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1 de Agosto de 2017 às 12:00

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SENAI Mossoró (RN) é referência mundial na formação de soldadores

Desde 1998, a unidade do município do Rio Grande do Norte conquistou 11 medalhas em nível nacional e internacional. Descubra os métodos de treinamento, a equipe e os campeões de Ítalo Bologna

A cidade de Mossoró é conhecida por seus soldadores, forte presença da Petrobras na região exige padrão internacional de excelência

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Para o dicionário, Mossoró é um vento que sopra do norte. Seguimos essa corrente de ar até o município com mesmo nome, no Rio Grande do Norte, e o que encontramos foram os melhores soldadores do mundo. Todos estudaram no mesmo lugar: a unidade Ítalo Bologna do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

Desde 1998, os soldadores da cidade conquistaram 11 medalhas em competições de educação profissional no Brasil e no exterior. Para se ter uma ideia da excelência da escola, nas últimas três edições da WorldSkills, o maior torneio de ensino técnico do mundo, os mossoroenses garantiram lugar no pódio: bronze em Londres 2011, prata na Alemanha 2013 e ouro em São Paulo 2015.

Exemplos seguidos de perto por Rafael Dário, que tem como objetivo conquistar a quarta medalha consecutiva de Mossoró em Soldagem na WorldSkills. Para isso, ele vem treinando arduamente há quase um ano rumo à próxima edição da disputa, que será realizada em outubro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

O evento reúne jovens de todo o mundo. Eles têm de provar suas habilidades em dezenas de ocupações (modalidades), como a Soldagem. Assim, precisam realizar tarefas com níveis internacionais de excelência. Realizada a cada dois anos em um país diferente, a última edição foi em São Paulo, cenário da inédita vitória da equipe brasileira.

Os últimos três medalhistas mundiais em Soldagem saíram do SENAI Ítalo Bologna em Mossoró (RN)

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TREINAMENTO EM EVOLUÇÃO - Para manter um nível de excelência na formação de profissionais e de competidores, durante mais de 15 anos, é necessário dedicação e um processo de treinamento em  constante evolução. É o que relata o diretor do SENAI de Mossoró, Francisco Moreira Maia. “Se eu levar um aluno à Abu Dhabi com o mesmo perfil de quando fomos vencedores pela última vez, ele não vai ganhar nada. Ele tem que ir com um nível muito superior ao último campeão, porque a tecnologia e o método de trabalho evoluem”, conta.

Uma das ações que promovem atualizações constantes na formação e treinamento de alunos do SENAI de Mossoró são as reuniões mensais com a equipe docente. Elas servem para analisar os resultados obtidos e traçar novas estratégias. As avaliações, tanto quantitativas como qualitativas, passam por indicadores de desempenho dos alunos, por metas estabelecidas e pelo Sistema de Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica (SAEP). Em determinados momentos, como em épocas pré-torneios, os estudantes também participam das reuniões. Como consequência, eles identificam mais claramente seus objetivos e desafios na disputa que se aproxima.

Preocupação essa bastante coerente com a responsabilidade que muitos dos formados irão encarar no mercado de trabalho. O estado do Rio Grande do Norte conta com forte presença da Petrobras, estatal de petróleo do Brasil. O estado tem refinarias, termelétricas, gasodutos, terminais e oleodutos que demandam mão de obra qualificada em áreas como a da Soldagem.

É justamente o que conta o coordenador de qualidade da área de Soldagem na ETM Engenharia, Francisco Mendes Neto. A empresa presta serviços à Petrobras construindo e montando tubos que levam óleo dos poços de prospecção até estações de tratamento. Nas estações são realizados os procedimentos de separação do óleo, água e gás que vêm misturados da terra.

Nesse processo, as soldas precisam sempre atender a parâmetros internacionais para evitar qualquer tipo de falha, por isso, são rígidas as exigências com os técnicos que atuam com solda. “Os profissionais que vêm do SENAI são pessoas que têm prática e teoria, que é o que a Petrobras exige. Isso torna a comunicação mais fácil, já que eles entendem os termos técnicos”, diz Francisco.


Outro aspecto que contribui diretamente para os resultados obtidos pelo SENAI Ítalo Bologna é a continuidade. Os estudantes que competem e se destacam voltam como professores e iniciam o treinamento de mais uma geração. Isso faz com que o talento seja retido e continue gerando frutos. “Não há descontinuidade. Isso é muito importante. Quando você quebra, o trabalho gasto para retomar é muito maior”, afirma Francisco Maia.

DESCOBRINDO TALENTOS –  Hoje, o treinamento de Soldagem de Mossoró para competições está sob a responsabilidade de três professores: Max Wendell Pereira, que ganhou diploma de excelência no Japão, em 2007; Lucas Landriny Filgueira, medalha de bronze na Inglaterra, em 2011; e Rafael Wenderson Pereira, prata na Alemanha, em 2013. Para encontrar o estudante com os conhecimentos e o perfil necessário para ser treinado, o processo é longo. Começa com uma apresentação para todos os alunos da escola. Nesse dia são explicados a rotina de treinamentos, quais são as competições e o que a equipe espera de um competidor.

