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19 de Agosto de 2019 às 18:24

Empresários criam grupo estratégico para construir agenda de Bioeconomia

O objetivo é promover a melhoria do ambiente de negócios e alavancar o investimento no país

O setor de Bioeconomia movimenta mais de U$ 2 tri, em todo o mundo. Para o Brasil, que abriga quase 20% da biodiversidade do planeta e 12% das reservas mundiais de água doce, esse é um mercado com enorme potencial. O desafio do país está em transformar suas vantagens comparativas em vantagens competitivas, com soluções inovadoras e sustentáveis. Para debater os entraves e as oportunidades para a construção de uma agenda nacional de bioeconomia, representantes da indústria se reuniram na semana passada, em São Paulo, e criaram um grupo estratégico sobre o tema.

Da primeira reunião, participaram empresas dos setores de cosméticos, biocombustíveis e biotecnologia. No entanto, a proposta é ampliar a representatividade e agregar outros setores. A academia também integra o grupo, com representantes da USP e Unicamp. O objetivo do grupo é apresentar, em 2020, uma agenda de bioeconomia para a indústria, com propostas fundamentadas no tripé educação, regulamentação e financiamento.

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Além de estimular o desenvolvimento econômico e tecnológico, a bioeconomia também pode contribuir para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa, além de ser um importante acelerador para as indústrias rumo a cenários de carbono neutro. Para o professor Gonçalo Pereira, da Unicamp, esse é um dos grandes benefícios do investimento na agenda nacional de bioeconomia.

Pereira é responsável pela atualização do estudo Bioeconomia: uma agenda para o Brasil, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), produzido em 2013 em parceria com a Harvard Business Review. O trabalho será concluído ainda em 2019. Um dos assuntos tratados pelo documento será a contribuição da biotecnologia para o desenvolvimento de produtos como biocombustíveis avançados, setor no qual o País já tem liderança no mercado internacional e que apresenta grande potencial de avanço tecnológico.

O presidente-executivo da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), Bernardo Silva, também destacou a bioeconomia como uma oportunidade real e imediata para o avanço econômico e social do Brasil. Segundo ele, nos próximos 20 anos, o setor pode gerar mais de 200 mil empregos e trazer mais de US$ 400 milhões em investimentos para o país.

Outro tema de destaque da reunião foram os impactos da implementação do Protocolo de Nagoia para a indústria brasileira. Esse é o foco do estudo em elaboração pela CNI que analisa o cenário pós Lei de Biodiversidade (Lei 13.123/15), com orientações sobre o melhor caminho para ratificação do protocolo pelo governo brasileiro. O professor Joaquim Machado, da USP, é o consultor responsável pelo trabalho. Para ele, é fundamental, por exemplo, uma compreensão clara sobre como se dá a interface entre o protocolo e temas como biologia sintética e informação de sequência digital (em inglês, DSI).

Para o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, a indústria tem grande interesse em ampliar investimentos em bioeconomia. Portanto, esse é o momento de agir para dar impulso a essa tendência.

Para que isso aconteça, no entanto, é necessária uma agenda voltada à melhoria do ambiente de negócios, por meio do estímulo a pesquisa, desenvolvimento e inovação; do aumento na oferta de incentivos econômicos e do aprimoramento do marco regulatório (especialmente os protocolos de Nagoia e de Madri). Esses são passos fundamentais que o grupo estratégico irá debater nos próximos meses. O objetivo é chegar a uma proposta robusta que seja instrumento de referência para o desenvolvimento da bioeconomia no Brasil.