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27 de Junho de 2019 às 19:10

Economia circular e bioeconomia foram temas de debate em Congresso de Inovação

Mudanças no perfil de consumo, escassez de recursos naturais e potencial do Brasil para ser protagonista nessas agendas foram pilares apontados por especialistas em talkshows




A crescente busca da população por produtos mais sustentáveis, a escassez de recursos naturais e a biodiversidade brasileira são os pilares que podem tornar o Brasil protagonista no avanço das agendas de economia circular e de bioeconomia. Essa foi a conclusão dos especialistas que participaram dos talkshows promovidos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no dia 10 de junho, durante o 8º Congresso Brasileiro de Inovação, em São Paulo.

A economia circular é baseada em uso mais eficiente dos recursos por meio do aumento da vida útil de insumos e produtos. Para isso, incentiva-se desde a reciclagem, remanufatura e reutilização até o compartilhamento, a manutenção e o redesenho de produtos. Já a bioeconomia busca o estímulo ao desenvolvimento de insumos e produtos com recursos da biodiversidade com tecnologias inovadoras. Aí entram biocombustíveis, alimentos, químicos, têxteis, farmacêuticos, cosméticos, entre outros.




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ECONOMIA CIRCULAR – No evento Modelos de Negócios Inovadores para a Economia Circular, destacou-se a importância da cooperação entre empresas para desenvolver projetos setoriais, além da necessidade de se ampliar investimentos na área e melhorar o ambiente de negócios para o avanço da agenda. Na visão da gerente de Comunicação e Relações Externas da Unilever, Juliana Marra, neste processo de transição, é fundamental envolver o consumidor. “É preciso comunicar de forma adequada o valor agregado dessas práticas na cadeia produtiva e na sociedade”, disse.

Para a diretora de Reciclagem e Economia Circular da Braskem, Fabiana Quiroga, é possível usar material reciclado em novos produtos, mantendo a qualidade, o que abre um leque de oportunidades para novos negócios.

O setor têxtil, por exemplo, já formula novos modelos pensados a partir da economia circular. A gerente do Programa de Transformação Circular do Instituto C&A, Margarida Lunetta, relatou que entre as apostas está a concepção de vestuário como serviço, em que o consumidor paga pelo uso e, depois de um tempo, devolve as peças. Além disso, há tendência também de ampliar o comércio virtual como forma de revenda.

O diretor-geral da Sinctronics, Carlos Ohde, comentou que a a empresa pretende ajudar o setor eletroeletrônico brasileiro no desafio da transição para a economia circular. Para finalizar o encontro, a professora da USP Marly Monteiro de Carvalho destacou a necessidade de parcerias entre o setor privado, o público e a academia para fazer transição da lógica linear para circular.

BIOECONOMIA –  No segundo talkshow, Bioeconomia: uma agenda para o Brasil, especialistas destacaram a necessidade de se pautar essa agenda no tripé educação, regulamentação e investimento. O coordenador-geral de Bieconomia do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Bruno Nunes, destacou iniciativas em bioeconomia realizadas pelo governo federal. Entre as quais, está a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o período de 2016 a 2022.

“O Brasil é um país que tem uma aptidão natural para a bioeconomia, por apresentar um agronegócio forte, um setor empresarial consolidado, um nível de excelência em pesquisa e a maior biodiversidade do planeta”, disse Nunes. Segundo ele, transformar essas vantagens comparativas em vantagens competitivas exige um investimento maciço em inovação e educação para capacitar atores estratégicos em diferentes áreas.

O presidente da GranBio, Bernardo Gradin, relembrou a fundação da empresa em 2011, em um cenário de busca por alternativa aos combustíveis fósseis, tanto por causa do preço elevado do barril de petróleo, quanto da preocupação com as mudanças climáticas.

Segundo ele, a transformação de biomassa em combustível é uma oportunidade ímpar para o Brasil. A abundância natural dessa matéria orgânica no território nacional e a eficiência da fotossíntese geram um alto volume de matéria-prima para conversão de carbono em dióxido de carbono.



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EVOLUÇÃO – Outra experiência apresentada foi da DSM, multinacional de biotecnologia, que ao longo de sua história evoluiu da produção de carvão para petroquímica, química pesada, química leve até chegar na biotecnologia. “A empresa vê a sustentabilidade não mais como um de seus pilares, mas sim como o seu drive empresarial de agregação de valor nos seus produtos e soluções”, destacou a diretora de Comunicação da DSM, Zenaide Guerra.

Segundo ela, a bioeconomia é traduzida na empresa por meio de parcerias, projetos, produtos, soluções e processos. Um dos exemplos é a Dyneema, fibra ultra resistente fabricada com polietileno, que, apesar de não ter sua origem em produtos da biodiversidade, é utilizada na limpeza dos oceanos, responsáveis por 80% da vida no planeta.

Daniel Gonzaga, diretor de Inovação da Natura, contou que a empresa tomou a decisão, em 2002, de neutralizar sua pegada de uso de carbono, por meio de adoção de método de ciclo de vida dos produtos e de suas operações fabris. Nesse processo, foi levado em consideração a extração das matérias primas utilizadas até o seu descarte final e a priorização do uso de biomateriais, como os biopolímeros.

Daniel relatou ainda que a Natura acertou em não ter descontinuado as suas atividades no Brasil a partir da vigência da MP 2.186 de 2001, que tornava o processo produtivo muito mais demorado, uma vez que a aprovação da Lei 13.123/2015 desburocratizou o acesso à biodiversidade brasileira, melhorando o ambiente de negócios.