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RECURSOS HÍDRICOS

A indústria é parte importante no desenvolvimento de
soluções para garantir a segurança hídrica

As empresas industriais utilizam a água de modo cada vez mais eficiente nos processos produtivos. São investimentos em reaproveitamento de água, sistemas adaptativos de captação e no reúso de efluentes tratados. Paralelamente, o setor vem direcionando suas inovações para o desenvolvimento de eletrodomésticos, produtos de limpeza, metais sanitários e outros bens de consumo que permitam ao consumidor utilizar a água de maneira racional.

A escassez hídrica já afeta muitas regiões do planeta e se agravará nos próximos anos com o crescimento da população mundial, que deve chegar a 8,3 bilhões de pessoas em 2030, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, no entanto, a disponibilidade hídrica de 12% das reservas mundiais (a maior do mundo) não é sinônimo de segurança hídrica.

 

Com uma distribuição de água desigual ao longo do território, a relação entre oferta e demanda desse recurso dá sinais de desequilíbrio em algumas regiões. O Sudeste, por exemplo, possui 1,7% da disponibilidade hídrica do país, mas com densidade demográfica de 136,7 hab./km2 e participação de 17,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Já a região hidrográfica amazônica conta com apenas 9,2% da população, mas concentra cerca de 80% de toda a água do país.

Diante deste cenário, o desafio da segurança hídrica no país está mais relacionado à gestão do que à disponibilidade do recurso.

O setor de saneamento apresenta o maior déficit histórico entre as áreas de infraestrutura no Brasil. Quase metade da população ainda não é atendida por sistemas de tratamento de esgoto, e aproximadamente 17% não conta com acesso à rede de abastecimento de água.

Além de contribuir para a insegurança hídrica, no que se refere a quantidade (perdas no abastecimento) e qualidade da água (lançamento de esgoto não tratado), essa deficiência de cobertura compromete os ecossistemas, a saúde da população e o desenvolvimento econômico.

A falta de água e sua baixa qualidade afetam o dia a dia da indústria e inibe investimentos. Por isso, o risco hídrico é cada vez mais relevante na estratégia de negócios de diversos setores industriais. Nos últimos cinco anos, os relatórios de riscos do Fórum Econômico Mundial incluem os riscos relacionados à água entre as cinco maiores ameaças globais.

É estratégico para o país o investimento em soluções colaborativas no gerenciamento das águas que nos permitam abastecer as cidades, gerar energia, produzir alimentos e desenvolver o setor industrial sem que sejam comprometidos os recursos ambientais e os ecossistemas sensíveis. As transformações requeridas para superar o desafio do desenvolvimento sustentável dependem de investimentos públicos e privados, e da ação colaborativa entre os diferentes stakeholders envolvidos na gestão de recursos hídricos do país.

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável relacionados:
 

Mensagens-chave

O reúso de efluentes como recurso para indústria pode contribuir para a redução da retirada de água e de lançamento de resíduos nos mananciais.

Para avançar nessa alternativa, é necessária regulação que permita maior segurança jurídica e incentivos para investidores, operadores e usuários.
 

O necessário aumento da participação privada no saneamento brasileiro prescinde de um novo marco regulatório.

Novas regras devem criar condições para o investimento, por meio da facilitação das subconcessões, da flexibilização dos contratos de programa e da consideração do serviço de saneamento como de caráter regional.

Os usuários precisam conhecer e determinar os níveis de risco hidrológico aos quais estão expostos.

Para isso, é necessária regra geral sobre a definição de prioridades para concessão de direitos de uso de recursos hídricos, além do reconhecimento formal, na Política Nacional de Recursos Hídricos, das alocações negociadas de água e do mercado de outorga.

A cobrança pelo uso dos recursos hídricos necessita de regulamentação que de maior segurança jurídica e garanta maior agilidade aos desembolsos.

É fundamental, também, regulamentar os mecanismos de aplicação reembolsável dos valores arrecadados para aumentar a receita disponível para a gestão hídrica.
 

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