga-se de passagem, não são poucos os setores fragilizados no Brasil que poderiam ensejar iniciativas mobilizadoras, como no caso já citado do deficitário segmento farmacêutico e da indústria química, ambos com gigantesco déficit na balança de pagamentos.

 

O ganho do governo em ações de financiamento compartilhado, como faz a EMBRAPII, tem como substrato a certeza de que a inovação industrial vai gerar frutos altamente significativos para a sociedade: impostos para o próprio governo, aumenta da renda, patentes, nacionalização de tecnologias, retenção de cérebros, empregos qualificados, redução do déficit na balança de pagamentos, tudo isso movimentando a economia e aumentando a competitividade das empresas. Alegar por acaso que isso não aconteceu no passado, é esquecer os exemplos da Embraer, do agronegócio brasileiro, da descoberta e exploração do pré-sal, da produção de nióbio e tantos outros. O que de fato ocorreu até agora foi uma visível falta de prioridade para o fomento à inovação. A EMBRAPII e toda sua rede de quase 60 Unidades vão continuar somando esforços para ajudar a preparar nossa indústria para o desafio de uma economia global cada vez mais dinâmica e centrada em conhecimento.

 

Pelo Brasil

Produto desenvolvido pela empresa TNS com apoio do SENAI promete ser um aliado importante no combate ao coronavírus

 

Preocupada com a limpeza e a segurança de ambientes coletivos, a TNS, empresa de nanotecnologia baseada em Santa Catarina, foi atrás de uma fórmula de spray que torna diferentes superfícies – como bancadas, maçanetas, elevadores – à prova do coronavírus.

 

Segura para a saúde humana, a solução reduz a capacidade de ativação do vírus. Para chegar ao produto, a TNS contou com apoio e recursos do Edital de Inovação para a Indústria e com a estrutura laboratorial da Rede de Institutos SENAI de Inovação.

 

Pelo Brasil

Produto desenvolvido pela empresa TNS com apoio do SENAI promete ser um aliado importante no combate ao coronavírus

 

Preocupada com a limpeza e a segurança de ambientes coletivos, a TNS, empresa de nanotecnologia baseada em Santa Catarina, foi atrás de uma fórmula de spray que torna diferentes superfícies – como bancadas, maçanetas, elevadores – à prova do coronavírus.

 

Segura para a saúde humana, a solução reduz a capacidade de ativação do vírus. Para chegar ao produto, a TNS contou com apoio e recursos do Edital de Inovação para a Indústria e com a estrutura laboratorial da Rede de Institutos SENAI de Inovação.

 

Pelo Mundo
Pelo Mundo

Responsável por alguns dos modelos estatísticos mais relevantes utilizados para balizar as reações de líderes do Reino Unido e de outros países à pandemia de Covid-19, o Imperial College London tem também desempenhado um importante papel no desenvolvimento de tecnologias críticas ao reordenamento social e econômico nos pós-crise. A universidade, que hoje conta com mais de 17 mil estudantes, tem sua atuação focada em quatro eixos: ciência, engenharia, medicina e negócios, e é reconhecida por sua capacidade de entrega de tecnologias à indústria.

 

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Imperial College London desenvolve tecnologias voltadas ao reordenamento social e econômico nos pós-crise

Em entrevista concedida ao InforMEI, o diretor-geral da Imperial Enterprise Division, Simon Hepworth, conta sobre como a instituição tem atuado em parceria com empresas e sobre suas apostas para o futuro. A Imperial Enterprise Division opera o escritório de transferência de tecnologia da universidade e lidera programas para startups e de empreendedorismo acadêmico.

 

No que diz respeito à colaboração universidade-indústria, Hepworth conta que apesar de no momento inicial da pandemia muitas corporações terem manifestado receio em relação à continuidade de diversos projetos, a universidade trabalhou de forma muito próxima ao empresariado. “Fizemos isso para avaliar os efeitos da crise e pensar em novas soluções” diz, ao destacar que, atualmente, mantém pesquisa colaborativa com mais de 300 empresas. Simon Hepworth também falou sobre o surgimento de novos tipos de parcerias. “Recentemente, grandes empresas têm se colocado como test beds, especialmente para o desenvolvimento de novas tecnologias de saúde e produção de equipamentos”.

 

Para Simon Hepworth, os impactos setoriais causados pela pandemia requerem atenção. “Temos acompanhado as mudanças em diversos setores, mas destaco que os segmentos de petróleo e gás e aeroespacial têm enfrentado uma situação particularmente complicada”. No caso do primeiro, segundo ele, o investimento na área de energias renováveis é notável, lembrando que ainda que agenda de saúde seja central neste momento, a pauta ambiental ganhará mais relevância no pós-pandemia e que a crise acelerará o processo de transição energética. Para o setor aeroespacial, por outro lado, Simon Hepworth não acredita na retomada de crescimento antes de alguns anos. Segundo ele, as melhores oportunidades virão da Ásia, onde antes da crise já havia um déficit na oferta de serviços de transporte.