Lucas Landriny foi medalha de bronze em Londres 2011 e hoje faz parte da equipe de treinamentos do SENAI Ítalo Bologna

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A partir daí são escolhidos, em média, 30 jovens (entre candidaturas e convites) que seguem para a próxima fase: uma entrevista. É quando cerca de 60% desistem, por perceberem que não vão se adaptar à intensidade dos treinos e à dedicação necessária para se tornar um campeão. Com os que permanecem, começa o acompanhamento prático, seguido por provas teóricas e práticas, até sobrarem apenas dois competidores. Esses dois participam da etapa estadual da Olimpíada do Conhecimento. O treinamento – da escolha até a disputa estadual – dura um ano, em média.

Dentre os campeões, o representante do Rio Grande do Norte para a etapa nacional é escolhido e os treinos continuam por mais um ano, aproximadamente, de segunda a sábado, durante pelo menos dois turnos. Quanto mais próximo do evento, maior a carga de exercícios.

O docente Max Pereira ressalta que o acompanhamento do SENAI com a família dos jovens é essencial para que eles tenham tranquilidade no período mais decisivo e estressante do treino. “Em um momento de crise econômica, como o que estamos vivendo no país, é comum termos alunos com pais desempregados. Não tem como um aluno ser campeão mundial com essa preocupação, por exemplo”, diz. É por isso que a proximidade dos treinadores com os familiares é tão importante, para que os competidores possam receber apoio mesmo com problemas externos.  

DEDICAÇÃO 360º – Antes mesmo de os jovens começarem o treinamento, possíveis talentos são identificados pelos professores. Assim, eles são convidados a iniciar uma espécie de estágio, auxiliando os professores, trabalhando na organização de laboratórios, treinamentos e ajuda na organização do box de provas do atual competidor. Isso faz com que eles conheçam todas as etapas do trabalho que precisam desenvolver nas competições, ganhando uma visão 360º de cada detalhe.

Lucas Landriny Filgueira lembra que essa experiência o motivou a seguir no SENAI e a começar a treinar para os torneios. “A gente treinava e preparava material para quem ia para a etapa internacional. Eu os via treinando e ficava sonhando. Eu queria participar daquilo”, lembra. Depois disso, Lucas conseguiu medalha de bronze em 2013, na Alemanha.
 


ESFORÇO E RECOMPENSA – Todos os sacrifícios feitos em prol da melhor preparação pelos mossoroenses têm em vista mais que o reconhecimento de ser campeão mundial. A esperança de mudar de vida é o que move vários competidores. Foi o caso de Jakielyson Alves, medalhista de ouro na última WorldSkills, em 2015, em São Paulo. Ele entrou no SENAI quando descobriu que seria pai. Logo se destacou no curso de Soldador Multiprocessos e foi convidado a treinar para a Olimpíada.
“Passei quatro anos praticamente só treinando. Em três deles perdi o aniversário do meu filho, porque estava viajando para outros estados e isso era difícil para mim. Eu era pai de primeira viagem e queria meu filho por perto”, lembra Jakielyson.

Hoje, Jakielyson está em Dubai, nos Emirados Árabes, acompanhando o treinamento de novos competidores e pretende continuar realizando capacitações ao redor do mundo. O sentimento é de que sua trajetória valeu à pena. “Sempre estudei  em escola pública, vim de família humilde e não tinha planos de entrar no SENAI. Muito menos de participar da Olimpíada. Mas, graças às competições, sou um bom profissional capacitador, conheci outros estados brasileiros, países, culturas diferentes e consegui dar uma condição boa para minha família”, revela o atual melhor soldador do mundo.

BOM EXEMPLO  –  Com a evolução significativa ao longo dos anos da Soldagem, os resultados expressivos e os testemunhos dos campeões, competidores de outras ocupações do SENAI de Mossoró também começaram a se preparar para os torneios. Desde 2010, estudantes da unidade Ítalo Bologna já levaram dez medalhas de nível nacional em outras modalidades fora a Soldagem. Ouro em Estruturas metálicas e Calderaria e prata em Torneraria e Eletricidade Industrial são só alguns dos resultados. São novas equipes que tentam repetir o sucesso dos melhores soldadores do mundo.



CONTAGEM REGRESSIVA – A próxima edição da WorldSkills será em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, entre os dias 15 e 18 de outubro de 2017. São esperados cerca de 1.300 competidores de mais de 70 países para a 44ª edição do evento. Os jovens disputarão em 51 ocupações e o Brasil defenderá o título de melhor educação profissional do mundo. Todos os detalhes da disputa você acompanha aqui na Agência CNI de Notícias.


Por Mateus Maia
Fotos: José Paulo Lacerda e Divulgação/SENAI
Da Agência CNI de Notícias

 

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