CAPÍTULO 6

Economia circular traz oportunidades para avanço da agenda da sustentabilidade no Brasil


 

Reportagem publicada em 10/04/2018



Há dez anos a Granja Barreirinho, do município de Sete Lagoas (MG), recolhe raspas de salgados da indústria PepsiCo que não passam no controle de qualidade para comercialização. O material é transformado em ração para porcos e compostagem. “As raspas de salgados aceleram o desenvolvimento dos animais por possuir maior valor energético que outras rações”, explica o proprietário da Granja, José Arnaldo Penna.

O processo de comercialização de resíduos e outros recursos que sobram de uma empresa para outra se torna cada vez mais comum. “Já estamos negociando para receber outros tipos de resíduos, como de poda de árvores e lodo, para usar em hortas comunitárias”, destaca Penna, que planeja expansão dos negócios.

No distrito industrial de Sete Lagoas, desde setembro do ano passado, 19 empresas se uniram para desenvolver de forma sistemática um modelo de negócio coletivo de prestação de serviços para reaproveitamento e intercâmbio de recursos. As negociações envolvem desde serviços laboratoriais e cessão de horas de profissionais até venda de resíduos e água.

A iniciativa, que reduz desperdícios e custos das empresas e gera ganhos sociais, ambientais e econômicos, é pioneira em economia circular no setor industrial brasileiro. O modelo envolve os setores alimentício, automotivo e de autopeças, metalmecânico e têxtil.