 

A respeito da criação de portfólio de tecnologias para combate à Covid-19, ele explica: “Reagimos ao trabalho acadêmico e buscamos traduzir descobertas científicas em inovações que façam sentido para o mercado, e esse processo pode levar muito tempo. Mas observando nossos registros de patentes é possível enumerar uma série de trabalhos diretamente aplicáveis ao contexto da pandemia”.

 

Nessa direção, Simon Hepworth dá exemplos de soluções entregues pela universidade para testagem em massa, desenvolvimento de vacina, uso de big data para aumento de produtividade e para combate às fake news – que, no cenário atual, geram consequências que extrapolam o universo da política, afetando até mesmo a proteção à saúde pública.

 

“Um caso muito interessante foi o da startup DNANudge, que em dois meses pivotou seu negócio antes focado em medicina personalizada para o campo de diagnóstico”, conta. O teste rápido criado pelo grupo de pesquisa que fundou a empresa não requer análise laboratorial e recebeu encomenda de 80 mil unidades pelo governo britânico.

 

Sobre as soluções em ciência de dados criadas pelo Imperial College – e tão utilizadas durante a pandemia por policy makers – Simon Hepworth destaca o aumento da procura por esse tipo de ferramenta que permite a organizações de qualquer natureza planejar seus passos de modo mais assertivo. O Diretor fala sobre a competência da universidade em modelagem de dados citando como exemplo o Digital Rocks Programme, projeto executado em parceria com a Shell, que revoluciona a forma como as reservas são caracterizadas e os processos de recuperação monitorados. “Esse é um programa tão consistente que é o tipo de trabalho que nos traz aprendizado para aplicações de big data em muitos outros setores”.

 

Já no campo da inteligência artificial, Hepworth fala sobre o caso da startup Fabula AI, que monitora a disseminação de fake news em redes sociais. “A empresa foi comprada pelo Twitter por dezenas de milhões de dólares e para nós é uma excelente demonstração da qualidade do nosso trabalho nessa área de pesquisa”, afirma. Simon Hepworth cita, ainda, a tecnologia desenvolvida pela Face Soft – startup criada a partir de pesquisa realizada na universidade – cujo software de reconhecimento facial é capaz de entregar modelagens em 3D, com benefícios que passam pelas áreas de segurança às de customização de produtos ou de melhorias em cirurgias de reconstituição.

 

Programas de facilitação de acesso a tecnologias foram criados em diversas partes do mundo durante a pandemia. No Imperial College não foi diferente. “Abrimos a licença para a produção de um ventilador pulmonar de baixo custo a qualquer empresa do mundo, logo no início da disseminação do vírus. Do mesmo modo, nossa pesquisa em vacinas poderá ser utilizada sem a necessidade de pagamento de royalties, de forma que possamos oferecer nossa capacidade técnica e dar nossa contribuição à sociedade”, explica Hepworth. Sobre a vacina, ele disse que os primeiros testes clínicos seriam iniciados neste mês de junho e que caso a eficácia seja comprovada, a expectativa é apoiar a indústria na produção de 80 milhões de doses até janeiro de 2021.

 

Sobre a estratégia de fomento ao empreendedorismo acadêmico, a universidade oferece no White Campus City o que se vê em programas dessa natureza: espaço físico, mentorias e capital para fases iniciais. “Criamos recentemente um fundo de 1 milhão de libras para investimento nessas startups. O fundo é deliberadamente pequeno para continuarmos atraindo outros investidores, principalmente da indústria, que também fazem aportes técnicos e nos ajudam na conexão com outras redes de relacionamento”, esclarece Hepworth.

 

Ao falar sobre lições aprendidas com a pandemia e apostas em tecnologias para o futuro, Hepworth afirma ser impossível não tratar da digitalização como uma tendência que fica para quase todos os segmentos, indicando sem surpresa que muitas ferramentas estavam disponíveis há bastante tempo, mas que somente uma situação como a que estamos vivendo poderia fazer dessa possibilidade algo irreversível. A segunda tendência, segundo ele, seria no setor de mobilidade elétrica (e-mobility, em inglês), em função da rapidez, caráter de sustentabilidade e de individualidade nos deslocamentos. “A BumbleBee Power, por exemplo, é uma das startups do nosso portfólio que considero promissora. O negócio é voltado à recarga sem fio para bicicletas elétricas, scooters e drones”, revela.

