CAPÍTULO 3

Futuro melhor para o país depende de contas públicas ajustadas, inflação baixa e investimento


 

Reportagem publicada em 20/03/2018



Controlar rigorosamente os gastos e ter uma reserva de dinheiro para o futuro são os dois mandamentos do orçamento familiar de Pedro Contesini e sua esposa, Ananda. Para o consultor de planejamento financeiro e a funcionária pública, a grande vantagem de ter as contas equilibradas é a paz de espírito. "Quem está em apuros, não consegue nem dormir direito", conta Pedro. Os dois são pais da pequena Aurora, de 1 ano e 3 meses de idade, e moram no Guará, cidade do Distrito Federal.

Se manter as contas no azul para uma família pode parecer difícil, imagine a complexidade para um país. E foi justamente para reequilibrar as contas que o Brasil fixou um limite para o crescimento dos gastos públicos nos próximos 20 anos. Proposta pelo governo e promulgada pelo Congresso Nacional em 2017, a nova regra constitucional ajudou a resgatar a confiança dos empresários e dos consumidores na economia.

 

Estabilização da economia

 

Um cenário favorável aos investimentos é tão importante que o empresário Luiz Carlos Botelho, sócio-diretor da Construtora LDN Ltda., diz estar esperando a estabilização da economia para retomar a construção de imóveis residenciais e comerciais. A atividade foi suspensa em 2010 por causa de uma reorganização societária da empresa, que emprega cerca de 450 pessoas em sua sede em Brasília e na filial em Tocantins.

Naquele ano, os sócios decidiram concentrar os negócios em edificações industriais e obras públicas. "Com a crise, a rentabilidade dos projetos caiu e todos os projetos de inovação ficaram à espera de um momento melhor", diz Botelho, que também preside o Sindicato da Indústria da Construção do Distrito Federal (Sinduscon-DF).

A crise também fez com o que o casal Pedro e Ananda ficasse mais cauteloso. Os dois decidiram adiar a mudança para uma casa maior, para não aumentar os gastos com aluguel. "Uma família que gasta mais do que ganha entra em crise", adverte o consultor.

 


Desde que casaram, em 2015, Pedro e Ananda fizeram um acordo: não deixariam que a falta de dinheiro lhes tirasse o sono. E mais: fariam, ao longo dos anos, uma reserva que lhes permitisse uma aposentadoria tranquila.

Ao longo de dois anos, anotaram semanalmente em uma planilha os valores que recebiam e todas as despesas. Com esse controle, o casal sabe exatamente o tamanho das despesas e das economias. Consegue até aproveitar as oportunidades de ganhar com o planejamento. De acordo com o consultor, a família consegue economizar mensalmente de 20% a 30% do que ganha. "Essa economia é a nossa aposentadoria", reforça.

Na visão da CNI, para alcançar a estabilidade econômica, o país precisa conter a dívida, controlar a inflação, equilibrar as contas públicas. A CNI propõe como metas para o Brasil que, até 2022, a dívida pública não supere 88% do Produto Interno Bruto (PIB), a inflação fique em 3,5% ao ano, o resultado primário do setor público saia do negativo e alcance um superávit equivalente a 0,3% do PIB.

 

 

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Custo de capital e poupança interna


Além do equilíbrio fiscal, o Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022 destaca que o investimento é fundamental para a melhoria do ambiente macroeconômico. A meta proposta pela indústria é aumentar a taxa de investimento dos 16,4% do PIB registrados em 2016 para 21% do PIB em 2022.

"Altas taxas de investimento representam melhoria na infraestrutura, máquinas e equipamentos tecnologicamente atualizados e maior geração de conhecimento nas empresas", informa o Mapa.

Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que a taxa média de investimentos no Brasil é mais baixa do que a de outros países emergentes como China, México e Chile. Para elevar a taxa de investimentos, a CNI recomenda o aumento da capacidade de poupança do país.

Isso requer a redução dos gastos correntes do governo e o estímulo à poupança das famílias.  Outra iniciativa necessária é a redução do custo dos investimentos. Essa iniciativa exige a desoneração dos investimentos e a redução do custo de capital.