CAPÍTULO 5

Crédito fácil e barato vai reduzir custos financeiros
das empresas e estimular investimento


 

Reportagem publicada em 03/04/2018



Com o empréstimo do Banco do Nordeste, o empresário Renato Dantas conseguiu tirar do papel o antigo projeto de implantar uma fábrica de discos de alumínio, um dos principais insumos da indústria de panelas. "Usei o financiamento para comprar as máquinas. Sem isso, não teria capital para adquirir os insumos e colocar a fábrica para funcionar", diz Dantas.

Localizada em Juazeiro do Norte, no interior do Ceará, a empresa de Dantas, a Império Indústria de Laminados Ltda, começou a operar há quase seis meses, emprega 22 pessoas e fornece discos de alumínio para 60 fabricantes de panelas da região.

Dantas pagou a primeira parcela do empréstimo de R$ 954 mil do Banco do Nordeste em março. Ele conta que pedirá, mais adiante, outro crédito, desta vez, para capital de giro. Para obter os recursos da linha especial para investimento com juros subsidiados e prazo de pagamento de cinco anos e um ano de carência, Dantas recorreu ao Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).

Os Núcleos de Acesso ao Crédito, uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com  as federações estaduais de indústrias, orientam e preparam as empresas para  tomar empréstimos no sistema financeiro. Atualmente, além da FIEC, outras 19 federações oferecem o serviço aos industriais.

 

Contrapartidas e garantias

 

Prova disso é que, antes de recorrer ao Núcleo de Acesso ao Crédito da FIEC, o dono da Império Indústria de Laminados passou um ano inteiro batendo na porta do banco sem sucesso. "É muita exigência, muitas contrapartidas e garantias. A primeira resposta do gerente é sempre não, mesmo que a empresa esteja com as contas em dia", diz Dantas. Ele conta que está adiando o pedido de um crédito para capital de giro porque, neste momento, não dispõe das garantias exigidas pelo banco.

De acordo com a Sondagem Especial - Capital de Giro, divulgada pela CNI em junho de 2016, a exigência de garantias reais, com 53% das assinalações, ficou em segundo lugar na lista de principais dificuldades apontadas pelos empresários brasileiros na hora de obter crédito. Perdeu apenas para os juros altos, que obteve 77% das menções dos empresários. Em terceiro lugar, com 31% das respostas, os industriais citaram os prazos muito curtos.

 

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