 

No curto prazo, Simon Hepworth acredita que no contexto pré-vacina, tudo deve girar em torno da testagem massiva e repetitiva. Para ilustrar, ele dá o exemplo de um trabalho de pesquisa em curso: “Nossa ideia é desenvolver um teste tão simples quanto o de gravidez. Caso você queira visitar parentes idosos em um fim de semana, esse tipo de solução permitirá a verificação de seu estado de saúde de imediato e a circulação com risco muito menor de disseminação do vírus”, conclui.

 

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Em meio à pandemia, a universidade fez uso de big data para aumento de produtividade e combate a fake news

MEI Tools

Com o objetivo de divulgar as ações de combate à pandemia do novo coronavírus. Semanalmente, a Diretoria de Inovação da CNI divulga as ações de combate à pandemia do novo coronavírus por meio do Boletim Extraordinário MEI Tools COVID-19. Confira as iniciativas dos parceiros da MEI para a mitigação dos efeitos da pandemia.

Deseja divulgar algum instrumento de apoio a soluções contra o coronavírus? Envie um e-mail para: inovacao@cni.com.br

Publicações MEI

Lançado no dia 15 de junho, o Documento de Apoio à Implantação das DCNs do Curso de Graduação de Engenharia traz orientações, baseadas em evidências, além de experiências bem-sucedidas para estimular o processo de implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do Curso de Graduação em Engenharia.

Com o objetivo de contribuir com a implementação das novas DCNs nas escolas de Engenharia brasileiras, foi constituída uma Comissão Nacional, sob a coordenação do Conselho Nacional de Educação (CNE), que reúne, também, a Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), universidades públicas e privadas e a Diretoria de Inovação da Confederação Nacional da Industria (CNI), representada pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). Com base nas discussões e no material produzido pela Comissão, foi elaborado o Documento de Apoio à Implantação das DCNs do Curso de Graduação de Engenharia, que contou com contribuições do Grupo de Trabalho de Engenharias/STEAM da MEI.

 

Criado em 2016, o GT conta com uma composição diversificada, que inclui a participação de representantes do governo, da academia e do setor privado, tendo colaborado diretamente na revisão das DCNs do Curso de Graduação em Engenharia, que entraram em vigor em 2019.

 

O documento tem como objetivo servir de referência às Instituições de Ensino Superior (IES) como fonte de elementos de apoio para a definição de planos de curso, com foco na formação contextualizada e guiada pela prática, bem como dar suporte ao setor empresarial na construção do diálogo e do relacionamento com as IES, considerando as boas práticas de educação em engenharia que devem ser demandados e apoiados pelas empresas.

 

O download do documento é de graça e está disponível aqui.

 

Ações do Sistema Indústria

O Sistema Indústria está sempre em movimento e você pode ficar por dentro de todas essas ações. Confira agora as novidades, as medidas e os posicionamentos da CNI, do SENAI, do SESI e do IEL.

ACESSE

Calendário

Confederação Nacional da Indústria (CNI)

  • Robson Braga de Andrade - Presidente
  • Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti – Diretor de Educação e Tecnologia (CNI), Diretor Superintendente (SESI), Diretor-geral (SENAI)

Diretoria de Inovação da CNI

COORDENAÇÃO GERAL

  • Gianna Cardoso Sagazio – Diretora de Inovação
  • Suely Lima Pereira – Gerente-Executiva de Inovação

COORDENAÇÃO TÉCNICA

  • Rafael Monaco – Especialista de Desenvolvimento Industrial
 

EQUIPE TÉCNICA

  • Afonso Lopes – Analista de Desenvolvimento Industrial
  • Cândida Oliveira – Especialista de Desenvolvimento Industrial
  • Débora Mendes Carvallho – Analista de Desenvolvimento Industrial
  • Julieta Costa Cunha – Especialista de DesenvolvimentoIndustrial
  • Leonardo da Rosa Fernandes – Especialista de Desenvolvimento Industrial
  • Marcos Arcuri – Especialista de Desenvolvimento Industrial
  • Patrícia Marinho – Analista de Desenvolvimento Industrial
  • Zil Miranda – Especialista de Desenvolvimento Industrial

Diretoria de Comunicação da CNI

GERÊNCIA DE CONSULTORIA E GESTÃO DE PROJETOS

  • Ana Paula Garcia – Consultora de Comunicação

GERÊNCIA DE CONSULTORIA E GESTÃO DE PROJETOS

  • Diego de Abreu Marques Henriques – Jornalista
 

Diretoria de Serviços Corporativos da CNI

  • Patrícia Gresta – Gerente-Executiva de Produtos Digitais
  • Dalila Machado – Product Owner
  • Tiago Santos – Product Owner