Logo2c.png

MUDANÇA DO CLIMA

A agenda de mudança do clima deixou a esfera estritamente ambiental e hoje influencia diretamente a competitividade econômica

A indústria brasileira apresenta o segundo melhor desempenho em termos de emissões de gases de efeito estufa (GEE) entre os setores econômicos, de acordo com a 3ª Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Esse esforço coloca o setor como parte das soluções para a consolidação da economia de baixa emissão de carbono no país.

Isso representa oportunidades de negócios, uma vez que a indústria possui o maior poder de alavancagem econômica. A cada R$ 1 produzido na indústria, são gerados R$ 2,32 na economia brasileira. O setor também é responsável por 21% do PIB nacional e pela geração de cerca de 10 milhões de empregos.

 

A agenda de mudança do clima deixou a esfera estritamente ambiental e hoje influencia diretamente a competitividade econômica. Na indústria nacional, os desafios estão relacionados à necessidade de grandes investimentos, ao desenvolvimento de tecnologia para redução de emissões de GEE e a eventos climáticos extremos como secas, enchentes e deslizamentos de terra. Esses eventos podem implicar em insegurança energética, risco de desabastecimento de água e danos aos ativos das empresas e da infraestrutura.

Com a ratificação do Acordo de Paris, em 2016, o Brasil se comprometeu a reduzir em 37% as emissões absolutas de GEE até 2025 e também indicou a redução de 43% até 2030, conforme apresentado em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). A NDC também apresenta um conjunto de medidas adicionais nas áreas de florestas, biocombustíveis e energia.

Estudos desenvolvidos pela CNI mostram que os investimentos para a implementação dessas medidas adicionais são da ordem de US$ 36 bilhões para o setor sucroenergético, e de US$ 81 bilhões para o setor elétrico. A principal preocupação da indústria é o efeito dessas medidas na cadeia de valor, pois, ao mesmo tempo em que pode gerar oportunidades de negócios, também pode ocasionar perdas econômicas e de competitividade.

Diante desse cenário, é importante que as políticas públicas levem adiante uma agenda positiva e estruturante, visando à implementação da NDC brasileira pelo setor industrial. Essas políticas devem conciliar princípios de integridade ambiental com o custo-benefício das ações a serem adotadas, de modo a garantir o aproveitamento do potencial dos setores, geração de novos negócios, maior eficiência e o crescimento do produto, emprego e renda.

Para implementação e financiamento da NDC do Brasil, a CNI, em parceria com o governo federal, elaborou um conjunto de recomendações baseadas em 7 pilares estratégicos: governança. financiamento; competitividade; energia; tecnologia e inovação; florestas; adaptação à mudança do clima.

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável relacionados:
 

Mensagens-chave

A implementação da NDC na indústria requer uma avaliação integrada de seus efeitos sobre a competitividade da sua cadeia de valor.

O financiamento é chave para a mudança estrutural requerida.

É necessário desenvolver novos arranjos financeiros mais aplicáveis à realidade da indústria, que visem ao custeio de investimentos voltados à implementação da NDC.
 

O setor de uso da terra e florestas tem grande relevância para ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Uma abordagem integrada entre floresta e indústria é fundamental para que o setor siga contribuindo no combate aos impactos das mudanças climáticas.
 

A adoção de tecnologias para mitigação de emissões e adaptação deve considerar a realidade da indústria brasileira.

Devem ser analisados os contextos técnico, econômico, político, institucional e de mercado aplicáveis à realidade industrial. Essa medida é importante para a transição gradual das operações industriais existentes, visando à consolidação de uma economia de baixa emissão de carbono, sem prejuízo a sua descontinuidade e preservação de investimentos, além de adoção de tecnologias que não sejam aplicáveis às práticas industriais brasileiras.
 

As variações climáticas impactam a indústria pelo seu efeito sobre a disponibilidade de recursos naturais, energia e infraestrutura.

Os esforços governamentais devem ser direcionados para infraestruturas cada vez mais resilientes aos eventos climáticos extremos e ao gerenciamento e minimização dos riscos climáticos.
 

topo