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30 de Outubro de 2013 às 16:49

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Agenda proposta pela CNI para melhorar a educação põe foco em jovens e trabalhadores da indústria

Educação para o Mundo do Trabalho
Debate contou com a presença de Ricardo Martins, Mozart Neves Ramos, Pedro Wongtschowski, José Henrique Paim, Isabel Cristina Santana e Denise Barbosa
O ano de 2014 será marcado por uma intensa mobilização do Sistema Indústria e de parceiros como organizações governamentais e não governamentais, além da comunidade escolar, na implementação de ações que consigam melhorar de forma mais rápida a formação dos brasileiros para o trabalho. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) anunciou na quarta-feira (30) em Brasília, o projeto Educação para o Mundo do Trabalho , cujo objetivo é elevar a escolaridade e a qualificação dos jovens que cursam o ensino médio e dos que não estudam e não trabalham, e também dos trabalhadores da indústria.

De acordo com o diretor de Educação e Tecnologia da CNI, Rafael Lucchesi, esse é um momento para se colocar a educação como ponto central do desenvolvimento do Brasil. “A CNI se propõe a liderar o diálogo entre setores público e privado para avançar na qualidade do que é oferecido aos jovens. Já temos resultados bons como o Pronatec e podemos aprofundar isso na educação básica”, diz.

Para ele, o Brasil precisa construir uma escola que dialogue melhor com os anseios dos jovens. “O estudante brasileiro precisa desenvolver maiores habilidades de raciocínio lógico e os trabalhadores devem ser preparados para aprender a aprender. Isso será fundamental para incluí-los num desenvolvimento econômico que seja sustentável. Superar esse desafio não é tarefa apenas do governo, mas das empresas, das famílias e de toda a sociedade”, comenta Lucchesi.

A agenda nacional tem dez pontos principais que funcionarão como diretriz para as federações das indústrias nos estados desenvolverem, junto aos parceiros, as ações mais adequadas à sua realidade (veja abaixo). Para incentivar a adesão de outras instituições à iniciativa, a CNI vai lançar um prêmio para destacar as melhores ações desenvolvidas ao longo de 2014.

Pontos da Agenda Educação para o Mundo do Trabalho
1. Acabar com o analfabetismo na indústria
2. Elevar o nível de escolaridade dos trabalhadores da indústria
3. Ampliar o conhecimento de português e matemática dos trabalhadores
4 .       Desenvolver e oferecer cursos presenciais e a distância contextualizados
5 .       Desenvolver e implantar incentivos ao trabalhador para formação continuada
6. Desenvolver ações voltadas para a disseminação de informações e orientação profissional dos jovens
7 .       Desenvolver ações que promovam a maior participação dos pais na vida escolar dos filhos
8 .       Disseminar novas ferramentas educacionais para dar significado à aprendizagem
9 .       Estruturar campanhas de mídia/redes sociais para a valorização da educação e do trabalho, com linguagem acessível aos jovens
10 .   Desenvolver e utilizar instrumentos de avaliação de competência dos jovens


DESAFIOS DA AGENDA – Segundo o integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), Mozart Neves Ramos, que participou de debate na CNI, o ensino não é atrativo para o jovem. “Hoje temos uma escola do século 19, com professores do século 20 e alunos do século 21. Temos de colocar todos no mesmo tempo. Não adianta dizer para um aluno que é importante aprender matemática se não conseguirmos mostrar como isso vai impactar sua vida”, diz. Mudar essa realidade, alerta ele, demanda sinergia e o ponto principal são os professores. “Se o Brasil não valorizar a carreira do magistério e a boa formação do professor, pode colocar todos os PIBs do mundo na educação e não vai adiantar nada”, completa.

Rafael Lucchesi durante discurso
" Já temos resultados bons como o Pronatec e podemos aprofundar isso na educação básica” - Rafael Lucchesi
Isabel Santana, superintendente do Itaú Social, destacou que a educação formal é necessária, mas é preciso também oferecer conteúdos para que se desenvolvam competências como relacionamento, expressão oral, resiliência. “Além disso, temos de levar em conta a diversidade de jovens brasileiros. A maior parte da geração nem nem (uma referência a quem nem estuda e nem trabalha) é composta por mulheres. Nossas ações precisam levar em conta recortes de gênero e raça”, destaca.

Existem atualmente no Brasil 8,7 milhões de jovens no ensino médio e outros 2,1 milhões, que já concluíram o ensino fundamental, mas se encontram fora da escola e sem emprego. No total da geração nem nem, 41,5% são mulheres indígenas, pardas e pretas. Presidente do grupo Ultra, o empresário Pedro Wongtschowski, afirmou que essa agenda precisa ser levada adiante também pela indústria, onde há 81 mil trabalhadores analfabetos, que sofre com os impactos da baixa qualidade da educação. “A elite brasileira entende que já resolveu seus problemas com a educação privada. Nós temos de liderar esse processo”, diz Wongtschowski.

PRÓXIMOS PASSOS – Até dezembro deste ano, as federações das indústrias nos estados aprofundarão a mobilização para que as ações do Educação para o Mundo do Trabalho sejam definidas. Esse processo iniciou em agosto e teve a participação de 1,4 mil pessoas entre especialistas, professores, empresários, pais e alunos, que apresentaram 1,3 mil sugestões para novos modelos de escola e aprendizado. Além das próprias federações, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI) – entidades do Sistema Indústria – outras instituições poderão aderir à iniciativa ao desenvolverem ações dentro do escopo do projeto.

Com o objetivo de fortalecer essa mobilização, em maio de 2014, a CNI lançará o Prêmio Educação para o Mundo do Trabalho. O objetivo é destacar os principais resultados obtidos ao longo do primeiro ano do projeto, que busca resultados imediatos para acelerar iniciativas de médio e longo prazos de governos e outras organizações para melhorar a educação.

Educação para o mundo do Trabalho arte
DIAGNÓSTICO
- A pesquisa Sondagem Especial – Falta de trabalhador qualificado , divulgada pela CNI, esta semana, mostrou que 65% dos empresários têm problemas para encontrar profissionais capacitados. Entre eles, 81% dizem que a maior dificuldade para qualificar os empregados é a baixa qualidade da educação básica. A realidade está também descrita na posição do Brasil em algumas avaliações internacionais. O ranking Global de Competitividade 2013/2014 (do Fórum Econômico Mundial) coloca o país em 136º entre 148 nações no quesito qualidade da educação de matemática e ciências.

O entendimento da CNI é que a baixa qualidade da educação básica, a reduzida oferta de ensino profissional e as deficiências no ensino superior limitam a capacidade de inovar das empresas e sua produtividade, com impactos significativos sobre a competitividade do país.

Nesse sentido, a melhoria da educação foi apontada pelos empresários como uma meta prioritária e foi incluída no Mapa Estratégico da Indústria (2013-2022) como fator-chave para a competitividade da indústria brasileira. O Educação para o Mundo do Trabalho é o primeiro desdobramento disso.  “Se o quadro atual da educação não mudar, a falta de qualidade do trabalhador vai se tornar um entrave para o crescimento do país”, comenta Lucchesi.

Por Ismália Afonso
Fotos: José Paulo Lacerda
Do Portal da Indústria

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