ENAI 2013: Inserção em cadeias globais é caminho para internacionalização da indústria brasileira

O ingresso nesses arranjos produtivos ajudará o Brasil a abocanhar uma fatia do comércio mundial que já movimenta mais de US$ 20 trilhões anualmente

Apesar de figurar entre as 10 maiores economias do mundo, o Brasil ainda ocupa posição de baixo destaque no processo de internacionalização da indústria. A reversão desse quadro depende do aumento da participação do setor produtivo nas cadeias globais de valor, as complexas redes mundiais de intercâmbio de tecnologias, bens e serviços. O ingresso nesses arranjos produtivos ajudará o Brasil a abocanhar uma fatia do comércio mundial que já movimenta mais de US$ 20 trilhões anualmente.

O diagnóstico foi feito pelos participantes do debate Inserção da indústria brasileira nas cadeias globais de valor, segunda sessão temática do 8º Encontro Nacional da Indústria (Enai), aberto nesta quarta-feira (11), em Brasília. “O Brasil está muito atrás do mundo no processo de internacionalização de suas empresas e não figura entre os maiores investidores”, avaliou o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi.

Brasil precisa definir agenda de longo prazo para ampliar inserção nas cadeias globais de valor

A diretora da LBS Consultoria, Lytha Spindola, lembrou que a adoção de medidas de facilitação de comércio ajudariam as empresas brasileiras a absorver etapas produtivas de maior valor agregado de grandes conglomerados. Como as cadeias globais são responsáveis por um intenso fluxo de bens intermediários – o equivalente a 60% do comércio mundial – isso teria grande impacto na ampliação das empresas brasileiras no comércio. “Tempos e custos aduaneiros baixos são fundamentais para alcançar a agilidade que as cadeias exigem”, disse Spindola.

O vice-presidente de assuntos corporativos da Ford América do Sul, Rogélio Golfarb, salientou que grandes empresas globais  organizam sua produção de forma integrada entre diferentes partes do mundo. Isso permite o aproveitamento do  que cada país oferece de melhor para o produto. O Brasil, avalia, precisa se abrir para que esse fluxo de processos e tecnologias seja facilitado. “Não se pode imaginar que apenas vai se mandar uma tecnologia ou um produto pronto do Brasil para fora. Esse processo hoje exige integração”, disse Goldfarb.

“O Brasil está muito atrás do mundo no processo de internacionalização de suas empresas" - Carlos Abijaodi

INTEGRAÇÃO TÍMIDA - A vice-presidente de Assuntos Governamentais e Políticas Públicas da América Latina da General Electric (GE), Adriana Machado, lembra que o Brasil ainda tem baixa inserção nas cadeias globais de valor. Um estudo da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) coloca o país entre as quatro nações menos integradas entre 25 países avaliados. “A inserção depende da abertura da economia, não apenas de o Brasil contar com um grande mercado doméstico”, destacou.

O principal reflexo da baixa inserção do Brasil nas cadeias globais pode ser percebido pelo baixo valor agregado da pauta de exportação. Para o presidente do Conselho de Administração Altus Sistemas de Automação S/A, Ricardo Felizzola, o país ainda não é uma plataforma de produção de manufaturados de maior valor, porque ainda não conseguiu atrair tecnologias e processos produtivos. “Precisamos aprender a achar vantagens competitivas fora do Brasil, incorporarmos tecnologia, em comprarmos empresas lá fora. Mas isso não é facilitado”, afirmou.

O Brasil precisa definir uma agenda de longo prazo para ampliar sua inserção nas cadeias globais de valor.  Para o diretor-presidente da 3M do Brasil, Jose Varela, há três fatores que precisam constar dessa agenda: facilitação para fluxos de capital, conhecimento e inovação. “Se o Brasil quer se transformar em um país inovador, é preciso oferecer produtos inovadores ao mercado”, disse Varela.

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